20:52 06 Julho 2020
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    Destaques do ano 2016 e previsão para 2017 (16)
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    O que certamente se pode dizer sobre o ano de 2016 é que pegou todo o mundo de surpresa. A tal ponto que até virou meme, levando muitos a postarem apelos como “2016, pare, não aguento mais”. A Sputnik lhes propõe uma breve retrospectiva dos eventos políticos mais marcantes no palco internacional que ninguém podia esperar.

    Somando todo o registro dos acontecimentos políticos neste ano, dá uma impressão que o mundo se cansou e decidiu agir que nem um adolescente não conformista — quebrando todos os padrões. Houve muitas coisas que nos pasmaram, mas a Sputnik Brasil decidiu ressaltar vários que, em nossa opinião, conseguiram baralhar a ordem regional ou mundial de modo mais brusco.

    Donald Trump — o homem que fez história

    "Um contra cem" — parece ser o ‘jogo' do qual participou o magnata republicano ao longo da corrida presidencial. O fato de toda a grande mídia norte-americana ter apoiado a candidata democrata e desejada sucessora de Obama, Hillary Clinton, não impediu que o empresário, que nunca fez política em toda a sua vida, triunfasse nas eleições.

    Falando verdade, poucos tinham levado Trump a sério antes dele virar o presidente eleito dos EUA. Pelo menos, esta foi a impressão geral. O republicano foi sujeito a inúmeras troças, suas declarações resultaram em dezenas de vídeos virais, mas ninguém na verdade pensava no futuro que o país teria com este candidato.

    Por que, então, a América escolheu este homem, tão polêmico e ambíguo, ao invés de Hillary, bem previsível e menos ousada? Há varias razões. Primeiro, muitos norte-americanos dizem estar fartos da noção do "politicamente correto" que parece estar encarnada na política democrata. Trump, por sua vez, demonstrou que sabe e gosta de falar a verdade, qualquer que ela seja. O magnata prometeu "fazer América grande de novo" e milhões de eleitores viram nisso um novo fôlego para a política, tanto interna como internacional.

    Já faz muito que as declarações dos políticos de carreira deixaram de nos surpreender — são bem parecidas uma à outra, enquanto as de Trump provocam cada vez mais pasmo. Ele fez sensação ao falar que a China está "estuprando os EUA", que Clinton "deveria estar na prisão" e que "Putin é um político forte" e, apesar de gerar grande repercussão e ferozes críticas, fez com que as pessoas vissem nele uma pessoa honesta, direta e pragmática, ao contrário de Clinton que se atolou em uma onda incessante de escândalos.

    Podem existir muitas teorias de conspiração que expliquem a derrota de Clinton, mas na prática todas elas acabam sendo mitos. De fato, segundo dizem muitos analistas de todo o mundo, não foram as investigações do FBI ou alegados ataques de hackers russos que resultaram em um knock-down para a candidata democrata — foi ela própria.

    Claro que por enquanto ninguém pode dizer como será a presidência de Trump, já que a retórica pré-eleitoral sempre difere da política real por colidir com vários fatores, isto é, o Senado, o Supremo Tribunal, forças políticas de oposição e simples motivos pragmáticos. Mas uma coisa é certa — haverá mudanças, e isto e algo por que todo o mundo está almejando.

    Português ao leme da ONU

    O ex-primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, também virou uma figura marcante de 2016, sendo o primeiro grande 'desbravador' lusitano das estruturas da ONU. Para um país como Portugal, que não costuma desempenhar um papel muito ativo nas relações internacionais, isto é um evento sem precedentes — que também cria novas esperanças para os brasileiros.

    Guterres tem muitas vezes reiterado seu grande respeito em relação ao Brasil e até falou que, quando ocupasse o cargo de secretário-geral da ONU, faria todo o possível para promover o país para membro permanente do Conselho de Segurança. Esta é uma iniciativa de longa data que tem sido obstaculizada por vários fatores — falta da vontade política das próprias autoridades brasileiras, resistência por parte da própria organização e concorrência dos outros países em desenvolvimento. Mas a partir de agora, levado em conta o apoio do primeiro homem da ONU, tal objetivo parece muito mais perto da realidade.

    Quanto ao resto do mundo, ele também espera mudanças com a chegada de Guterres. Não é de desprezar que ao longo das últimas décadas cada vez mais países e políticos têm expressado seu descontentamento com o funcionamento ineficaz das Nações Unidas. Muitos até dizem que a ONU esgotou seu potencial e já não vale nada.

    Porém, seria mais razoável dizer que a ONU está apenas passando por uma crise, inclusive a de gestão, e muitas pessoas depositam grandes esperanças no político português que pode revitalizar esta estrutura enorme.

    Para concluir, vale ressaltar que António Guterres, tendo ocupado o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), presta bastante atenção à crise migratória, que é um dos pontos sensíveis hoje em dia. Espera-se que sua experiência professional e renome ajudem a sair do perigoso impasse migratório que toda a civilização europeia está enfrentando.

    Brexit — uma escolha que nem os britânicos esperavam

    Sabe-se que o Reino Unido sempre foi um país que não gosta de aderir a blocos. É lá que o número de eurocéticos sempre foi maior do que nos outros Estados europeus. Mais que isso, a pertença britânica à União Europeia sempre foi baseada em condições especiais — várias indulgências na área de contribuições e número reduzido dos compromissos.

    O Reino Unido nunca fez parte nem da zona Schengen, nem teve o euro como moeda nacional, ou seja, sempre esteve distanciado da União. Mesmo levando todos estes fatores em conta, a decisão do país de sair da UE pareceu um raio em céu azul até para os próprios cidadãos britânicos.

    Para muitos, esta decisão, tomada na sequência de um referendo nacional em 23 de junho de 2016, lançou os alicerces para uma potencial desintegração da União Europeia. Muitos analistas afirmam que as organizações com nível tão alto de integração econômica e política correm o risco de serem sujeitas ao efeito de dominó — ou seja, uma vez que alguma peça caia, toda a construção se desmorona.

    Isto já pode ser visível no fato de muitos políticos mais radicais começarem a usar o exemplo do Brexit como um padrão de desenvolvimento — Marine Le Pen em França, Bloco de Esquerda em Portugal, partido Podemos em Espanha e a Syriza na Grécia.

    Ideias socialistas que venceram na Moldávia e Bulgária

    Após o colapso da União Soviética em 1991, o país começou perdendo rapidamente posições na Europa do Leste, que ao longo de muitas décadas foi considerada como uma região de influência russa. A Moldávia, que já faz muito que planeja aderir à UE, e a Bulgária, que em 2007 já o fez, não ficaram fora desta tendência.

    Para a Rússia, tal redução brusca de influência foi vista como uma espécie de derrota com o potencial perigo de as forças da OTAN se aproximarem das fronteiras russas. Foi por isso que as eleições de 2016, onde em ambos os países venceram os candidatos pró-russos, representam uma guinada crucial nas relações bilaterais entre os respectivos Estados.

    Vale ressaltar que o recém-eleito presidente socialista moldavo, Igor Dodon, logo manifestou que irá ponderar a questão do reconhecimento da Crimeia, o que suscitou descontentamento entre os países ocidentais. Já o novo presidente búlgaro, Rumen Radev (também socialista) afirmou estar disposto a levantar as sanções antirrussas impostas contra o país pela União Europeia em 2014.

    Muitos avaliaram estes acontecimentos como mais alguns "pontos" a favor da Rússia no grande "jogo" político internacional. Por enquanto, preferimos não tirar conclusões precipitadas. Mas há uma grande hipótese de, somando todas estas ponderações, o Ano de Grandes Surpresas 2016 seja sucedido pelo Ano de Grandes Mudanças 2017.

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    Destaques do ano 2016 e previsão para 2017 (16)

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    Tags:
    Brexit, retrospectiva, política externa, relações internacionais, eleições 2016, Casa Branca, União Europeia, ONU, Rumen Radev, Igor Dodon, António Guterres, Donald Trump, Hillary Clinton, Moldávia, Bulgária, Portugal, Reino Unido, EUA, Rússia, Brasil
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