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28 Maio 2013, 17:07

Meia-noite síria em Paris

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Moscou acha necessário alargar a lista de participantes da futura conferência internacional dedicada à situação na Síria. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, fez esta declaração depois do encontro com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Paris.

A conferência deverá ser realizada em junho deste ano, em Genebra. Importa chegar a entendimento sobre quem irá representar as partes sírias nas conversações, afirma Serguei Lavrov.

O chefe do serviço diplomático russo está neste momento efetuando conversações em Paris, após uma visita ao Quirguistão. John Kerry chegou procedente da Jordânia. O encontro foi marcado para as sete horas, dia 27 de maio. Mas, às sete e pouco, a comitiva do ministro russo ainda estava num engarrafamento de trânsito. O secretário de Estado norte-americano não teve outra saída senão dar um passeio junto da Ópera de Paris.

O sexto encontro dos últimos três meses entre Lavrov e Kerry foi espontâneo. Curioso o fato de, desta vez John Kerry ter alterado as regras do jogo: insistiu em que a discussão fosse feita às portas fechadas. Mas, concluídas as conversações, os representantes dos dois países apresentaram-se em conjunto perante os jornalistas e desvendaram o mistério. Serguei Lavrov declarou que a Rússia e os EUA esperam que a conferência internacional sobre a Síria seja realizada proximamente:

"A tarefa número um é esclarecer quem é que vai representar as partes sírias. O governo sírio já anunciou a sua intenção de apoiar a conferência de Genebra. Quanto à oposição, o senhor Kerry disse que ela continua a debater o formato da sua delegação. O secretário de Estado dos EUA afirmou que aí será preciso mais algum tempo para compreender a linha e o enfoque da oposição. Espero que este enfoque seja construtivo, pois a nossa opinião comum é que a conferência deve ser convocada sem que sejam impostas quaisquer exigências preliminares".

O encontro inesperado do ministro das Relações Exteriores da Rússia e do secretário de Estado norte-americano parede profético. No dia 7 de maio, durante as conversações em Moscou, eles concordaram em realizar a conferência internacional dedicada à Síria, já apelidada de “Genebra 2”. Nela, os representantes do governo sírio e da oposição devem, afinal, encontrar-se. A partir de agora, as palavras “Síria” e “Genebra” soam permanentemente de ambos os lados do oceano Atlântico e no litoral do golfo Pérsico.

Espera-se que a futura conferência surta resultado e que sejam dados, pelo menos, os primeiros passos rumo à cessação do derramamento de sangue na Síria. Depois do encontro em Paris, o secretário de Estado pronunciou uma frase que repete letra por letra a posição russa:

"A Rússia e os EUA estão profundamente convencidos da necessidade de cumprir os princípios do comunicado de Genebra, ou de “Genebra 2”. Eles exigem que o poder seja entregue a um governo de transição, o que permitirá ao povo da Síria determinar o futuro do seu país. Nós queremos que a conferência seja realizada".

Lavrov e Kerry reconheceram que a realização da conferência não é uma tarefa simples. Mas, se a Rússia e os EUA se encarregam de resolver o problema, as chances de êxito são maiores do que se possa pensar.

Ao mesmo tempo, ambas as partes dispõem de motivos de sobra para não participar da conferência. Já depois da decisão de Lavrov e Kerry sobre a realização do encontro internacional, a Assembleia Geral da ONU aprovou por maioria dos votos uma resolução muito discutível. Este documento responsabiliza o governo sírio por todos os problemas do país. Para além disso, já depois da conclusão do encontro de Paris, se soube que a União Europeia tinha levantado a proibição de fornecimento de armas à oposição síria.

As datas da conferência sobre a Síria não foram concatenados até agora. É possível que Serguei Lavrov e John Kerry consigam encontrar-se mais uma vez antes disso.

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