21:39 22 Abril 2021
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, Juliana Inhasz, professora e coordenadora do curso de graduação em economia do Insper, afirma que a principal razão para a subida da taxa de juros de 2% para 2,75% ao ano é "tentar controlar a inflação".

    A especialista avalia que a medida é necessária para que, em um cenário de pandemia, os brasileiros consigam manter pelo menos um padrão razoável de consumo. Com os preços em disparada no supermercado, o alto desemprego e o receio provocado pela recessão econômica, o consumo do país está em baixa. Como consequência, a economia brasileira está em declínio.

    "A população precisa garantir o mínimo de poder de compra, e ter segurança em seu dinheiro, para ter uma vida não igual à que a gente tinha antes, mas um pouco mais próxima. Essa é a maior pressão, hoje, da sociedade", disse Inhasz, em entrevista à Sputnik Brasil nesta quarta-feira (17).

    Inhasz destaca também que houve uma grande pressão do mercado financeiro para que a taxa de juros fosse elevada. Em comparação com momentos recentes da economia brasileira, a taxa atual é ainda "muito baixa" – em 2015, por exemplo, a taxa Selic chegou a 14,25%. Por conta disso, o investimento financeiro, especialmente em renda fixa, vinha sendo pouco rentável.

    Apesar da pressão do mercado, no entanto, a economista acredita que esta não foi a principal motivação para a elevação da taxa.

    "Este ajuste vai além da vontade do mercado. Vai de encontro à necessidade da população", avalia Inhasz.

    A especialista destaca, no entanto, que o efeito da taxa Selic sobre a taxa de inflação é demorado: ou seja, o brasileiro deve demorar a ver os preços no mercado mais baixos novamente. Junto com a taxa de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta quarta-feira (17) as estimativas sobre a inflação brasileira: 5% para 2021 e 3,5% para 2022.

    Sede do Banco Central do Brasil em Brasília.
    © Foto / Marcello Casal Jr/Agência Brasil
    Sede do Banco Central do Brasil em Brasília.

    Investimentos devem cair junto com a inflação

    Por outro lado, uma taxa de juros mais elevada significa que o Brasil deve ter um investimento menor no lado produtivo da economia, uma vez que o custo do crédito fica mais alto. Como consequência, investir em máquinas, equipamentos e fábricas se torna mais arriscado.

    Para a economista, este é um sinal de preocupação, já que o investimento no Brasil já era "muito baixo". Se a pandemia já era um obstáculo para investir, os juros mais altos são mais um entrave. Apesar da preocupação, Inhasz avalia que este é um risco "contornável".

    "Hoje, de fato, a taxa de inflação alta é um problema maior para sociedade. Esta redução eventual do investimento pode ser contornada à medida que o governo consiga evoluir em reformas e ajustar a economia no lado fiscal", avalia Inhasz.

    Além de uma eventual queda na inflação, boa parte dos brasileiros terá na prorrogação do auxílio emergencial um alento em meio à recessão econômica causada pela pandemia. De acordo com o ministro da Economia Paulo Guedes, o valor médio do benefício será de R$ 250.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    inflação, entrevista, Banco Central, juros, taxa básica de juros, taxa de juros, Brasil, economia
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