05:41 30 Outubro 2020
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    O presidente norte-americano declarou pretender restaurar todas as sanções econômicas contra o Irã depois que o Conselho de Segurança da ONU rejeitou a prorrogação do embargo de armas ao país.

    Trump afirmou a repórteres da Casa Branca na quarta-feira (19) que estava enviando o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, para notificar o Conselho de Segurança da ONU que os EUA pretendem restaurar praticamente todas as sanções suspensas contra o Irã, relatou o jornal The New York Times.

    Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU não aprovou um projeto de resolução para estender as restrições relacionadas a armas impostas ao Irã sob a Resolução 2231 da organização, que endossou o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) de 2015, que, por sua vez, reduziu as sanções ao Irã em troca da aceitação de limites rigorosos em seu programa de energia nuclear que o impediriam de desenvolver uma arma ofensiva.

    "É uma restauração imediata", referiu Trump. "Não é [algo] incomum."

    O Departamento de Estado dos EUA detalhou que o alto responsável informará a ONU da ação na quinta-feira (20) e sexta-feira (21).

    "Trinta dias após a notificação do secretário Pompeo, será restaurada uma série de sanções da ONU, incluindo a exigência de que o Irã suspenda todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio", anunciou o porta-voz Morgan Orgagus no comunicado.

    "Isto também estenderá o embargo de armas ao Irã de 13 anos".

    'Fracasso' de Obama-Biden

    O presidente dos EUA chamou o JCPOA de produto do "fracasso da política externa Obama-Biden".

    Trump alegou que o dinheiro que o Irã recebeu durante o período de implementação ajudou os iranianos a financiarem grupos terroristas em todo o Oriente Médio, incluindo o Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

    O presidente dos EUA afirmou que se for reeleito em novembro, o Irã se apressará a fazer um novo acordo.

    "Se e quando eu ganhar a eleição, durante o primeiro mês o Irã virá até nós, e eles estarão pedindo um acordo tão rapidamente porque estão se dando muito mal", previu Donald Trump.

    "Apontem isso. O Irã nunca terá uma arma nuclear", declarou.

    O presidente norte-americano também afirmou que "um bom negócio foi o acordo que fizemos com os Emirados Árabes Unidos e Israel", e que outros países "querem entrar nesse acordo". Mais tarde, Trump respondeu a um repórter que pediu esclarecimento que os Emirados Árabes Unidos eram aliados da Arábia Saudita, um dos países que ele imaginava que fosse aderir ao acordo de paz.

    Palestino protesta contra a assinatura de acordo entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na Cidade de Gaza, 19 de agosto de 2020
    MOHAMMED SALEM
    Palestino protesta contra a assinatura de acordo entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na Cidade de Gaza, 19 de agosto de 2020

    "Eu vejo muitos países entrando rapidamente e, quando estiverem todos dentro [do acordo], no final, o Irã também entrará", previu Trump. "Haverá paz no Oriente Médio", apontou, acrescentando que isso não teria acontecido sob o JCPOA.

    China e Rússia reagem

    O Ministério das Relações Exteriores da China criticou os Estados Unidos por requisitar sanções contra Teerã, ressaltando que foi o presidente Donald Trump quem se retirou do JCPOA.

    "Temos repetidamente dito que os EUA já se retiraram do JCPOA e, portanto, não tem o direito de solicitar a restauração do regime de sanções da ONU contra o Irã", declarou Zhao Lijian, o porta-voz da chancelaria chinesa em um briefing.

    O diplomata chinês enfatizou que esta é a posição da maioria absoluta dos membros do Conselho de Segurança da ONU, e tem consenso internacional.

    "O lado chinês se opõe fortemente às sanções unilaterais dos EUA contra outros países. O lado chinês exorta os EUA a cumprir as decisões do Conselho de Segurança da ONU, cumprir suas obrigações internacionais e respeitar os direitos e interesses legítimos de outros países", acrescentou Zhao Lijian.

    A Rússia também condenou as intenções dos EUA de "restaurar" as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã.

    "Depois que os Estados Unidos se retiraram do JCPOA, eles perderam completamente quaisquer direitos sob este documento. Eles não têm nenhum fundamento legal ou político, como acreditamos, para usar as disposições [resoluções do Conselho de Segurança da ONU] 2231 contra o Irã. Isto é um absurdo", ponderou Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores russo à Sputnik.

    "Condenamos estas ações dos EUA", apontou.

    Anteriormente, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, avisou que se a Rússia e a China se recusarem a apoiar as sanções da ONU contra o Irã, Moscou e Pequim também serão sancionadas.

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    Sputnik, Sergei Ryabkov, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Ministério das Relações Exteriores da China, Ministério das Relações Exteriores, Al-Qaeda, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, The New York Times, Conselho de Segurança da ONU, Mike Pompeo, Donald Trump, JCPOA, ONU, Irã, EUA, China, Rússia
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