11:51 25 Maio 2020
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    Em 2019, o Brasil deixou de ter uma cidade entre as 100 mais visitadas no mundo, e o setor do turismo sofreu com as tragédias ambientais ao longo do ano. Mas será que o turismo no Brasil teve pontos altos neste ano?

    Segundo relatório da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, Hong Kong deve confirmar, pelo sexto ano seguido, a primeira colocação no ranking das cidades mais visitadas no planeta, apesar dos intensos protestos que se espalharam pelo território em 2019 e fizeram o número de visitantes cair 8,7% em relação a 2018.

    Em 2019, quase 27 milhões de pessoas já visitaram a região chinesa, seguida por destinos como Bangkok, Macau, Singapura, Londres, Paris e Dubai. Globalmente, os monitores apontam um crescimento de 4,2% no número de viagens internacionais, que já totalizam mais de 1,5 bilhão. 

    No Brasil, a expectativa de aproveitar esse boom do turismo internacional para alavancar o setor por aqui foi substituída pela decepção de ver o país fora do ranking dos 100 principais destinos do mundo, com a queda do Rio de Janeiro da 98ª posição para a 104ª em um ano, apesar do aumento no número de visitantes de 2,2 para 2,3 milhões. 

    ​De acordo com Marcelo Tesserolli, professor de Turismo das Faculdades Hélio Alonso, embora 2019 tenha sido um ano difícil para o turismo brasileiro, foi, ao mesmo tempo, um ano de muita esperança, devido a mudanças realizadas que, segundo ele, podem trazer benefícios futuros para esse setor. 

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista aponta razões externas e internas para todo o potencial do turismo internacional brasileiro não ter sido aproveitado ainda. Entre as principais causas, ele destaca a questão da distância do país em relação aos principais emissores de turistas, os enormes problemas de infraestrutura, baixa qualificação profissional nos serviços em geral, insegurança pública e conflitos políticos que atrapalham a gestão das cidades.

    O acadêmico explica que a falta de segurança costuma afetar de maneira mais significativa o turismo interno, enquanto os altos preços gerais da viagem e a falta de qualificação dos profissionais que atuam na área tendem a afastar mais os turistas estrangeiros.

    "O turista estrangeiro costuma reclamar bastante da baixa qualificação profissional, sobretudo da dificuldade de comunicação, porque o povo não sabe inglês", exemplifica. 

    ​No que diz respeito aos altos custos, Tesserolli lembra que, devido à desvalorização do real, esse problema não tem sido tão grande recentemente, mas, normalmente, de acordo com ele, os preços de hospedagem, alimentação, deslocamento e atrativos são muito caros se comparados a outros destinos internacionais.

    "Os preços dos combustíveis de avião, os preços cobrados por serviços portuários, por exemplo, os preços das hospedagens, por exemplo, também acabam encarecendo e afugentando o turista para outros destinos mais baratos", explica. "Isso é uma reclamação constante do turista estrangeiro. Quando ele vem ao Brasil, geralmente, ele não fica só em um destino. Ele viaja pelo Brasil, ele conhece, pelo menos, umas três cidades. Vamos supor: Rio de Janeiro, Salvador, Foz do Iguaçu", acrescenta, afirmando que são comuns entre os visitantes os questionamentos sobre os preços das passagens dentro do Brasil. 

    ​Para o turismólogo ouvido pela Sputnik, a saída da capital fluminense da lista das cidades mais visitadas e a ascensão de destinos asiáticos no ranking podem ser explicadas pelo aumento da importância do turismo chinês, uma vez que os chineses estão viajando mais e visitando mais lugares da própria Ásia.

    "Eu acredito que seja mais crédito deles (dos chineses) do que descrédito do Rio de Janeiro", sublinha. "Foi muito mais um crescimento desse mercado asiático do que decréscimo do nosso mercado nesse sentido. A gente também tem que entender que esses países asiáticos, sobretudo impulsionados pelo grande crescimento da China, sem dúvidas, estão investindo muito mais na questão do turismo e criando mais oportunidades." 

    ​Tesserolli argumenta que as autoridades que cuidam do turismo em alguns países da Ásia têm conseguido manter um bom nível de serviço e atrativos por um preço relativamente menor, levando vantagem na questão do custo-benefício quando esses destinos são comparados ao Brasil.

    "Por questões aí de políticas de governo, de taxações, entre outras coisas", afirma o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    passagens, estrangeiros, Macau, Bangkok, Singapura, turismo, América do Sul, Ásia, Dubai, Paris, Londres, Hong Kong, China, Foz do Iguaçu, Salvador, Rio de Janeiro, Brasil
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