19:30 02 Dezembro 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    2130
    Nos siga no

    Uma nova pesquisa ajuda a responder a uma das perguntas mais frequentes em geociências: o que exatamente causou a maior extinção em massa da Terra?

    O estudo liderado por cientistas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, fornece um quadro conclusivo de que uma enorme erupção na Sibéria, que expeliu enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera, teve papel fulcral na maior extinção em massa da Terra. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Geoscience na segunda-feira (19).

    "Nossa pesquisa fornece a primeira reconstrução precisa da fonte de carbono e, com isso, o gatilho da crise, bem como revela a subsequente cadeia de processos que resultou na maior extinção em massa da Terra", afirma Hana Jurikova, principal autora do estudo, em comunicado.

    Inverno na Sibéria (foto de arquivo)
    © Sputnik / Aleksandr Kryazhev
    Inverno na Sibéria (foto de arquivo)

    PH do oceano

    A equipe usou uma nova abordagem analítica, recuperando o pH do antigo oceano a partir de conchas fósseis de braquiópodes. O pH da água do mar é um indicador crítico que não apenas registra a acidez, mas também permitiu à equipe determinar as mudanças na quantidade e nas fontes de CO2 atmosférico na hora do evento de extinção.

    Dessa forma, os cientistas foram capazes de determinar que o gatilho da crise do Permiano-Triássico, há cerca de 252 milhões de anos, foi o grande volume de dióxido de carbono que foi lançado para a atmosfera, resultado de uma gigantesca erupção vulcânica onde hoje fica a Sibéria.

    As análises mostraram que os vulcanismos liberaram mais de 100 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, desencadeando o início da extinção. Isso é mais de 40 vezes a quantidade de todo o carbono disponível nas reservas de combustível fóssil modernas, incluindo o carbono já queimado desde a revolução industrial.

    No total, acredita-se que cerca de 90% de toda a vida foi exterminada no espaço de vários milhares de anos que durou esse evento.

    "Demorou várias centenas de milhares a milhões de anos para o ecossistema se recuperar da catástrofe, que alterou profundamente o curso da evolução da vida na Terra", comenta Jurikova.

    Este estudo reforça as conclusões de outra pesquisa divulgada em junho, que analisou as rochas vulcânicas dos Trapps Siberianos, ou províncias magmáticas siberianas, e também argumenta que a extensa queima de carbono na Sibéria acarretou a extinção no Permiano-Triássico.

    Mais:

    Extinção de dinossauros por queda de asteroide seria inevitável?
    Lêmures e baleias aumentam lista de animais em perigo de extinção
    Supernova a 65 anos-luz da Terra pode ter desencadeado extinção em massa há 359 milhões de anos
    Quase 40% das plantas do mundo estão ameaçadas de extinção, revela pesquisa
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar