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    O líder chinês deixou um aviso para o presidente norte-americano, Joe Biden: os EUA arriscam entrar em uma nova Guerra Fria se continuarem com as políticas protecionistas do ex-presidente Donald Trump.

    Em um discurso virtual na segunda-feira (25) durante o primeiro dia do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), o presidente chinês, Xi Jinping, pediu uma abordagem multilateral para resolver a crise econômica causada pelo novo coronavírus e que a pandemia não deve ser usada como uma desculpa para reverter a globalização em favor da "dissociação e isolamento".

    "Construir pequenos círculos ou iniciar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar os outros, impor deliberadamente dissociação, interrupção do fornecimento ou sanções e criar isolamento ou alienação só vai empurrar o mundo para a divisão e até mesmo para o confronto", afirmou Xi, citado pelo jornal The Guardian.

    O líder chinês evitou mencionar o presidente norte-americano, Joe Biden, ou os EUA, mas deixou claro que a China não seria ditada por Washington, aponta a mídia. Repetindo a defesa do multilateralismo feita no mesmo WEF há quatro anos, Xi disse que a alternativa era a lei da selva.

    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim
    © AP Photo / Lintao Zhang
    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim
    "Nenhum problema global pode ser resolvido por qualquer país sozinho. Deve haver ação global, resposta global e cooperação global […]. Devemos construir uma economia mundial aberta, apoiar o regime de comércio multilateral, descartar padrões, regras e sistemas discriminatórios e excludentes e derrubar barreiras ao comércio, investimento e intercâmbio tecnológico."

    Xi disse ainda que as relações entre os países devem ser coordenadas e reguladas por meio de instituições e regras adequadas. "O forte não deve intimidar o fraco. As decisões não devem ser tomadas simplesmente exibindo músculos fortes ou acenando com um punho grande", ressaltou.

    Até o momento, Biden não deu nenhuma indicação de que pretende suavizar a atitude linha dura do ex-presidente Donald de Trump em relação a Pequim.

    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China
    © AP Photo / Andrew Harnik
    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China

    Direitos humanos

    Xi também deixou claro que a China não será influenciada por críticas aos direitos humanos, que recentemente se concentrou na repressão à dissidência em Hong Kong e no tratamento dos muçulmanos uigures, descrito como "genocídio" pelo secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo.

    "Não existem duas folhas no mundo idênticas, e nenhuma história, cultura ou sistema social é igual. Cada país é único com sua história, cultura e sistema social, e nenhum é superior ao outro […]. A diferença em si não é motivo para alarme. O que soa o alarme é arrogância, preconceito e ódio; é a tentativa de impor hierarquia à civilização humana ou de forçar sua própria história, cultura e sistema social sobre os outros", comentou o líder chinês.

    O 51º Fórum Econômico Mundial teve início nesta segunda-feira (25) com a intervenção do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, e continua até a sexta-feira (29).

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    Tags:
    Fórum Econômico Mundial, Fórum Davos, protecionismo, Joe Biden, China, EUA, Donald Trump, Xi Jinping
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