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    Com o dia 20 de janeiro se aproximando, vários especialistas, incluindo dentro da própria equipe de Biden, avaliam como o presidente eleito dos EUA poderá lidar com seus prováveis adversários.

    Haverá entendimento com China?

    Os Estados Unidos planejam encerrar sua guerra comercial com aliados europeus, trabalhando com os mesmos para lidar com as práticas comerciais da China, disse uma autoridade-chave do governo de Biden, depois que Pequim e Bruxelas assinaram um acordo de investimento importante.

    Jake Sullivan, assessor de Segurança Nacional do presidente eleito Joe Biden, contou que o novo governo em Washington reconheceria a China como uma séria competidora estratégica para os EUA, segundo o South China Morning Post.

    Também acrescentou que Biden resolverá as diferenças econômicas entre os EUA e seus aliados europeus, de modo a melhorar suas relações e combater conjuntamente a China em várias frentes, desde comércio e tecnologia a campo militar e assuntos de direitos humanos.

    Bandeira da China exibida ao lado da bandeira dos Estados Unidos no complexo da Casa Branca, em Washington (arquivo)
    © AP Photo / Andrew Harnik
    Bandeira da China exibida ao lado da bandeira dos Estados Unidos no complexo da Casa Branca, em Washington (arquivo)

    Observadores disseram que, ao nomear Pequim como uma competidora estratégica, o governo Biden não só colocaria mais pressão econômica e comercial na China, como também avançaria em outras áreas importantes a longo prazo, incluindo o controle sobre o Indo-Pacífico.

    "[Biden] acredita que a competição com a China é abrangente e de longo prazo, que não é apenas na economia, mas também na [...] influência global [...]. Portanto, Biden não levará avante políticas de curto prazo para a China como Trump fez", afirmou Tang Xiaoyang, professor de Relações Internacionais da Universidade Tsinghua.

    O professor acredita que Biden poderá ver a China com outros olhos, podendo encontrar um jeito dos dois países cooperarem.

    Em janeiro de 2018, a administração Trump impôs tarifas de 30% a 50% sobre as importações de painéis solares e máquinas de lavar. Dois meses depois, os EUA impuseram tarifas sobre o aço (25%) e o alumínio (10%) da maioria dos países, cobrindo cerca de 4,1% das importações dos EUA.

    Em 1º de junho de 2018, estas mesmas tarifas foram estendidas para União Europeia (UE), Canadá e México. No mesmo mês, as tarifas retaliatórias da UE entraram em vigor em 22 de junho, com a união dos Estados impondo tarifas sobre 180 tipos de produtos, em um total de mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões, na cotação atual) em produtos americanos.

    UE, um trunfo precioso

    As declarações de Sullivan surgem após a China e a União Europeia terem concluído as negociações sobre um acordo de investimento abrangente na semana passada.

    A UE disse que o acordo proporcionaria condições equitativas para os investidores europeus, estabelecendo obrigações claras para as empresas estatais chinesas e proibindo transferências forçadas de tecnologia, entre outras práticas. A conclusão das negociações é vista como uma vantagem diplomática para Pequim antes da posse de Biden como presidente dos EUA, prevista para 20 de janeiro.

    Chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, durante a cúpula dos líderes da UE e da China no Palácio do Eliseu, em Paris
    © Sputnik / Irina Kalashnikova
    Chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, durante a cúpula dos líderes da UE e da China no Palácio do Eliseu, em Paris

    Biden sinalizou durante sua campanha presidencial a intenção de conter a ascensão da China e falou da necessidade de coalizões mais fortes contra Pequim na frente comercial.

    Assim, é quase certo que os EUA não reverterão as tarifas contra a China, mas consultarão parceiros na Europa e na Ásia para "exercer influência sobre a China para mudar seus abusos comerciais mais problemáticos".

    Após as eleições presidenciais dos EUA, autoridades europeias pediram mais cooperação com Washington para lidar com a China, que é vista também como uma rival sistêmica pela UE.

    Outras questões a serem trabalhadas

    Sullivan disse que, embora Biden reconheça a China como uma competidora estratégica dos EUA, o democrata também trabalhará com a China em questões como as mudanças climáticas.

    Zhao Minghao, membro sênior do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, disse que o governo de Biden não estaria disposto a iniciar uma "nova Guerra Fria" com a China. Deste modo, Biden poderia aliviar parte da pressão sobre as empresas tecnológicas chinesas, mas também intensificar a pesquisa científica e tecnológica ligada à segurança nacional.

    Por sua vez, Zhang Henglong, vice-diretor do Instituto de Diplomacia Pública da Organização de Cooperação de Xangai da Universidade de Xangai, opina que Biden se concentrará mais em questões internas.

    Sobre a Rússia

    É certo que o futuro presidente não deverá se esquecer de que terá de lidar com outra "grande rival" dos EUA, a Federação da Rússia, sendo uma de suas maiores preocupações a possibilidade de renovar o acordo nuclear START, de acordo com o The New York Times.

    Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, (centro), em sessão plenária sobre ratificação do acordo Novo START, no parlamento russo, Moscou, 24 de dezembro de 2010.
    © Sputnik / Ilya Pitalev
    Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, (centro), em sessão plenária sobre ratificação do acordo Novo START, no parlamento russo, Moscou, 24 de dezembro de 2010

    No entanto, tal renovação do tratado nuclear ficará mais complexa por causa da promessa de Biden: garantir que Moscou seja responsabilizada por seu, suposto, ataque cibernético a mais de 250 empresas americanas e redes privadas.

    Até agora, ainda não houve discussões entre os representantes de Biden e as autoridades russas sobre o tratado em causa, disseram os responsáveis pela transição na Casa Branca, atribuindo o "atraso" ao que Sullivan chama de tradição de "um presidente de cada vez".

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    Tags:
    desafios, Rússia, China, Casa Branca, EUA, Donald Trump, Joe Biden
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