18:45 25 Janeiro 2021
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    Pyongyang vai receber em 2021 o Congresso do Partido dos Trabalhadores, mas analistas afirmam que não há nada o que comemorar: a Coreia do Norte vive uma crise profunda, que pode se agravar ainda mais em breve.

    Analistas acreditam que, se o mundo não conseguir encontrar uma saída rápida para a crise criada pela COVID-19, a crise econômica na Coreia do Norte vai se agravar e é possível que a fome no país chegue ao nível que atingiu a Coreia do Norte na década de 1990, relata a agência AP nesta terça-feira (29).

    Clima sombrio para congresso

    Enquanto o líder norte-coreano Kim Jong-Un luta com os desafios mais difíceis de seu governo de nove anos, a mídia afirma que ele deve abrir o Congresso do Partido dos Trabalhadores em janeiro de 2021 tentando reunir mais lealdade pública à sua figura e definir novas diretrizes para a economia e a política externa.

    Repórteres estrangeiros durante a transmissão do congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
    © REUTERS / Damir Sagolj
    Repórteres estrangeiros durante a transmissão do congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte

    O congresso, o primeiro em cinco anos, é o mecanismo máximo de tomada de decisões do partido no poder. No congresso de 2016, Kim se colocou à frente, reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento de armas nucleares e anunciando um ambicioso plano de desenvolvimento econômico. Cinco anos depois, especialistas dizem que Kim não tem muitas opções além de pedir ainda mais paciência e trabalho para a população.

    "Quando entramos em detalhes, não há realmente nada de novo que o Norte possa apresentar no congresso em termos de desenvolvimento de sua economia […]. O país continuará fechando suas fronteiras enquanto a pandemia de COVID-19 continuar e as sanções internacionais persistirem, então não há espaço visível para um avanço", afirma à mídia Hong Min, analista do Instituto Coreano de Unificação Nacional de Seul, Coreia do Sul.

    Consequências das fronteiras fechadas

    Em janeiro, a Coreia do Norte foi forçada a fechar suas fronteiras internacionais, incluindo uma com a China, seu maior parceiro comercial, depois que o SARS-CoV-2 surgiu no gigante asiático.

    Como resultado, o volume de comércio da Coreia do Norte com a China nos primeiros dez meses deste ano caiu 75%, diz a AP. Isso levou a uma escassez de matérias-primas que levou a produção nas fábricas de Pyongyang ao seu nível mais baixo desde que Kim assumiu o poder, no final de 2011, e a um aumento de quatro vezes no preço de alimentos importados como açúcar e temperos.

    Norte-coreanos usando máscaras no dia a dia em Pyongyang (imagem referencial)
    © AP Photo / Cha Song Ho
    Norte-coreanos usando máscaras no dia a dia em Pyongyang (imagem referencial)

    Lim Soo-ho, analista de um think tank subordinado ao Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, disse à AP que se a pandemia de COVID-19 continuar durante a maior parte de 2021, a economia da Coreia do Norte poderá enfrentar uma crise nunca vista desde a fome devastadora da década de 1990. A Coreia do Norte teve sérios problemas para produção de alimentos para a sua população na década de 1990. Estima-se que três milhões de pessoas morreram na época por conta da crise e mais de 30 mil pessoas fugiram do país para a Coreia do Sul.

    Movimentos 'irracionais e bizarros'

    Pyongyang tem afirmado que está livre do novo coronavírus, sem nenhum caso reportado. Especialistas externos são altamente céticos em relação à alegação, mas concordam que o país não experimentou um surto generalizado.

    "Por que eles aumentaram seus passos antiepidêmicos se eles realmente não tinham nenhum paciente? Não faz sentido […]. Mas eles impuseram um nível mais alto de medidas antivírus do que qualquer outro país, então é provável que não haja muitos pacientes lá", comenta Kim Sin-gon, professora do Colégio de Medicina em Seul da Universidade da Coreia.

    Desde o início da pandemia, Pyongyang isolou pessoas com suspeita de sintomas de COVID-19, mandou embora estrangeiros e supostamente confinou uma região após a outra. Seul afirma que a Coreia do Norte proibiu a pesca no mar, executou um oficial por violar os regulamentos de entrada de mercadorias do exterior e matou a tiros e queimou um oficial sul-coreano encontrado flutuando em águas próximas às disputadas entre os dois países.

    "A Coreia do Norte está muito sensível e nervosa em meio à pandemia e está fazendo movimentos irracionais e bizarros", garante Nam Sung-wook, professor da Universidade da Coreia do Sul.
    Kim torcia por Trump

    Kim Jong-Un apareceu em público 53 vezes este ano para observar testes de armas, visitar áreas atingidas por tufões e presidir reuniões de alto nível, em comparação com uma média de 103 aparições nos últimos quatro anos, afirma o Ministério de Unificação de Seul, citado pela mídia.

    Apesar do impasse nas negociações nucleares, a Coreia do Norte provavelmente esperava a reeleição de Trump, com quem se reuniu três vezes, e ofereceu a Kim uma legitimidade no cenário global. Trump disse uma vez que trocou "cartas de amor" com Kim e que "nós nos apaixonamos".

    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na zona demilitarizada, 30 de junho de 2019
    © AP Photo / Susan Walsh
    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na zona demilitarizada, 30 de junho de 2019

    O presidente eleito Joe Biden provavelmente vai querer que os negociadores trabalhem para resolver os detalhes e os compromissos da desnuclearização de Pyongyang antes de se encontrar com Kim. A Coreia do Norte provavelmente também não é uma prioridade para Biden, que enfrenta várias questões internas urgentes, como a pandemia, uma economia em frangalhos e disparidades raciais.

    Alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte pode optar pela estratégia de conduzir testes de mísseis para chamar a atenção dos EUA, como fez em outros períodos de transição presidencial em Washington. Outros esperam que o país evite grandes provocações que poderiam diminuir a perspectiva de negociações antecipadas com o governo Biden. A agência de espionagem da Coreia do Sul disse anteriormente que Pyongyang realizaria um desfile militar em janeiro de 2021 em uma demonstração de sua força militar visando a administração de Biden.

    O governo de Kim reconheceu que as sanções, a pandemia e os tufões e inundações que destruíram as plantações do país criaram "crises múltiplas". Mas especialistas dizem que a China ajudará a Coreia do Norte porque não deixará seu vizinho sofrer um desastre humanitário que poderia causar um fluxo de refugiados para a sua fronteira.

    "Kim foi golpeado por um golpe duplo, as sanções da ONU e a pandemia de coronavírus […]. Mas a China está ao seu lado e o apoia", conclui Nam.

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    Tags:
    Joe Biden, Donald Trump, Kim Jong-un, Pyongyang, Coreia do Norte, Coreia do Sul
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