'Hipócrita e ridículo': Pequim critica ordem dos EUA que proíbe transações com aplicativos chineses

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Às vésperas de deixar o cargo de presidente dos EUA, Donald Trump assinou uma ordem executiva que proíbe transações com oito aplicativos chineses, incluindo a plataforma de pagamentos Alipay.

O governo da China acusou Washington nesta quarta-feira (6) de usar indevidamente o mote da segurança nacional como uma desculpa para prejudicar os concorrentes comerciais depois que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva proibindo transações com os serviços de pagamento Alipay e WeChat Pay e seis outros aplicativos.

"Este é outro exemplo do comportamento intimidador, arbitrário e hegemônico dos EUA […]. Este é um exemplo dos EUA generalizando excessivamente o conceito de segurança nacional e abusando de seu poder nacional para suprimir injustificadamente as empresas estrangeiras", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, citada pela agência AP.

A ordem de Trump visa impedir que a China obtenha dados sensíveis e confidenciais de usuários norte-americanos. Hua ridicularizou esse argumento, apontando para a coleta de inteligência do governo dos EUA.

© AP Photo / Ng Han GuanPorta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying
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Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying
"Isso é como um gangster que rouba desenfreadamente, mas depois clama para ser protegido contra roubo […]. Como é hipócrita e ridículo", comentou Hua. Pequim tomará "medidas necessárias" não especificadas para proteger as empresas chinesas, garantiu a porta-voz.

Aplicativos chineses na berlinda

Os aplicativos de smartphones chineses enfrentam oposição semelhante na Índia, que bloqueou dezenas de programas por motivos de segurança em meio a um impasse militar na fronteira entre os dois países.

A nova ordem executiva de Trump permite que o Departamento de Comércio dos EUA tome uma ação sobre a medida em até 45 dias, mas funcionários da Casa Branca disseram que o departamento planeja agir antes de 20 de janeiro, data em que Trump deixa a presidência do país.

Esta nova medida escala o conflito entre Washington e Pequim sobre tecnologia, segurança e acusações de espionagem que mergulharam as relações EUA-China ao nível mais baixo em décadas.

Analistas políticos ouvidos pela agência AP esperam que Biden tente retomar a cooperação com Pequim em questões como mudança climática e o combate ao novo coronavírus. Mas poucos esperam grandes mudanças devido à frustração generalizada com temas como comércio e direitos humanos em Pequim e as acusações de espionagem e roubo de tecnologia.

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