15:09 27 Setembro 2020
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    O presidente russo Vladimir Putin declarou em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte que a Rússia está interessada em uma investigação imparcial sobre o caso do oponente russo Aleksei Navalny, hospitalizado desde quinta-feira (20) passada.

    "Foi examinada a situação da hospitalização de Aleksei Navalny. A Rússia destacou a inadmissibilidade das acusações precipitadas e injustificadas a esse respeito, bem como seu interesse em uma investigação completa e imparcial de todas as circunstâncias do ocorrido", informou o Kremlin em um comunicado publicado no final das negociações dos dois líderes.

    Em 20 de agosto, Navalny passou mal durante um voo da cidade russa de Tomsk para Moscou, obrigando os pilotos a fazer um pouso de emergência em Omsk. O oponente foi internado no hospital da cidade siberiana de Omsk e colocado em coma induzido.

    Sua porta-voz, Kira Yarmysh, que estava com o oponente na ocasião, afirmou que os médicos da ambulância lhe disseram que Navalny estava sofrendo de envenenamento e presumiram que ele havia sido envenenado com alguma substância colocada em seu chá, a única coisa que ele havia tomado pela manhã no aeroporto.

    Por sua vez, o médico-chefe do hospital de Omsk, Aleksandr Murakhovsky, relatou que o principal diagnóstico do adversário é de um distúrbio metabólico causado por uma queda acentuada do nível de açúcar no sangue.

    Dois dias após sua internação em Omsk, Navalny foi transferido para o hospital alemão de Charité, em Berlim.

    Polêmica sobre envenenamento

    Na última segunda-feira (24), o hospital Charité informou que os dados do exame clínico apontam para um envenenamento por uma substância do grupo dos inibidores da colinesterase - enzima vital para o funcionamento normal do sistema nervoso -, embora o agente específico ainda não tenha sido determinado.

    Ambulâncias à entrada da clínica Charité em Berlim, aonde foi transportado Aleksei Navalny
    © Sputnik /
    Ambulâncias à entrada da clínica Charité em Berlim, aonde foi transportado Aleksei Navalny

    Médicos alemães afirmaram que tratam Navalny com atropina, um medicamento que funciona como antídoto para agentes nervosos. O hospital Charité afirmou ainda que o opositor russo ainda está em coma, gravemente doente, mas não corre risco de morrer.

    Em entrevista à Sputnik, o vice-diretor do departamento de anestesiologia e reanimação do Centro Médico Pirogov, Boris Teplij, avaliou que a versão apresentada pelos médicos alemães foi analisada inicialmente por especialistas russos, mas não foi confirmada. Teplij acrescentou que Navalny recebeu atropina desde os primeiros minutos de sua hospitalização em Omsk.

    O médico russo destacou também que um baixo nível de colinesterase pode ser causado pelo "uso de outras drogas".

    Os partidários de Navalny acusam diretamente o Kremlin de estar por trás do estado de saúde dele, algo que o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, negou e chamou de "ruído vazio". Ao mesmo tempo, ele ressaltou que não vê motivos para abrir uma investigação criminal no caso Navalny.

    Peskov garantiu nesta quarta-feira (26) que o Kremlin tem interesse em entender e determinar o que aconteceu ao opositor russo.

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    Tags:
    diplomacia, Dmitry Peskov, investigação, envenenamento, Giuseppe Conte, Vladimir Putin, Aleksei Navalny, Omsk, Itália, Alemanha, Rússia
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