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    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)
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    Em um estudo preliminar, a vacina CoronaVac provou ser 50% eficiente contra a variante brasileira da COVID-19. Para o médico Fernando Barros, entrevistado pela Sputnik Brasil, este foi um "resultado que nos deu alguma esperança".

    Em meio às más notícias das frentes de batalha contra a COVID-19 no Brasil, um estudo divulgado nesta quarta-feira (7) amenizou o noticiário. Cientistas do grupo Vebra, que reúne pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, afirmaram que a CoronaVac é 50% eficiente contra a variante P.1 do coronavírus.

    O imunizante fabricado pelo Instituto Butantan e pela farmacêutica chinesa Sinovac foi submetido a um estudo feito com 67.718 trabalhadores da área da saúde de Manaus. A pesquisa ainda não avaliou a efetividade após a aplicação da segunda dose, porém, para o médico epidemiologista da UFPEL, Fernando Barros, "a tendência é que o efeito seja ampliado".

    No Rio de Janeiro, a enfermeira Adélia Maria dos Santos segura a carteira de vacinação enquanto aguarda o momento da aplicação das primeiras doses no estado da vacina CoronaVac contra a COVID-19, em 18 de janeiro de 2021
    © Folhapress / Claudia Martini
    No Rio de Janeiro, a enfermeira Adélia Maria dos Santos segura a carteira de vacinação enquanto aguarda o momento da aplicação das primeiras doses no estado da vacina CoronaVac contra a COVID-19, em 18 de janeiro de 2021

    Uma vacina eficaz contra a variante de Manaus

    O médico avaliou que "esse é um estudo preliminar, são resultados iniciais analisados com uma metodologia complexa de casos e controles, e sugere que com uma dose da CoronaVac, há alguma redução de casos sintomáticos de COVID-19".

    O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em entrevista à Agência Brasil, disse que as pesquisas de campo estão comprovando a eficiência da vacina, assim como foi determinada a eficácia pelos estudos clínicos.

    Ainda comentando o estudo, Fernando Barros celebrou os resultados, porém, fez um alerta: "Em Manaus, onde o estudo foi feito no início do ano, a variante P.1 já era dominante, embora não tenha havido nenhum tipo de genotipagem das pessoas que participaram deste estudo".

    Enfermeiros carregam cilindros de oxigênio em hospital de Manaus (AM). Familiares de internados precisam comprar oxigênio para manter os seus parentes vivos.
    © Folhapress / Junio Matos/A Crítica
    Enfermeiros carregam cilindros de oxigênio em hospital de Manaus (AM). Familiares de internados precisam comprar oxigênio para manter os seus parentes vivos.

    A genotipagem do vírus serve para identificar os tipos de cepas do novo coronavírus que estão circulando em território manauara. Fernando Barros entende que, apesar disso, os resultados da pesquisa "são animadores". Segundo ele, "me parece um resultado que nos dá alguma esperança", e a tendência é que com a segunda dose, o efeito deva ser ampliado, "mas é preciso esperar".

    As vacinas são pensadas nas variantes?

    A questão da espera tende a aborrecer uma população confinada há um ano, sempre à espera de uma solução "milagrosa" que resolva todos os problemas da COVID-19. O médico explicou que é preciso ter calma, que "as vacinas disponíveis atualmente são produzidas pensando no vírus original".

    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus
    © REUTERS / NIAID / NIH / Handout
    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus

    "Essas vacinas que estão sendo empregas, quando elas foram testadas, não haviam as variantes que estão sendo muito prevalentes", explicou.

    Ele ainda explicou que, no caso da CoronaVac, "pensa-se que essas vacinas de vírus inteiro talvez possam ser um pouco mais efetivas contra as variantes, porque elas não usam somente um material da proteína da coroa do Spike".

    A CoronaVac é um imunizante composto por um vírus inativado, o que significa que ela possui todas as partes do vírus. Isso pode gerar uma resposta imune mais abrangente em relação ao que ocorre com outras vacinas que utilizam somente uma parte da proteína Spike.

    Funcionários do Instituto Butantan trabalham na produção da vacina contra o coronavírus CoronaVac
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Funcionários do Instituto Butantan trabalham na produção da vacina contra o coronavírus CoronaVac

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)

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    Tags:
    médicos, Manaus, pandemia, Vacina CoronaVac, vacina, Brasil, COVID-19
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