01:49 26 Novembro 2020
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    Mundo enfrenta COVID-19 em meados de outubro (78)
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    Pesquisadores britânicos vão infectar 90 jovens voluntários com COVID-19 para acelerar a produção da vacina. Estudo é visto como polêmico, pois ainda não se sabe os efeitos da doença a longo prazo.

    Uma equipe de pesquisadores britânicos associados ao Colégio Imperial de Londres será a primeira a usar essa técnica para estudar a doença. A pesquisa, conhecida como teste de desafio, raramente é conduzida por razões éticas, pois envolve infecção de indivíduos saudáveis. Apesar de todas as preocupações com a segurança, cientistas britânicos afirmam que o risco se justifica, porque esses estudos têm o potencial de identificar rapidamente as vacinas mais eficazes. A confiança no projeto é grande, e o governo britânico planeja gastar cerca de US$ 43,4 milhões (R$ 243,266) nesta experiência.

    "Infectar intencionalmente voluntários com um patógeno humano conhecido nunca é feito de forma leviana. No entanto, esses testes são extremamente informativos sobre uma doença, mesmo uma tão bem estudada como COVID-19", observou o professor e coautor do estudo, Peter Openshaw.

    Na primeira fase da pesquisa, cientistas britânicos planejam infectar voluntários pela via nasal para determinar o menor nível de exposição necessário para causar COVID-19. Em última análise, a eficácia das vacinas candidatas em potencial será testada. Os pesquisadores vão monitorar o estado de saúde de todos os voluntários por pelo menos um ano para garantir que eles não sofram efeitos duradouros.

    Alastair Fraser-Urquhart é um voluntário de 18 anos que deseja participar do estudo. Ele afirma que é jovem e forte, e que pode ajudar a avançar na pesquisa de uma vacina eficaz rapidamente.

    "Não posso deixar passar esta oportunidade de [...] realmente fazer algo, ignorar essa chance quando não corro muito risco. A ideia de que eu poderia desempenhar um papel em algo que acaba com a miséria e a dor de milhares de pessoas e não o fazer [...] simplesmente não parece certo para mim", afirmou o voluntário em uma conversa com a agência AP.
    Um modelo de átomo por átomo do coronavírus
    Um modelo de átomo por átomo do coronavírus

    Não é a primeira vez que pesquisas semelhantes são conduzidas para encontrar soluções a doenças que afligem a humanidade. A polêmica técnica já foi usada para desenvolver vacinas contra doenças como febre tifoide, cólera e malária. No entanto, a questão ética dessa técnica para estudar COVID-19 é que os efeitos a longo prazo dessa doença ainda não são bem conhecidos. Houve relatos de problemas persistentes com o coração e outros órgãos, mesmo em pessoas que não se sentiam tão mal.

    A equipe associada a cientistas do Colégio Imperial de Londres planeja lançar seu experimento em janeiro de 2021 e espera receber os primeiros resultados em maio. Embora uma ou mais vacinas possam ser aprovadas antes do início desta pesquisa, o estudo ainda será necessário, porque o mundo teria que ter várias vacinas para proteger diferentes grupos populacionais ou aqueles que não são curados com as existentes, explicou Michael Jacobs, consultor da Royal Free London NHS, fundação que participará da pesquisa.

    "Vamos precisar de toda uma série de intervenções para controlar esta pandemia", declarou.

    Atualmente, espera-se que vários resultados sejam apresentados no final de 2020 ou no início de 2021. Governos do mundo todo estão financiando pesquisas médicas para desenvolver uma vacina na esperança de acabar com a pandemia que atingiu duramente a economia global e deixou milhões de pessoas sem trabalho. Ao todo, 46 vacinas potenciais já estão sendo testadas em humanos, com 11 delas passando pela fase final de testes clínicos.

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    novo coronavírus, pandemia, vacina, COVID-19, Reino Unido
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