07:27 14 Outubro 2019
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    António Guterres falando sobre a eleição de novo secretário-geral da ONU

    Mundo unipolar está acabando: todos esperam ações de António Guterres

    © AFP 2019 / KENA BETANCUR / AFP
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    António Guterres, ex-premiê de Portugal, foi eleito novo Secretário-Geral da ONU na quinta-feira passada. Ele vai ocupar o cargo durante 5 anos, de 1 de janeiro de 2017 até 31 de dezembro de 2021.

    Ele indicou como sua prioridade principal as iniciativas para regular os conflitos no mundo. Mas anteriormente todas as tentativas da ONU de fazer regressar a paz ao Oriente Médio não deram certo. Hoje em dia ninguém duvida que a Organização das Nações Unidas precisa de reformas.

    A Sputnik Japão falou com Gevorg Mirzoyan, cientista político e observador do jornal russo Ekspert e docente do departamento de Ciências Políticas da Universidade de Finanças do Governo da Federação da Rússia.

    "Esta candidatura [de Guterres] convém à Rússia, pois há esperança de que ele vai realmente dirigir esta organização", diz o especialista.

    Segundo Gevorg Mirzoyan, com Guterres a ONU receberá uma oportunidade única de fazer parte integrante do mecanismo de governo global. A Organização precisa de uma pessoa que possa reformar e alcançar seus objetivos. Deste ponto de vista, o representante da Europa Ocidental com experiência do cargo de premiê é preferível.

    "No seu estado atual a ONU não satisfaz ninguém, ainda que estejam prontos a conviver com ela. Mas para resolver as tarefas da geopolítica, a ONU deverá finalmente adquirir vontade política para se ocupar realmente da resolução de crises", assinala o cientista político.

    No momento da criação da ONU se pressupunha que seriam criado um estado-maior para operações de paz e tropas da ONU para realiza-las. Mais depois da Segunda Guerra Mundial surgiu o confronto bipolar e esta ideia já não era atual. Neste momento seria a solução ideal, mas há muitas dificuldades ligadas a isso.

    Ao longo dos anos, a ONU foi apreciada apenas pela possibilidade de se apresentar da tribuna da Assembleia Geral perante todos os Estados no papel de pacificador, mas quando os EUA ignoraram a posição do Conselho da Segurança relativamente ao Iraque essa imagem pública foi abalada.

    Hoje em dia os EUA já entendem que eles não podem governar o mundo de modo unipolar, destaca Gevorg Mirzoyan:

    "Eles já entendem este fato, mas ainda não estão prontos a reconhecê-lo. <…> Eles não conseguem vencer nenhuma guerra, e não é por causa de falta de instrumentos, mas porque eles não têm firmeza política e capacidade para vencer nos conflitos políticos mais complicados, por isso o mundo unipolar está acabando."

    Barack Obama telefonou a António Guterres para parabeniza-lo pela vitória, sublinhando que os EUA continuam apoiando todos os esforços destinados à resolução dos problemas globais. Ao especialista foi perguntado se existe a esperança de que o novo Secretário-Geral não transmita no palco internacional apenas a voz dos EUA.

    "Não excluo que o novo líder da ONU se apresente com algumas declarações pró-americanas. Isso é normal, porque os EUA hoje em dia são a potência mais forte do mundo. Em todo o caso, do novo secretário-geral a Rússia precisa não de palavras, mas sim de ações, se aparecer a possibilidade de realizar quaisquer reformas. O novo secretário-geral é capaz fazer isso. A Rússia espera isso", respondeu Gevorg Mirzoyan.

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    Tags:
    política internacional, ONU, António Guterres, Rússia, EUA
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