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Zelensky compara operação especial russa ao Holocausto e parlamento israelense reage

© REUTERS / CORINNA KERNO presidente ucraniano Vladimir Zelensky em discurso transmitido ao Knesset, parlamento de Israel, na Praça Habima em Tel Aviv, Israel, 20 de março de 2022
O presidente ucraniano Vladimir Zelensky em discurso transmitido ao Knesset, parlamento de Israel, na Praça Habima em Tel Aviv, Israel, 20 de março de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.03.2022
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Alguns parlamentares israelenses criticaram o presidente da Ucrânia por tentar "reescrever a história" e negar o papel dos colaboracionistas ucranianos dos nazistas no Holocausto.
O presidente Vladimir Zelensky criticou Israel por não fazer o suficiente para ajudar Kiev a combater as forças russas durante um discurso ao parlamento do país no domingo (20). Sua tentativa de evocar o espectro do Holocausto e fazer comparações com a operação especial militar russa na Ucrânia desencadeou uma dura reação dos legisladores israelenses.
Em um discurso em vídeo ao Knesset, Zelensky afirmou que chegou a hora de o povo de Israel fazer uma escolha clara entre apoiar a Ucrânia ou a Rússia. O presidente aparentemente se referiu à posição do primeiro-ministro israelense Naftali Bennett, que expressou sua disposição de facilitar as negociações entre Kiev e Moscou, mas, ao contrário de muitos líderes ocidentais e alguns de seus aliados, absteve-se de impor sanções severas a Moscou ou fornecer assistência militar para Kiev. No início desta semana, Bennett disse que Israel "continuaria a agir para evitar derramamento de sangue e trazer os lados do campo de batalha para a mesa de conferências".
O líder ucraniano criticou a relutância de Israel em fornecer seus sistemas de defesa antiaérea Cúpula de Ferro para a Ucrânia, dizendo aos parlamentares que era "o melhor" de seu tipo e que Israel seria capaz de proteger "as vidas dos ucranianos, as vidas dos judeus ucranianos". Zelensky também se perguntou por que Israel não impôs "fortes sanções contra a Rússia".
"Mas cabe a vocês, queridos irmãos e irmãs, escolher a resposta. E vocês terão que viver com essa resposta, povo de Israel", acrescentou.
Na parte mais inflamada de seu discurso, Zelensky acusou os russos de ecoarem a retórica dos nazistas, que clamavam pela "solução final para a questão judaica". Ele afirmou que palavras semelhantes estão soando agora de Moscou, mas em relação à "questão ucraniana".
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Tais comparações, bem como suas observações sobre o povo ucraniano, que "fizeram sua escolha há 80 anos" para resgatar judeus, causaram certa raiva entre os legisladores e a mídia israelense, com alguns chamando-as de tentativa de "reescrever a história" e negar o papel dos colaboracionistas ucranianos dos nazistas no Holocausto.
"Sua crítica a Israel era legítima, assim como suas expectativas crescentes sobre nós, mas não sua comparação irritante e ridícula com o Holocausto e sua tentativa de reescrever a história e apagar o papel do povo ucraniano nas tentativas de exterminar o povo judeu", disse o líder do Partido Sionista Religioso, Bezalel Smotrich.
A afirmação de Zelensky "faz fronteira com a negação do Holocausto", disse o ministro da Infraestrutura Nacional, Energia e Água de Israel, Yuval Steinitz. Para o ministro, qualquer conflito militar é terrível, mas sua comparação com "o extermínio de milhões de judeus em câmaras de gás no âmbito da Solução Final é uma distorção completa da história".
O ministro das Comunicações e deputado da Nova Esperança, Yoaz Hendel, tuitou que "admira" Zelensky e apoia o povo ucraniano "de coração e ação", mas observou que parte do genocídio de judeus da Alemanha nazista "também foi realizado em terras ucranianas" e acrescentou que "a comparação com os horrores do Holocausto e da Solução Final é ultrajante".
O governo israelense optou por não comentar oficialmente as declarações controversas do presidente ucraniano.
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O presidente do Knesset, Mickey Levy, agradeceu a Zelensky e disse que estava orando pelo fim do conflito na Ucrânia. Ele também expressou esperança de que, quando isso acontecer, Zelensky visite Jerusalém.
O presidenteVladimir Putin reconheceu as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk como Estados soberanos em 21 de fevereiro, lançando, três dias depois uma operação especial militar na Ucrânia, depois que ambas as repúblicas solicitaram ajuda diante da agressão de Kiev. De acordo com o Ministério da Defesa russo, a missão é direcionada à infraestrutura militar ucraniana e não tem alvos civis.
Em um caso sem precedentes, restrições individuais foram estendidas ao presidente russo e ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, enquanto que sanções setoriais, também pela primeira vez, incluem a desconexão da Rússia do sistema SWIFT, a paralisação das reservas internacionais de seu Banco Central, o fechamento do espaço aéreo para as companhias aéreas russas bem com o encerramento de operadoras de crédito como Visa e Mastercard e a censura a meios de comunicação ligados ao Kremlin.
Dentre as garantias de segurança elencadas pela Rússia, para o fim do conflito na região, está a declaração da Ucrânia como um país oficialmente neutro, que não deve aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) liderada pelos EUA.
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