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    Ações russas podem tornar EUA irrelevantes na luta contra o Estado Islâmico

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    As operações militares aéreas russas na Síria têm se mostrado significativas a ponto de despertar o a admiração de importantes políticos europeus, como da líder da Frente Nacional da França, Marine Le Pen. Mas também exacerba a indignação norte-americana com o sucesso da Rússia em território sírio.

    O portal What They Say About USA publicou um artigo refutando com clareza as declarações do secretário de Defesa norte-americano, Ashton Carter, após deixar uma reunião da OTAN na quinta-feira (8), contra os ataques russos na Síria. Ele chamou a ações da Rússia de pouco profissionais e disse que não houve um pedido de autorização para o uso de mísseis.

    O artigo intitulado “EUA enfrentam risco de irrelevância na luta contra o Estado Islâmico” esclarece que a Rússia não precisaria de permissão, uma vez que opera a pedido do governo legítimo da Síria e lembra a opinião do vice-chanceler sírio, Faisal Midal sobre as operações russas contra as posições dos extremistas.

    “Os ataques aéreos realizados pela Força Aérea da Rússia nos últimos dias na Síria têm causado muito mais dano a grupos terroristas do que todas as operações combinadas da coalizão internacional liderada pelos EUA há mais de um ano”, afirmou Midal.

    Já o embaixador da Síria em Moscou, Riyad Haddad, relatou que aproximadamente 40% da infraestrutura do grupo jihadista em seu país foi destruída desde o início dos ataques russos. Ele também afirmou que os extremistas estão fugindo em direção à fronteira com a Turquia.

    Segundo o portal, a operação aérea da Rússia é conduzida em estreita cooperação com o Exército sírio. What They Say About USA informou que os militares do país árabe são responsáveis por apontar a exata localização dos alvos terroristas e lembra que os pilotos russos lutam de verdade, ao invés das investidas ao acaso da Força Aérea dos EUA.

    O texto destaca que os caças norte-americanos, por exemplo, acertaram dois alvos no dia 8 de outubro. Um deles seria um posto de gasolina. Enquanto isto, o portal lembra que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, divulgou que dados do Ministério da Defesa russo mostravam o acerto de 112 investidas sobre instalações do Estado Islâmico no mesmo período.

    As finanças das operações dos EUA não foram deixadas de lado pelo artigo. O portal publicou que o governo norte-americano gastou desde 8 de agosto de 2014 o valor de US$ 3,87 bilhões com os ataques de seus aviões na Síria. A guerra contra o Estado Islâmico estaria custando US$ 10 milhões por dia, para um “lucro” de 6.000 extremistas retirados, mesmo com os jihadistas ganhando novos 20.000 membros e 30 novas facções ao redor do mundo jurando fidelidade ao grupo.

    Após apontar estes dados, What They Say About USA lembra que Ashton Carter ainda consegue criticar o que chamou de “estratégia equivocada” russa e alerta que Washington se recusa a cooperar com Moscou. “Como se a Rússia precisa-se. A Rússia não está implorando por qualquer cooperação. Especialmente considerando que está perfeitamente claro que a América não tem uma estratégia para combater o Estado Islâmico.”

    O texto afirma ser curioso o fato de que, nos últimos dias, os aviões norte-americanos aumentaram seus voos no Iraque e diminuíram muito na Síria. Os ataque a alvos do Estado Islâmico em solo iraquiano são dezenas ao dia, enquanto os caças dos EUA são vistos uma ou duas vezes em território sírio. “A razão é simplesmente que Washington percebeu que Bagdá estava dentro de um curto passo de pôr em assistência militar russa.”

    As autoridades iraquianas, lembra o portal, demostraram na quarta-feira (7) o desejo de contar com o apoio das forças russas contra o grupo jihadista. O chefe da Comissão de Defesa do Parlamento divulgou um comunicado dizendo que “o Iraque quer a Rússia desempenhando um papel mais importante na luta contra o Estado Islâmico do que o desempenhado por Washington”. O opinião semelhante à que foi manifestada antes pelo primeiro-ministro iraquiano, Haydar al-Abadi.

    “Eu não vejo dificuldades em forças da Rússia atingir alvos do Estado Islâmico no Iraque, depois de coordenar esses ataques com a gente”, comentou o premiê do Iraque.

    O desejo iraquiano pode se tornar real, uma vez que a presidente do Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo), Valentina Matvienko, afirmou que a Rússia iria considerar a participação mais ampla possível no combate ao Estado Islâmico no Iraque.

    What They Say About USA afirma que Ashton Carter consegue blefar com seus aliados da OTAN, mas não pode deixar de enxergar a aliança antiterrorista que está se formando no Oriente Médio, com Rússia, Irã, Iraque e Síria, e já rotulada no Ocidente como antiamericana.

    Finalizando, o artigo do portal relata que o líder espiritual iraniano, aiatolá Ali Khamenei, proibiu qualquer negociação de Teerã com os EUA, enquanto o Irã apoia a Rússia nas ações militares na Síria, e destaca a abertura do corredor aéreo sobre o território iraquiano e iraniano para os aviões russos, o lançamento de mísseis contra o Estado Islâmico a partir do Mar Cáspio e o intercâmbio em larga escala de informações de inteligência.

    “O quadro mostra que os EUA correm o risco de se tornar irrelevantes na luta contra o Estado Islâmico”, conclui o What They Say About USA.

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    Rússia combate Estado Islâmico na Síria (291)
    Tags:
    profissionalismo, irrelevância, alvos, custo, ataques aéreos, autorização, apoio, extremismo, ajuda, negociações, conflito, guerra, terrorismo, What They Say About USA, Força Aérea, Conselho da Federação, Frente Nacional, Pentágono, OTAN, Ministério da Defesa, Estado Islâmico, Riyad Haddad, Faisal Midal, Aiatolá Ali Khamenei, Valentina Matviyenko, Marine Le Pen, Ashton Carter, Vladimir Putin, Damasco, Teerã, Turquia, Irã, Iraque, Síria, Moscou, EUA, França, Washington, Rússia
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