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    Caso o Brasil se torne, de fato, uma Venezuela ou uma Argentina, como dito pelo ministro Paulo Guedes, os maiores responsáveis serão o próprio ministro e o governo federal.

    É o que afirma a economista Maria Beatriz de Albuquerque David, professora da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em entrevista à Sputnik Brasil nesta quarta-feira (3).

    "Para o ministro, é muito fácil: ele sempre bota a culpa nos outros. […] Se a gente, como ele prediz, chegar a ser uma Argentina ou uma Venezuela, é graças a ele, graças ao governo. Não adianta culpar a população nem os atores econômicos por esta situação", afirma a especialista.

    A declaração de Paulo Guedes foi feita em entrevista ao podcast Primocast, gravada na sexta-feira (26) e publicada nesta terça-feira (2). Na entrevista, o ministro diz que o país pode se complicar caso faça escolhas erradas na política econômica e se endivide de maneira desenfreada. Além disso, defendeu privatizações e a agenda liberal durante a conversa.

    Para David, o ministro deveria, em vez de fazer suposições, se concentrar mais em aplicar suas ideias de maneira que elas sejam de fato viáveis para melhorar a condição econômica do Brasil. Ela lembra que o ministro defendeu longamente várias reformas, mas não chegou a elaborar um texto convincente para suas concepções. A reforma da Previdência, por exemplo, era vista pelo ministro como fundamental para a economia brasileira – Guedes chegou até a ameaçar a deixar o governo caso a reforma fosse muito alterada.

    Já o auxílio emergencial, que hoje é fator essencial para a popularidade de Bolsonaro, foi proposto e debatido pelo Congresso – inclusive foram os parlamentares quem definiram o montante que seria pago aos beneficiados.

    "As propostas dele [Guedes] sempre foram aquém das propostas formuladas pelo Congresso. [...] A reforma boa é aquela que tem viabilidade política, mas você precisa saber para onde você vai. Não adianta ficar atirando cada dia para uma direção", diz David.
    O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião na sede do ministério, em Brasília no dia 6 de maio de 2019.
    © Folhapress / Pedro Ladeira/Folhapress
    O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião na sede do ministério, em Brasília no dia 6 de maio de 2019.

    A economista também comentou sobre a falta de um plano estruturado não só para vacinar a população brasileira contra a COVID-19, mas também para evitar picos de contaminação. Ela lembra que os "governos responsáveis" ao redor do mundo aderiram ao lockdown, parcial ou total, para impedir a propagação do novo coronavírus. Com esta medida, a economia sofre um baque momentâneo, mas logo depois volta a se recuperar.

    "Na pandemia, todo mundo tentou estimular a economia e tomar providências para que a atividade econômica pudesse voltar de forma segura, sem correr os riscos de fechar e abrir, fechar e abrir, fechar e abrir…", avalia a professora.

    Além disso, ela cita como um erro do governo federal a aquisição de um baixo número de vacinas até o momento – sem a imunização da população, a economia acaba também prejudicada.

    Como reflexo das medidas ineficazes do governo federal, o Brasil teve nesta quarta-feira (3) o dia com mais mortes causadas pela COVID-19 desde o início da pandemia: foram 1.910 óbitos registrados em 24 horas no país.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Ministério da Economia do Brasil, Jair Bolsonaro, governo federal, economia, Brasil, Paulo Guedes
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