11:36 26 Setembro 2017
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    O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, ajusta seus óculos durante uma entrevista coletiva com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, depois de suas conversas em Moscou

    Tillerson: 'Não há espaço para Assad na resolução do conflito sírio'

    © REUTERS/ Sergei Karpukhin
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    O secretário Rex Tillerson falou sobre o conflito sírio e as divergências de posicionamento com a Rússia. Mudando o tom dado pela diplomacia americana antes dos ataques químicos em Idlib, que falava em "deixar os sírios decidirem o próprio destino", Tillerson clamou pela saída imediata do líder da Síria.

     

    Tillerson disse Washington tem razões para acreditar que Assad planejou e executou o ataque químico e que não é a primeira vez que Damasco usa armas químicas desde 2011. Segundo o secretário de Estado, a Síria usou bombas de cloro e outras armas químicas em mais de 50 ocasiões.

    "Eles causaram isso", disse Tillerson sobre a pressão internacional contra Assad. "Achamos importante que a saída de Assad seja feita de forma ordenada. Não há espaço para Assad ou para a família de Assad na conclusão [do conflito sírio] que esperamos. Nós não aceitaremos isso e não acreditamos que o mundo o fará", disse Tillerson, acrescentado que os EUA em uma Síria estável e unificada.

    O diplomata russo disse que não está interessado em cenários hipotéticos e especulativos na Síria, mas que "queremos estabelecer uma verdade". "Há uma presunção de inocência" na Síria, disse Lavrov.

    O ministro reiterou o pedido de Moscou para uma "investigação independente e completa" em ambos os incidentes Idlib e Sha'irat. "Não estamos tentando impor nada a ninguém, mas Moscou não acredita que seja justo colocar toda a culpa em Damasco antes de uma investigação objetiva do ataque químico". Lavrov expressou que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU seria contraproducente e só serviria para legitimar acusações contra Damasco.

    Lavrov também lembrou casos fracassados de trocas de poder no Oriente Médio, promovidos com o apoio dos americanos. "Precisamos aprender as lições do passado, caso contrário não poderemos ter sucesso no presente", disse ele. No Iraque, todos os pretextos que os EUA usaram para invadir o país, como as armas de destruição em massa, eram falsos. […]. Na Líbia, a coalizão internacional que derrubou o ex-ditador Muammar Kadhafi não produziu um exemplo positivo que possa ser seguido para uma operação de mudança de regime. "O próprio Estado da Líbia está em perigo agora. Nós vimos tudo isso e todos sabemos como isso vai acabar", destacou.

    Tanto os EUA quanto a Rússia também concordaram em restabelecer o acordo de segurança aérea em vigor na Síria. A parceria, que prevê trocar de informações sobre voos dos dois países para evitar incidentes no espaço aéreo da Síria, tinha sido suspenso após os ataques ao aeródromo na província de Homs.

    Participação russa

    Ao contrário do declarado ontem por serviços de inteligência da Casa Branca, Rex Tillerson descartou que os EUA estivessem considerando a participação da Rússia no ataque químico de Idlib.

    "Com relação à cumplicidade ou conhecimento da Rússia no ataque químico, o ataque foi conduzido exclusivamente pelas forças do regime de Assad", disse Tillerson, acrescentando que os EUA não têm nenhuma razão para acreditar que Moscou ajudou o ataque em Idlib.

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    Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Casa Branca, Conselho de Segurança da ONU, Rex Tillerson, Muammar Kadhafi, Sergei Lavrov, Bashar Assad, Ash Sha'irat, Idlib, Damasco, Líbia, Oriente Médio, Iraque, Síria, Moscou, Washington
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