13:54 02 Agosto 2021
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    252
    Nos siga no

    A atividade da frota chinesa nos últimos dois anos no recife de Whitsun desafia a explicação dada por Pequim para a presença dos navios no local, afirma think tank norte-americano.

    A China manteve uma presença sustentada em torno de um disputado recife do mar do Sul da China por dois anos, de acordo com um think tank com sede em Washington, EUA, apesar das alegações de Pequim de que seus navios estavam apenas abrigados na área.

    Em março, as Filipinas relataram que mais de 200 navios da milícia chinesa estavam ancorados no recife de Whitsun, chamado de recife Julian Felipe nas Filipinas, e divulgou fotos e vídeos das embarcações.

    Alguns dos cerca de 220 navios chineses, reportados pela Guarda Costeira das Filipinas, que seriam tripulados por milícias marítimas chinesas perto do recife de Whitsun, mar do Sul da China, 7 de março de 2021
    © REUTERS . Guarda Costeira das Filipinas
    Alguns dos cerca de 220 navios chineses, reportados pela Guarda Costeira das Filipinas, que seriam tripulados por milícias marítimas chinesas perto do recife de Whitsun, mar do Sul da China, 7 de março de 2021

    A Iniciativa de Transparência Marítima da Ásia (AMTI, na sigla em inglês) do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), analisou as imagens e identificou 14 navios. Nove dessas embarcações estiveram no recife de Whitsun várias vezes desde 2019, afirma a AMTI.  

    "Tal como acontece com outras mobilizações de milícias conhecidas, o comportamento dessas embarcações desafia qualquer explicação comercial. A maioria permaneceu na área por semanas, ou até meses, ancorados em grupos, sem se envolver em qualquer atividade de pesca", lê-se no relatório da AMTI divulgado na quarta-feira (21).

    Zona disputada

    Whitsun é um recife em forma de V em uma região rasa de corais no arquipélago das ilhas Spratly, ricas em recursos e que é reivindicada tanto por Pequim quanto por Manila.

    De acordo com a AMTI, os 14 navios, todos da província de Guangdong, no sul da China, foram primeiro rastreados patrulhando o recife Union Banks, que também faz parte das ilhas Spratly, no início de 2019.

    Satélite fotografa navios pesqueiros no recife de Whitsun, 23 de março de 2021
    © REUTERS / Maxar Technologies
    Satélite fotografa navios pesqueiros no recife de Whitsun, 23 de março de 2021

    Após as Filipinas terem relatado mais de 200 navios chineses perto do recife Whitsun, a China insistiu que esses navios eram barcos de pesca civis que se protegiam do mau tempo e que "não tinham planos" de ficar lá permanentemente. Para a AMTI, todavia, essa explicação não convence.

    "Muitos [navios] são de [pesca de] arrasto que, por definição, têm de se deslocar para pescar. E o céu azul desmascarou a desculpa inicial da embaixada chinesa em Manila de que eles estavam enfrentando uma tempestade", explica o think tank.

    A presença dos navios chineses aumenta a preocupação sobre se Pequim está enviando milícias marítimas, navios de pesca em serviço paramilitar, conforme exigido pela lei chinesa, para obter o controle das águas contestadas.

    Além das Filipinas e da China, Vietnã e Taiwan também têm reivindicações sobre o Union Banks e o recife Whitsun.

    Mais:

    Destróier Type 055 se junta a grupo de navios chineses no mar do Sul da China pela 1º vez
    EUA enviam porta-aviões ao mar do Sul da China em meio a tensões entre Pequim e Manila
    EUA e Filipinas começam exercício militar conjunto em meio a tensões no mar do Sul da China (FOTOS)
    Orçamento bilionário de Biden para indústria de chips deixa Coreia do Sul dividida entre China e EUA
    Tags:
    China, Filipinas, recife, Mar do Sul da China, navio, barco, barco pesqueiro
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar