00:05 28 Novembro 2020
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    Brasil enfrenta COVID-19 no início de junho (52)
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    Para economista, o setor de transporte aéreo sofrerá os efeitos da pandemia do novo coronavírus ainda por muitos anos e precisará se adequar aos novos tempos.

    As companhias aéreas pretendem iniciar neste mês de junho a retomada e ampliação de suas operações no Brasil, após extrema redução de suas capacidades operacionais, provocada pela pandemia do novo coronavírus.

    Com as políticas de isolamento social, as empresas aéreas sofreram um grande impacto, tendo que cancelar a grande maioria de seus voos e chegando a operar com apenas 5% de sua capacidade.

    Para Ricardo Balistiero, especialista em Aviação Comercial, coordenador do Curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia e ex-funcionário dos departamentos de finanças da Varig e da Iata, o setor sentirá o impacto da COVID-19 ainda por muito tempo.

    Um dos pontos fracos do setor aéreo, em sua opinião, seria a falta de uma ação coordenada entre diversos países, o que dificulta a formação de estratégias para sobreviver em momentos de crise.

    "Num momento como esse, como não há uma coordenação central, é sempre muito complicado que haja uma uniformização das ações", disse Ricardo Balistiero à Sputnik Brasil.

    O especialista destacou que, desde o mês de março, a queda no movimento em alguns aeroportos foi de quase 90% e isso impactou as receitas das empresas aéreas.

    "Isso teve impacto na geração de caixa das empresas aéreas. A associação nacional de Transporte Aéreo [ABEAR] estima, e esses números são sempre fidedignos, perdas [globais] aproximadas de 300 bilhões de dólares [R$ 1,5 trilhão] no mesmo período de 2020, comparado com 2019, o que dá uma queda de aproximadamente 55%", apontou o analista.

    Na América Latina esse número seria de 18 bilhões de dólares (R$ 92 bilhões), provocando pedido de recuperação de empresas como Avianca e Latam. Isso deve gerar pedidos de ajuda governamental, como já vem acontecendo, para que a situação financeira não comprometa a retomada das atividades, que promete ser lenta.

    "Não há uma expectativa de que o setor possa recuperar o cenário pré-crise nos próximos dois anos. Até porque ainda haverá a possibilidade de uma segunda onda de contaminações e não há uma articulação entre os países sobre como combater o coronavírus", afirmou.

    O analista destacou que o serviço prestado pela companhias aéreas deverá sofrer muitas alterações enquanto o risco da pandemia permanecer. Segundo ele, em vôos domésticos, provavelmente será abolido o serviço de bordo, e embalagens individuais serão adotadas em voos internacionais. Além disso, o uso de máscara durante todo o voo bem como proteção individual de todos os trabalhadores envolvidos na prestação de serviço também serão uma novidade e os procedimentos sanitários nas aeronaves e nas instalações de aeroportos serão intensificados e ampliados.

    "Ou seja, o tempo de embarque e de desembarque deverá se tornar um pouco maior e será necessário negociar com os aeroportos para que as tarifas aeroportuárias não corroam ainda mais a rentabilidade das empresas aéreas, o que obrigatoriamente vai gerar um aumento no preço das passagens", disse o entrevistado.

    O interlocutor da Sputnik acrescentou que, em relação à segurança dos passageiros, as empresas também estão realizando gastos volumosos. As aeronaves paradas nos pátios, por exemplo, precisam ser verificadas diariamente para garantir o pleno funcionamento de todos os seus sistemas e garantir um retorno às atividades sem acidentes.

    "Há um custo de manutenção bastante grande neste momento. Haverá um custo para customizar todos os aeroportos. Haverá um custo da reconfiguração das aeronaves, e uma elevação do custo operacional com toda a parte de higienização. Então é importante ter em mente que, muito provavelmente, aquela era de passagens baratas vai ser adiada por um tempo", alertou Balistiero.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil enfrenta COVID-19 no início de junho (52)

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    Tags:
    companhias aéreas, passagens aéreas, Brasil, análise
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