03:11 10 Julho 2020
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    O líder russo Vladimir Putin se encontrou nesta segunda-feira com o colega ucraniano Vladimir Zelensky pela primeira vez na cúpula de Paris, com o objetivo de acordar medidas para ajudar a terminar o conflito no leste da Ucrânia que já dura cinco anos.

    Nenhum acordo de paz abrangente era esperado da reunião - mediada pelo presidente francês Emmanuel Macron e pela chanceler alemã Angela Merkel -, mas diplomatas esperam que a cúpula ajude a reforçar a confiança entre as duas lideranças.

    As negociações de quatro vias no Palácio do Eliseu devem ser seguidas por um encontro bilateral muito aguardado entre Putin - no poder por duas décadas - e Zelensky, que conquistou a presidência este ano.

    Milhares foram mortos e um milhão fugiu de suas casas desde que milícias contrárias ao governo de Kiev no leste da Ucrânia lançaram uma tentativa de independência em 2014 - dando início a um conflito que aprofundou o afastamento da Rússia do Ocidente.

    Protestos na Ucrânia contra fórmula Steinmeier relacionada a eleições nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk
    © Sputnik / Stringer
    Protestos na Ucrânia contra "fórmula Steinmeier" relacionada a eleições nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk

    Independentistas assumiram o controle das regiões de Donetsk e Lugansk logo após o referendo que reunificou a Crimeia, então parte do território ucraniano, à Rússia.

    A questão da Crimeia, cuja reunificação deu a Putin um aumento de popularidade em casa, mas levou à imposição de sanções internacionais contra Moscou, não esteve em discussão nesta cúpula em Paris.

    Os objetivos do encontro incluíram concordar em dissolver milícias ilegais, a saída de combatentes estrangeiros de Donetsk e Lugansk e a Ucrânia retomar o controle de sua fronteira com a Rússia, de acordo com uma fonte presidencial francesa.

    As partes também consideram importante concordar com um calendário para as eleições municipais locais em Donetsk e Lugansk, de acordo com a lei ucraniana, com as duas regiões desfrutando de status especial - uma ideia conhecida como Fórmula de Steinmeier.

    "Se a reunião de cúpula for significativa, deve ter um resultado, e o resultado deve estar muito na fórmula de Steinmeier", disse Gerhard Mangott, professor de relações internacionais da Universidade de Innsbruck, na Áustria.

    Ganhos para os dois lados

    O ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Vadim Pristaiko, reafirmou as principais exigências de seu país de um "cessar-fogo total e permanente, nosso controle sobre as fronteiras de um Estado unitário e indivisível, o desarmamento e o desmantelamento de grupos armados ilegais, eleições locais de acordo com nossa legislação".

    O Kremlin enviou sinais de que está pronto para trabalhar com Zelensky, a quem Putin descreveu como "agradável" e "sincero". Mas o líder russo também não vai querer voltar de mãos vazias e pressionará pelo alívio das sanções.

    O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse ao grupo de jornais Funke que "precisamos fazer tudo o que pudermos [...] para avançar no processo de paz ucraniano" e descreveu o conflito como "uma ferida purulenta na Europa".

    Maas elogiou Zelensky por trazer "novo ímpeto" às negociações, acrescentando que "para progredir nos próximos passos difíceis, a Rússia também precisa agir".

    "Continua o problema de confiança entre as partes", pontuou a fonte presidencial francesa, que pediu para não ser identificada pelo nome. "Isso precisa ser criado antes que possamos avançar".

    A cúpula desta segunda-feira é a primeira do gênero em três anos e busca implementar acordos assinados em Minsk em 2015 que exigem a retirada de armas pesadas, a restauração do controle de Kiev sobre suas fronteiras, maior autonomia para Donetsk e Lugansk e a realização de eleições locais.

    A cúpula é um evento extremamente delicado para todos os envolvidos, mas principalmente para Zelensky, que está sob pressão para não ceder terreno ao Kremlin. Cerca de 200 manifestantes passaram a noite em tendas do lado de fora do gabinete do presidente ucraniano, tentando pressionar Zelensky a não "capitular" a seu colega russo.

    Troca de prisioneiros entre Kiev e Donbass, região de Lugansk
    © Sputnik / Sergei Averin
    Troca de prisioneiros entre Kiev e Donbass, região de Lugansk

    O líder ucraniano - que chegou ao poder após estrelar um programa de comédia sobre um professor da escola que de repente se torna presidente - adotou um tom realista antes das negociações.

    "Quero voltar com resultados concretos, mas entendemos que não podemos ter tudo. A reunião já é uma vitória. Desde 2016, não houve diálogo", comentou.

    Para Macron, a cúpula é a peça central de uma política externa cada vez mais ousada que ele está conduzindo, apesar dos problemas em casa, onde os trabalhadores dos transportes estão em greve há dias em uma disputa por reformas nas pensões.

    Macron, que chocou os aliados da OTAN no mês passado ao declarar a aliança com morte cerebral, deixou clara sua crença de que a Europa precisa de uma parceria estratégica com a Rússia.

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    Tags:
    conflito ucraniano, Minsk, Acordos de Minsk, Quarteto da Normandia, Angela Merkel, OTAN, Emmanuel Macron, Heiko Maas, Vladimir Zelensky, Vladimir Putin, diplomacia, Crimeia, Lugansk, Donetsk, França, Paris, Europa, Ucrânia, Rússia
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