14:32 31 Março 2020
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    Duas cientistas norte-americanas submeteram fóssil de dinossauro a testes que permitiram determinar que é possível o DNA ser preservado durante milhões de anos.

    Cientistas conseguiram detectar proteínas, cromossomos e sinais de DNA nas células cartilaginosas de um dinossauro bico-de-pato que viveu no norte dos Estados Unidos há 75 milhões de anos, relata a revista National Science Review.

    No início dos anos 80, no norte do estado de Montana, foi encontrado um "ninho" e um fóssil inteiro do dinossauro herbívoro hipacrossauro (Hypacrosaurus stebingeri) em depósitos do Cretáceo Inferior, junto com os restos de dezenas de filhotes mortos, que na época da morte eram muito pequenos e não podiam deixar o ninho por conta própria.

    As paleontólogas Alida Bailleul, do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia da Academia de Ciências Vertebradas da China, e Mary Schweitzer, da Universidade da Carolina do Norte, estavam realizando estudos microscópicos de fragmentos de osso de um jovem hipacrossauro no Museu das Montanhas Rochosas em Bozeman, Montana, onde são armazenados, quando Bailleul notou em um dos fragmentos algumas células perfeitamente preservadas em tecido de cartilagem calcinada ao longo das margens do osso.

    Equipe de campo durante escavações contendo o dinossauro Wendiceratops pinhornenis em Manyberries, Alberta, Canadá (imagem referencial)
    © REUTERS / Museu de História Natural de Cleveland
    Equipe de campo durante escavações contendo o dinossauro Wendiceratops pinhornenis em Manyberries, Alberta, Canadá (imagem referencial)

    As duas células da cartilagem ainda estavam ligadas por uma ponte intercelular, morfologicamente identificada com o fim da divisão celular, que lembrava a fase final da divisão celular. Dentro havia também um material escuro que se assemelhava a um núcleo celular. Uma célula de cartilagem preservou estruturas alongadas escuras que se assemelhavam a cromossomos em forma.

    "Eu não pude acreditar, meu coração quase parou de bater", disse Bailleul, citada pela Xinhua.

    Teste de presença de proteínas

    Esta é a primeira descoberta deste tipo, até agora não houve células inteiras preservadas desta época. Além disso, hoje há uma opinião, baseada nos resultados de experimentos cinéticos e de simulação, de que o DNA não se preserva por mais de um milhão de anos.

    Para determinar se qualquer molécula ou proteína original desses ossos poderia ser teoricamente preservada, as cientistas realizaram testes imunológicos e histoquímicos em outros filhotes do mesmo "ninho", usando marcadores moleculares e químicos. Os crânios jovens das crias foram escolhidos como amostras de controle.

    A essência do teste imunológico é que a substância marcadora começa a reagir se detectar anticorpos de um determinado tipo de célula. Neste caso, o marcador reagiu aos anticorpos colágeno II, uma proteína normalmente encontrada no tecido da cartilagem animal. Isto, de acordo com as cientistas, sugere que os restos das proteínas originais ainda estão presentes.

    Titanossauro, maior dinossauro exibido no Museu Histórico Nacional em Nova York, 2016
    © AFP 2020 / DON EMMERT / AFP
    Titanossauro, maior dinossauro exibido no Museu Histórico Nacional em Nova York, 2016

    "Este teste imunológico confirma que o dinossauro tem os restos das proteínas da cartilagem original", afirmou Schweitzer.

    Segundo teste

    No teste seguinte, as pesquisadoras usaram dois corantes de DNA, um DAPI (4' 6-diamidino-2-fenilindol) e PI (propiidium iodide), que coram os fragmentos de DNA a que são ligados. Os resultados mostraram uma ligação positiva interna, o que sugere que foi preservado algum DNA original de dinossauro.

    "Estes novos dados impressionantes confirmam cada vez mais que as células e algumas de suas biomoléculas podem persistir durante muito tem, durante dezenas de milhões de anos. Esperamos que este estudo incentive os cientistas que trabalham com o DNA antigo e os faça puxar por novos limites usando nova metodologia para descobrir todos os segredos moleculares desconhecidos dos tecidos antigos", disse Bailleul.

    Para eliminar o erro ou efeito da contaminação de amostras modernas de DNA, as autoras realizaram estudos de controle em outros laboratórios, e os resultados foram confirmados em todos os lugares.

    De acordo com as cientistas, suas pesquisas estabelecem as bases para futuros esforços para extrair e sequenciar o DNA de outros fósseis mesozoicos mundo afora.

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    Tags:
    China, Montana, EUA
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