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    Os líderes de França, Alemanha, Rússia e Ucrânia, reunidos em Paris nesta segunda-feira (9) acordaram em adotar "medidas de apoio ao cessar fogo" no leste da Ucrânia e estabilizar a região até o fim deste ano.

    Em conferência de imprensa conjunta, o presidente francês Emmanuel Macron comemorou os resultados da reunião, que durou mais de nove horas:

    "Fizemos progresso significativo em desmobilização, troca de prisioneiros, cessar-fogo e evolução da situação política", disse Macron.   

    Dentre os resultados concretos do encontro estão a troca de pessoas detidas por ambos os lados, a criação de zonas de desengajamento e o aumento do número de pontos de trânsito na fronteira entre a Ucrânia e o Donbass, para, conforme ressaltou o presidente russo "não haja horas de filas para as milhares de pessoas comuns que vivem na região".

    "Não nos esqueçamos das pessoas que vivem lá, que nossos acordos devem estar voltados para melhorar a vida delas, não no futuro, mas agora", declarou Putin em Conferência de imprensa.

    A declaração final reafirma o compromisso das partes com os acordos de Minsk de 2015, que preveem a realização de eleições nas províncias de Donetsk e Lugansk, a fim de garantir o status autônomo dessas regiões.

    Segundo Macron, os Ministérios da Relações Exteriores dos países irão trabalhar nos próximos quatro meses para organizar eleições, que deverão ser monitoradas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

    Chanceler alemã Angela Merkel, presidente da França Emmanuel Macron e da Rússia, Vladimir Putin, durante a conferência de imprensa do dia 9 de dezembro de 2019
    © REUTERS / Charles Platiau
    Chanceler alemã Angela Merkel, presidente da França Emmanuel Macron e da Rússia, Vladimir Putin, durante a conferência de imprensa do dia 9 de dezembro de 2019

    Os acordos de Minsk também preveem mudanças na constituição ucraniana para garantir status autônomo e permanente à região de Donbass, onde estão localizadas as províncias de Donetsk e Lugansk.  

    O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, no entanto, lembra que existem alguns "princípios que não violarei na capacidade de presidente [...] como o caráter unitário do Estado ucraniano", declarou durante coletiva de imprensa.

    Presidente russo Vladimir Putin (à dir.) e o líder ucraniano Vladimir Zelensky (à esq.), com o anfitrião Emmanuel Macron ao centro
    © Sputnik / Alexei Nikolsky
    Presidente russo Vladimir Putin (à dir.) e o líder ucraniano Vladimir Zelensky (à esq.), com o anfitrião Emmanuel Macron ao centro

    A reunião do Quarteto foi a primeiro ocasião na qual Putin e Zelensky negociaram frente a frente. Após os encontros, o líder russo declarou estar "satisfeito" com o resultado dos encontros, que teriam sido "úteis" para a resolução do conflito no Donbass.  

    Os presidentes de Rússia e Ucrânia teriam acordado um acordo preliminar para permitir o trânsito de gás natural russo pela Ucrânia, outro ponto de contensão da agenda bilateral.

    A última vez que negociações no formato chamado "Quarteto da Normandia" foram realizadas foi em 2016. Desde então, processo de paz ficou estagnado, em parte pela postura anti-russa do ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

    A chanceler alemã, Angela Merkel, agradeceu ao presidente recém-eleito da Ucrânia pela "mudança de estratégia", conforme declarou durante a conferência de imprensa.

    Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, durante a conferência de imprensa do Quarteto da Normandia, em 9 de dezembro de 2019
    © Sputnik / Aleksei Nikolsky
    Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, durante a conferência de imprensa do Quarteto da Normandia, em 9 de dezembro de 2019

    Os líderes devem reunir-se novamente dentro de quatro meses, para avaliar os avanços rumo à declaração de cessar fogo completo e à celebração de eleições em Donetsk e Lugansk.

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    Tags:
    Donetsk, Lugansk, Donbass, Ucrânia, Quarteto da Normandia, Acordos de Minsk
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