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    Brasil lidando com COVID-19 em meados de abril de 2020 (77)
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    Brigas do presidente com Congresso podem levar a "fortalecimento" da ideia de impeachment de Jair Bolsonaro, mas processo depende muito das "ruas", disse à Spunik Brasil cientista político Guilherme Carvalhido.

    Segundo ele, as desavenças e críticas mútuas entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ocorrem "desde o início de seu governo", mas após a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde se tornaram ainda mais "evidentes". 

    Pouco após o anúncio da saída de Mandetta, que também é do DEM, Bolsonaro disse em entrevista para a CNN Brasil que Maia tinha "péssima atuação" e parecia querer "atacar o presidente".

    O parlamentar, por sua vez, afirmou, também para a CNN, que Bolsonaro o atacava como um "truque de política" para desviar a atenção sobre a saída de Mandetta, que deixou o cargo com alta aprovação popular.

    Para Carvalhido, a disputa entre os dois começou no início do mandato de Bolsonaro, quando ele não "conseguiu negociar com o Congresso uma relação de equilíbrio", o que "dificulta um Executivo eficiente".

    'Briga declarada'

    "Bolsonaro já estava consciente dessa briga com o Congresso desde o inicio do seu governo. Quando optou politicamente em não formar um grupo forte na Câmara e no Senado, estabelecendo uma grande disputa com setores importantes, principalmente com seu setor mais significativo, que é o chamado centrão", disse o professor da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro.

    Carvalhido avalia que a partir dos últimos posicionamentos do presidente, principalmente seu embate com Mandetta, "que é do centrão", sobre a necessidade de isolamento social, o que "acontecia" mais nos "bastidores", agora é uma "briga declarada".

    O analista lembra ainda o episódio no qual o presidente estimulou, e depois chegou a participar, em março, de manifestações contra as atuações de Maia, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, outro parlamentar do DEM, e do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Congresso 'absolutamente insatisfeito'

    "Hoje, tanto a Câmara como o Senado estão absolutamente insatisfeitos com a politica adotada pelo presidente Jair Bolsonaro", afirmou o cientista político.

    Nesse cenário, ele considera que um princípio de movimento para destituir Bolsonaro do cargo pode estar sendo gestado.

    "Há sim uma briga muito forte, e há o inicio sim de um processo de tentativa de fortalecimento do impedimento do presidente", disse Carvalhido.

    No entanto, para que isso ocorra, o professor aponta que outras "variáveis" estão em jogo, como "manifestações populares e a própria opinião publica, que precisam ser medidas".

    Carvalhido diz que Bolsonaro ainda conta com apoio expressivo entre a população, de cerca de "um terço do eleitorado", e lembra que no início do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff sua popularidade era de menos de 10%.

    'Olho nas ruas'

    Mas o cientista político faz uma ressalva: com a crise do coronavírus, "parte de seus eleitores" começa a criticá-lo abertamente, como foi o caso, por exemplo, da jurista e deputada estadual por São Paulo Janaína Paschoal, o que "movimenta a estrutura do Congresso".

    "O Congresso está de olho no que está acontecendo nas ruas, apesar de estarmos em quarentena", disse Guilherme Carvalhido.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil lidando com COVID-19 em meados de abril de 2020 (77)

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    Tags:
    Ministério da Saúde, Guilherme Carvalhido, Universidade Veiga de Almeida, Rodrigo Maia, Jair Bolsonaro, Senado, Câmara dos Deputados, Congresso, doença, pandemia, COVID-19, novo coronavírus
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