17:45 24 Setembro 2021
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    Um especialista israelense analisou o comportamento de Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro de Israel, de maneira a entender a razão de sua fixação com o Irã, seu rival feroz no Oriente Médio.

    O Irã não está no momento na mente de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, porque ele está preocupado com um impasse político e com os esforços para formar uma coalizão para permanecer no poder, crê Raz Zimmt, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, que falou à Sputnik.

    No entanto, antes de a febre eleitoral ter começado, o Irã era a principal preocupação de Netanyahu e seu inimigo número um.

    Foi Netanyahu quem qualificou o acordo nuclear de Washington com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) de 2015, de "erro histórico", causando uma arrelia com Barack Obama, então presidente norte-americano (2009-2017), desempenhando também um papel fundamental na decisão dos EUA de 2018 de deixar o acordo multilateral.

    O premiê israelense desde 2009 (e também em 1996-1999) tem criticado vários Estados europeus por contornarem as sanções impostas à República Islâmica e fazerem negócios com Teerã apesar delas.

    Obsessão de Netanyahu pelo Irã continua hoje

    No início de março, ele acusou o Irã de atacar um navio israelense no golfo de Omã, acusações negadas pelo país persa. Netanyahu depois sublinhou novamente a Kamala Harris, vice-presidente dos EUA, que Teerã não obteria armas nucleares.

    O especialista diz que a obsessão com o Irã começou muito antes de Netanyahu e se originou no medo de que a República Islâmica seja inflexível quanto à destruição do Estado judeu, especialmente com slogans como "morte a Israel", ouvidos regularmente durante manifestações e reuniões públicas iranianas.

    Além disso, o Irã tem alegadamente financiado com milhões de dólares grupos como o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, ambos considerados organizações terroristas por Israel, e tem sido acusado de procurar obter uma bomba nuclear, que poderia ser usada contra Israel, alegações que Teerã tem negado repetidamente.

    O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, faz um discurso ao vivo durante comemorações do 40º aniversário da Revolução Islâmica do Irã, ao sul de Beirute, no Líbano.
    © AP Photo / Hussein Malla
    O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, faz um discurso ao vivo durante comemorações do 40º aniversário da Revolução Islâmica do Irã, ao sul de Beirute, no Líbano.

    "Alguns acreditam que Israel deve aderir à diplomacia ao enfrentar o Irã. Outros apoiam uma abordagem mais militar, incluindo uma operação e a máxima pressão", explica Zimmt.

    Comportamento entre os dois países

    Netanyahu está claramente no último campo, mas Zimmt diz que não é totalmente claro se a obsessão do chefe de Estado de Israel com o Irã deriva de seu medo genuíno da República Islâmica ou se é uma tática do medo que visa reter o poder e fama em seu país.

    "Acho que é uma combinação de ambos. Enfrentamos de fato uma ameaça iraniana, mas não creio que seja existencial, especialmente agora que Israel tem outros problemas para se preocupar e que Teerã ainda não tem armas nucleares."

    Zimmt prevê que o ciclo vicioso de acusações e ameaças mútuas não terminará em breve, simplesmente porque o Irã não mudará sua ideologia e retórica anti-israelense e Israel, por sua vez, não estará disposto a ceder na questão de Jerusalém ou do retorno dos refugiados palestinos.

    Mas isso não significa que a situação continuará se agravando ou evoluirá para uma guerra plena.

    "O único cenário em que uma guerra plena seria possível é se o Irã continuar revigorando seu plano nuclear, levando Israel a atacar suas instalações nucleares", concluiu Raz Zimmt.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Israel, Irã, Benjamin Netanyahu, Plano de Ação Conjunto Global, JCPOA, EUA, Barack Obama, Kamala Harris, Golfo de Omã, Hamas, Gaza, Hezbollah, Líbano
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