00:44 04 Julho 2020
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    O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, realiza visitas de Estado ao Cazaquistão e Uzbequistão. O que os EUA querem da Ásia Central e quais as reais ofertas que Washington pode fazer para reduzir a influencia de Rússia e China na região?

    Neste domingo (02), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visitou a capital do Cazaquistão, Nursultan, para encontros de alto nível. Nesta segunda-feira (03), o secretário segue para Tashkent, capital do Uzbequistão.

    De acordo com Seymour Mammadov, diretor do clube internacional de especialistas EurAsiaAz, os principais pontos na agenda de Pompeo na região são a retirada de tropas dos EUA do Afeganistão e a contenção da influência da Rússia e China na Ásia Central.

    Os Estados Unidos planejam retirar as suas tropas do Afeganistão em um futuro próximo. Nesse contexto, o Uzbequistão tem desempenhado um papel chave nas negociações e na reestruturação da economia afegã, disse Mammadov.

    Enquanto os norte-americanos se engajam em diálogo com o Talibã na cidade de Doha, no Qatar, Tashkent estaria encarregada de persuadir o Talibã a iniciar negociações com o governo afegão, em Cabul, reportou o canal chinês CGTN.

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, encontra família cazaque em uma iurta, na residência do Embaixador dos EUA em Nursultan, em 2 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Kevin Lamarque
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, encontra família cazaque em uma iurta, na residência do Embaixador dos EUA em Nursultan, em 2 de fevereiro de 2020

    O segundo ponto na agenda dos EUA, a contenção da Rússia e China, é um pouco mais complexo e traria resultados somente no longo prazo, aponta o analista.

    Para isso, os EUA apostam no aumento da influência econômica norte-americana. Durante a sua visita ao Cazaquistão, Mike Pompeo defendeu a abertura do país para investimentos provenientes dos EUA.

    Para o secretário de Estado dos EUA, ao fazer parcerias com os norte-americanos, os países "obtém contratos justos, criação de emprego, transparência”, além de "empresas que se preocupam com o meio ambiente", defendeu.

    Além da distância geográfica, que dificulta uma presença americana mais robusta na Ásia Central, os EUA enfrentariam uma crise de credibilidade entre as repúblicas pós-soviéticas.

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (à esquerda) em conferência de imprensa conjunta com seu homólogo uzbeque, Kamilov Khafizovich, em 3 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Kevin Lamarque
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (à esquerda) em conferência de imprensa conjunta com seu homólogo uzbeque, Kamilov Khafizovich, em 3 de fevereiro de 2020

    O analista lembra que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prometeu conceder empréstimos de US$ 17,5 bilhões (cerca de R$ 74 bilhões) à Ucrânia, mas, no final, disponibilizou somente US$ 8,5 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões).

    O Banco Mundial também teria frustrado as expectativas de Kiev: ofereceu cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) para o período de 2015 a 2017, mas forneceu apenas cerca de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 8 bilhões).

    O modelo norte-americano de ajuda militar também pode parecer desinteressante para a Ásia Central. Os EUA vendem armas obsoletas para o Exército ucraniano, propondo créditos que devem ser pagos futuramente, o que parece render poucos benefícios para Kiev, argumenta Mammadov.

    Além disso, a influência econômica chinesa na região seria um obstáculo real à presença de Washington. Os EUA não têm um projeto da envergadura do chinês Nova Rota da Seda para competir por investimentos na região.

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, posa com seus homólogos do Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Turcomenistão, após reunião no formato C5+1, no dia 3 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Kevin Lamarque
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, posa com seus homólogos do Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Turcomenistão, após reunião no formato C5+1, no dia 3 de janeiro de 2020

    Ainda, os EUA teriam dificuldades de superar a influência político-militar de Moscou, que coopera com os países da região em organizações internacionais como a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO) e União Econômica da Eurásia (EAEU).

    "Washington parece ser o ator externo mais fraco na Ásia Central", concluiu, acrescentando que a União Europeia, Japão, Arábia Saudita e Coreia do Sul também teriam dificuldades em penetrar nessa região, rica em recursos naturais.

    Nesta segunda-feira (03), Mike Pompeo visitou a capital do Uzbequistão, Taskent, para reuniões com representantes do governo. Além disso, ministros das relações exteriores dos demais países da região –Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Cazaquistão- reuniram-se com o norte-americano, no formato C5+1.

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    Tags:
    EUA, China, Rússia, Quirguistão, Turcomenistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Cazaquistão
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