'Irã não fez nada que aponte que criou arma nuclear', diz ex-secretário de Energia dos EUA

© AFP 2022 / ATTA KENARECentral nuclear em Busher, Irã
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Em entrevista à Sputnik, o ex-secretário de Energia americano, Ernest Moniz, declarou que mecanismo de solução de disputas entre a UE e o Irã poderia afetar visitas às instalações nucleares do Irã.

Desde 2018, quando os EUA abandonaram o acordo nuclear com o Irã, o programa nuclear iraniano tem sido matéria para aumento de tensões a nível internacional.

Se por um lado os EUA alegam que o país persa pretende desenvolver armas nucleares, a União Europeia adotou uma política mais branda, temendo o fim do Plano de Ação Conjunto Global (JPCOA, na sigla inglês), firmado ainda em 2015.

Contudo, a medida americana levou o Irã a reduzir seus compromissos no acordo de maneira gradativa.

Comentando tal assunto à Sputnik, o ex-secretário de Energia dos EUA, Ernest Moniz, explicou o motivo de a decisão da UE em aplicar um mecanismo de resolução de disputas poder ter resultado negativo.

"O Irã não fez nada que aponte que criou arma nuclear. Agora, a UE lançou oficialmente um mecanismo para a solução de disputas e cremos que é uma proposta arriscada. Pode recuperar a vigência do acordo, mas também pode piorar a situação obrigando o Irã a abandonar [o acordo] por completo, incluindo as medidas de verificação [do programa nuclear]", afirmou.

Tal mecanismo, estipulado pelo acordo, poderia ser acionado caso alguma parte não acredite que o Irã esteja cumprindo com suas obrigações. No fim das contas, isso poderia levar à retomada de sanções contra o país.

É válido ressaltar que o Irã anunciou o aumento do uso de centrífugas em suas instalações nucleares, assim como também estar enriquecendo urânio a níveis mais elevados.

Tais medidas se deram contrárias ao acordo, contudo, Teerã tem afirmado que poderia voltar a respeitar os compromissos se os EUA voltassem ao acordo, assim como anulassem as sanções contra o país.

Fim das verificações e criação de armas nucleares

Com a derrubada das restrições do acordo, o Irã estaria mais livre, podendo inclusive desenvolver armas nucleares, se quisesse, segundo o ex-secretário.

Com vias de se evitar tal cenário, Moniz acentuou a importância das visitas às instalações do país.

"É muito importante que o Irã não tenha se desviado das medidas de verificação", afirmou.

Acordo nuclear

Em julho de 2015, Teerã e o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha) selaram um acordo nuclear que impôs uma série de limitações ao programa nuclear iraniano para excluir sua possível dimensão nuclear, em troca da derrubada de sanções internacionais.

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