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17 Junho 2014, 20:08

Alemanha começa investigação da atividade da NSA no seu território

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Segundo escreve o periódico alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, a comissão parlamentar especial de investigação da atividade dos serviços de espionagem dos EUA na Alemanha começou a fase de trabalho prático.

Os membros da comissão lançaram um olhar crítico tanto sobre os serviços secretos dos EUA, como sobre o serviço alemão de inteligência, BND.

O jornal revela, embora em forma moderada, as primeiras conclusões, alcançadas pela comissão e tornadas públicas numa das suas reuniões. Os advogados experientes afirmam quase em uníssono que os serviços de espionagem norte-americanos teriam realizado na Alemanha uma atividade análoga ao trabalho feito pelos serviços especiais alemães no sentido de recolher e guardar dados pessoais relativos aos seus cidadãos. Tal é admissível desde que sejam respeitadas as normas jurídicas e constitucionais vigentes no país. Entretanto, os agentes da NSA, responsáveis pela espionagem electrônica, não tinham prestado muita atenção aos detalhes jurídicos.

Convém lembrar que o escândalo de escutas telefônicas de muitos políticos e cidadãos da Alemanha e de outros países comunitários, eclodira há dois anos, após as denúncias feitas pelo antigo técnico da CIA, Edward Snowden. Segundo seus depoimentos, os serviços especiais dos EUA teriam interceptado mais de 70 milhões de conversas telefônicas dos cidadãos da União Europeia.

Conforme especifica o semanário Der Spiegel, mensalmente, a NSA teria escutado 500 milhões de contatos nas redes de telecomunicações, inclusive a correspondência via Internet, as mensagens contidas no correio electrônico, conversas telefônicas e as SMS. Até a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e outros líderes políticos da Alemanha se tornaram alvo de espionagem electrônica.

Conforme o portal Euronews, os despositivos de escuta teriam sido instalados nos escritórios da UE em Nova York e Washington e, segundo o periódico austríaco, Die Presse, – no escritório da OSCE em Viena e nas sedes de outros organismos internacionais. Mas estes fatos constituem uma aparte do problema.

Outra questão é que os espiões norte-americanos teriam sido apoiados por seus colegas da Alemanha e de outros países da UE. Segundo o jornal Sueddeutsche Zeitung, em 2013, o serviço alemão de contra-espionagem teria disponibilizado aos EUA 1.163 grupos de dados referentes a várias camadas sociais. Este ano, o número deverá crescer. As informações têm sido transmitidas para os serviços de reconhecimento do Exército e da Força Aérea dos EUA, bem como ao FBI. Mas a parte de leão se destina à CIA.

Ainda de acordo com o Der Spiegel, na Alemanha, sob a “capa diplomática”, terão atuado mais de 200 colaboradores dos serviços especiais dos EUA. Compete-lhes efetuar a espionagem electrônica e as escutas telefônicas. Além disso, com a NSA colaboram centenas de empresas privadas.

Há dias foram divulgadas as denúncias do ex-agente da NSA Wayne Madsen, segundo o qual, sete países comunitários teriam concluído acordos secretos com os EUA sobre o acesso dos americanos às suas redes electrônicas. Trata-se do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda e Dinamarca.

O vice-director do Instituto de Pesquisas Políticas e Militares, Alexander Khramchikhin, diz não ter ilusões quanto às investigações iniciadas na Alemanha:

“Se existe uma possibilidade técnica de espionagem, ela será realizada daí em diante. Por mais que os políticos alem disso, os serviços especiais continuarão a sua atividade. Os EUA se mantêm tranquilos perante as reclamações da Europa – confessam ter espionado e prometem continuar espionando. Contra isso se pode lutar apenas com métodos técnicos”.

Mas quem irá travar essa luta? O Der Spiegel chega à conclusão de que os governos da Alemanha e de outros Estados têm conhecimento dos contatos entre seus serviços especiais e os congéneres dos EUA, apoiados por estes serviços europeus. Segundo diz um verso do grande poeta russo Alexander Pushkin, “não é difícil de me enganar por eu gostar de me ver enganado”.

 

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