21:09 28 Julho 2021
Ouvir Rádio
    Europa
    URL curta
    14563
    Nos siga no

    Embaixada russa na Alemanha considerou o comentário do enviado polonês "decepcionante e desconcertante". O gasoduto, que passa sob o mar Báltico, está atualmente mais de 95% concluído.

    A Embaixada da Rússia em Berlim afirmou na sexta-feira (26) que ficou perplexa com a observação do embaixador polonês na Alemanha, Andrzej Przylebski, de que o projeto do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente Norte 2) serviria para impulsionar os gastos militares da Rússia e, portanto, deve ser interrompido.

    "O que mais nos incomoda é que a Rússia está recebendo ainda mais dinheiro para seus gastos militares dessa forma", disse Przylebski em entrevista recente à emissora alemã RND. O embaixador acrescentou que a principal razão pela qual Varsóvia se opõe veementemente ao projeto de energia liderado por Moscou é porque se sente "ameaçada" pela Rússia.

    Przylebski questionou ainda a posição atual da Alemanha, que parece querer agradar aliados ocidentais sem abrir mão do projeto de energia.

    "É estranho que a Alemanha, por um lado, apoie as sanções [contra a Rússia] e, por outro lado, dê a [Vladimir] Putin [presidente da Rússia] grandes somas de dinheiro para gastos militares. Os europeus não deveriam fazer isso. Devemos enfraquecer os russos", sentencia Przylebski, que conclui afirmando que, se for necessário, a Polônia está preparada para combater os russos.

    Resposta russa

    A retórica do embaixador polonês, que apela para que a Europa "enfraqueça" a Rússia "agressiva" e "abertamente hostil", é "decepcionante e desconcertante", afirma a missão diplomática russa na Alemanha em comunicado.

    "A Rússia não tem planos de atacar ninguém", lê-se na nota da embaixada, rejeitando a suposição de Przylebski de que a receita do projeto, que ainda está em construção, abasteceria de alguma forma a máquina de guerra da Rússia.

    Capacete de trabalhador do projeto Nord Stream 2, em pátio na região de Leningrado. O gasoduto deve sair da costa russa em direção à Alemanha
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Capacete de trabalhador do projeto Nord Stream 2, em pátio na região de Leningrado. O gasoduto deve sair da costa russa em direção à Alemanha

    A Rússia gasta com seus militares apenas o dinheiro suficiente para garantir sua própria segurança e manter uma capacidade defensiva adequada, disse a embaixada russa, acrescentando que não é Moscou, mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da qual a Polônia faz parte, que está movendo suas forças mais para o leste, para as fronteiras da Rússia. O orçamento de defesa de Moscou também é 24 vezes menor do que o da aliança militar, reiterou a embaixada.

    A embaixada sugere que a oposição de Varsóvia ao projeto não se deve a alguma suposta ameaça à segurança, mas sim ao desejo de que o gás russo fluísse pela antiga rota de abastecimento, o que permitiria o país vizinho lucrar com o trânsito: "Aparentemente, este é o verdadeiro objetivo da Polônia". O abastecimento de gás da Rússia à Europa depende da demanda, observou a embaixada, acrescentando que a demanda dificilmente diminuiria simplesmente porque a Polônia consegue levar adiante sua agenda.

    Campanha contra Nord Stream 2

    O projeto Nord Stream 2 prevê a construção de duas linhas de um gasoduto com uma capacidade total de 55 bilhões de metros cúbicos de gás por ano da costa russa através do mar Báltico até a Alemanha. Até o momento, os EUA já impuseram duas rodadas de sanções ao Nord Stream 2.

    Essas sanções levaram a AllSeas, uma empreiteira de construção com sede na Suíça, a desistir do projeto, afirmando que as penalidades eram "esmagadoras e potencialmente fatais" contra a empresa.

    Em fevereiro, os ministros das Relações Exteriores da Polônia e da Ucrânia instaram o presidente dos EUA, o democrata Joe Biden, a fazer o possível para "pôr fim" ao projeto do gasoduto.

    No início desta semana, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, argumentou que o Nord Stream 2 vai contra os interesses da União Europeia e poderia "minar os interesses da Ucrânia, da Polônia e de uma série de parceiros e aliados próximos".

    Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, participa de conselho do Atlântico Norte para ministros das Relações Exteriores, na sede da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 23 de março de 2021
    © REUTERS / Yves Herman/Pool
    Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, participa de conselho do Atlântico Norte para ministros das Relações Exteriores, na sede da OTAN em Bruxelas, Bélgica, 23 de março de 2021

    Washington pode muito bem ter um interesse comercial em fazer a Europa abandonar o projeto também. Políticos russos e até mesmo alemães disseram repetidamente que os EUA podem simplesmente estar abrindo um nicho para as vendas de gás natural liquefeito (GNL) norte-americano na Europa.

    A Alemanha tem rejeitado repetidamente a perspectiva de novas sanções extraterritoriais contra o projeto, chamando os esforços dos EUA e aliados nessa direção de uma "usurpação da soberania" e alertando que está coordenando de perto a questão com seus parceiros da União Europeia. Berlim afirma que o Nord Stream 2 é vital para a segurança energética da Alemanha e da Europa. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse anteriormente que a principal prioridade de Berlim é criar as condições para a conclusão do Nord Stream 2.

    A Rússia alertou repetidamente contra a politização do que considera um projeto puramente econômico. O gasoduto, que passa sob o mar Báltico, está atualmente mais de 95% concluído.

    Mais:

    EUA impõem sanções a navio russo por Nord Stream 2; Moscou diz que concluirá gasoduto
    EUA coordenarão com aliados possíveis sanções contra Nord Stream 2
    Nord Stream 2: republicanos na Câmara exigem que Blinken aplique mais sanções 'obrigatórias'
    Governo dos EUA traça linha vermelha para novas sanções contra Nord Stream 2
    Tags:
    sanções, sanções, Nord Stream 2, Alemanha, Rússia, EUA, Polônia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar