01:13 14 Junho 2021
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    Brasil combatendo coronavírus no fim de novembro (45)
    11384
    Nos siga no

    Em mais um capítulo da politização em torno da pandemia da COVID-19, a Anvisa rebateu o governador de São Paulo, João Doria, sobre a possibilidade de aplicar a vacina CoronaVac sem a autorização da agência reguladora brasileira.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou na última quinta-feira (26) que, mesmo que agências reguladoras de outros países autorizem o registro da vacina CoronaVac, é necessário o aval do órgão brasileiro para a aplicação da vacina no Brasil.

    O comunicado foi uma resposta à declaração do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que afirmou que a CoronaVac está sendo avaliada por agências reguladoras dos EUA, na Europa e na Ásia. De acordo com ele, se essas agências validarem a vacina, "ela estará validada independentemente da própria Anvisa".

    "Mesmo após o registro em algum outro país, a avaliação da Anvisa é necessária para verificar pontos que não são avaliados por outras agências internacionais", declarou a Anvisa em nota.

    Em São Paulo, o governador paulista, João Doria (PSDB), exibe uma dose da vacina chinesa contra a COVID-19, a Coronavac, em 30 de setembro de 2020
    © Folhapress / Photo Press / Bruno Escolástico
    Em São Paulo, o governador paulista, João Doria (PSDB), exibe uma dose da vacina chinesa contra a COVID-19, a Coronavac, em 30 de setembro de 2020

    O professor de Políticas Públicas da UERJ, Roberto Santana, em entrevista à Sputnik Brasil, declarou que a posição do governador de São Paulo, João Doria, é uma resposta à disposição do presidente Jair Bolsonaro de sabotar a vacinação da população por conta de um alinhamento ideológico hostil à China.

    "O presidente Bolsonaro sabotou o quanto pôde o combate ao coronavírus, sabotou o quanto pôde todas as medidas de prevenção e, ao que parece, está disposto a sabotar também a vacinação da população por um preconceito bobo e ideológico, de querer negar a participação da vacina chinesa no processo de imunização da população", disse.

    De acordo com ele, a declaração do governador João Doria vem no sentido de que, com essa "aversão à China que o presidente Bolsonaro tem, ele está arriscando a vida de milhões de brasileiros". "Portanto, da mesma forma que foi feito no pior momento da pandemia, os governadores e prefeitos estão começando a se mexer e se articular para adquirir as vacinas à revelia do governo federal", acrescentou.

    De acordo com ele, é muito preocupante a "utilização política da Anvisa por parte do governo de Jair Bolsonaro de querer negar a eficácia de uma vacina, caso seja mostrada a sua eficácia em outros países".

    "Realmente, o governador João Doria tem razão. Se as agências de vigilância sanitária de outros países comprovarem que a vacina chinesa é eficaz, não tem porque a Anvisa negá-la", completou Roberto Santana.

    Hostilidade com a China

    Já o professor de Relações Internacionais e especialista no Grupo BRICS, Diego Pautasso, em entrevista à Sputnik Brasil, enfatizou que a politização da vacina no Brasil diz respeito a uma continuidade das declarações do presidente de transformar uma questão sanitária grave em um "cavalo de batalha político-eleitoral ligado às suas preferências e ao seu grupo mais radical e ideológico".

    "O fato concreto é que essa vacina vem sendo desenvolvida por uma empresa respeitabilíssima na China, que já desenvolveu fármacos e medicamentos para vários países e para várias doenças, em parceria com o Instituto Butantan, que é um instituto de renome internacional, e com supervisão da Anvisa, obedecendo a todos os protocolos de saúde e de pesquisa habituais", afirmou.

    De acordo com o especialista, o discurso hostil com a China é irradiado da administração norte-americana de Donald Trump e tem produzido efeitos muito nocivos para as relações bilaterais do Brasil com a China, seu principal parceiro comercial, além de prejudicar o enfrentamento da pandemia da COVID-19 através de uma vacina.

    O especialista em políticas públicas, Roberto Santana, por sua vez, destacou também que a "politização da vacina é um movimento da extrema-direita mundial, na qual se encaixam tanto o presidente norte-americano Donald Trump, quanto o presidente brasilero Jair Bolsonaro".

    De acordo com ele, o alinhamento do Brasil com a extrema-direita dos EUA "vai contra todos os interesses internacionais do Brasil, ainda mais quando falamos do nosso principal parceiro econômico, a China".

    "A China é o único país do mundo que vai ter capacidade produtiva de produzir e distribuir essa vacina para todos os países do mundo. A maior parte das fábricas estão na China, os demais países que têm parques farmacêuticos de grande envergadura produzirão para suas próprias populações, mas a comercialização dela em larga escala, com certeza sua fabricação será no parque industrial chinês", explicou.

    "A vacina da China será mais barata do que as suas contrapartes norte-americana e europeia. A própria vacina russa, a Sputnik V, já apresentou um preço internacional mais barato do que as grandes farmacêuticas norte-americanas e europeias. E para a humanidade, é positivo que haja várias vacinas de vários locais diferentes, isso leva à concorrência no mercado, abaixa o preço da vacina", completou o especialista. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil combatendo coronavírus no fim de novembro (45)

    Mais:

    Anvisa volta atrás e anuncia retomada dos testes da CoronaVac
    CoronaVac: suspensão de testes tem que ser avaliada por comitê independente, afirma epidemiologista
    Primeiro lote da vacina CoronaVac chega a São Paulo hoje (VÍDEOS)
    China diz estar pronta para cooperar com Rússia e Brasil em ensaios de vacina contra o coronavírus
    Embalagens com COVID-19 de Brasil e mais países causam debate sobre surto ter começado fora da China
    Tags:
    vacina, China, COVID-19, novo coronavírus, Vacina CoronaVac, Bolsonaro, Jair Bolsonaro
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar