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© Foto / Sai Li / Universidade de Tsinghua

Mais realista imagem de parte fundamental do coronavírus é desenvolvida por cientistas (FOTO)

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Mundo enfrenta coronavírus no final de dezembro

Novo estudo abre caminho para que os cientistas consigam ver mais claramente como as proteínas dos coronavírus iniciam infecções e, dessa forma, consigam desenvolver métodos para prevenir e tratar a COVID-19.

Os coronavírus são cravejados com proteínas de pico que se ligam a receptores nas células de seus hospedeiros. Essa é a primeira etapa da infecção e agora os cientistas conseguiram fazer as primeiras imagens detalhadas desses picos em seu estado natural, ainda ligados ao vírus e sem o uso de fixadores químicos que possam distorcer sua forma. A façanha foi detalhada na revista científica Quarterly Reviews Biophysics Discovery.

Cientistas obtêm a visão mais realista até agora da estrutura de proteína de pico do coronavírus​

Os pesquisadores afirmam que o método utilizado, que combina microscopia eletrônica criogênica (crio-EM, na sigla em inglês) e computação, deve produzir imagens mais rapidamente e mais realistas do aparato de infecção em várias cepas de coronavírus, um passo importante no desenvolvimento de medicamentos e vacinas terapêuticas contra a COVID-19.

"A vantagem de fazer dessa maneira é que, quando você purifica uma proteína de pico e a estuda isoladamente, perde um contexto biológico importante: como ela se parece em uma partícula de vírus intacta? Pode possivelmente ter uma estrutura diferente lá", afirma em comunicado Wah Chiu, coautor do estudo.

Estudo com parente do SARS-CoV-2

Sete cepas de coronavírus são conhecidas por infectar humanos. Quatro causam doenças relativamente leves e outras três, entre elas o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19, podem ser mortais.

O vírus que causa a COVID-19 é tão virulento que existem apenas alguns laboratórios que trabalham com crio-EM no mundo que podem estudá-lo. Portanto, para este estudo, a equipe de pesquisadores analisou uma cepa de coronavírus muito mais branda, chamada NL63, que causa sintomas de resfriado comum e é responsável por cerca de 10% das doenças respiratórias em humanos a cada ano. Acredita-se que esse coronavírus se ligue aos mesmos receptores na superfície das células humanas que o SARS-CoV-2.

Em vez de remover e purificar quimicamente as proteínas de pico do NL63, os cientistas congelaram rapidamente vírus inteiros e intactos em um estado vítreo que preserva o arranjo natural de seus componentes. Em seguida, os pesquisadores fizeram milhares de imagens e as combinaram para obter imagens de alta resolução.

"A estrutura que vimos tinha exatamente a mesma estrutura da superfície do vírus, sem artefatos químicos […]. Isso não tinha sido feito antes", comemora Jing Jin, coautor do estudo.

A equipe também identificou pontos onde as moléculas de açúcar se ligam à proteína de pico, em um processo chamado glicosilação, que desempenha um papel importante no ciclo de vida de um vírus e em sua capacidade de escapar do sistema imunológico.

No futuro, explica Jing, a equipe pretende descobrir como a parte do pico que se liga a receptores nas células humanas é ativada, e usar a mesma técnica para estudar a proteína de pico do SARS-CoV-2, que exigiria instalações especializadas de contenção de risco biológico.