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    Nesta terça-feira (21), o presidente dos EUA, Joe Biden, discursou no primeiro dia de debates da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Em meio às crescentes tensões com a China, o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou nesta terça-feira (21), durante a 76ª Assembleia Geral da ONU que os EUA "não buscam uma nova Guerra Fria".

    "Não estamos buscando uma nova Guerra Fria ou um mundo dividido em blocos rígidos [...]. Os EUA estão prontos para trabalhar com qualquer nação que se apresente e busque uma resolução pacífica para compartilhar desafios, mesmo que tenhamos divergências intensas em outras áreas", afirmou Biden aos líderes mundiais em Nova York, EUA.

    Afeganistão

    Em seu discurso nas Nações Unidas, o presidente Joe Biden defendeu a caótica retirada dos EUA do Afeganistão, argumentando que foi um passo necessário para impulsionar a política norte-americana para se concentrar em um desafio global dos sistemas antidemocráticos, a pandemia do novo coronavírus e as mudanças climáticas.

    "Acabamos com 20 anos de conflito no Afeganistão e ao encerrarmos esta era de guerra implacável, estamos abrindo uma nova era de diplomacia implacável", disse Biden.

    O presidente norte-americano observou que é movido pela crença de que "para entregar para nosso próprio povo, devemos também nos envolver profundamente com o resto do mundo".

    Presidente Joe Biden e primeira-dama Jill Biden olham para um caixão com os restos de um soldado americano transportado do Afeganistão, base aérea de Dover, EUA, 29 de agosto de 2021
    © AP Photo / Carolyn Kaster
    Presidente Joe Biden e primeira-dama Jill Biden olham para um caixão com os restos de um soldado americano transportado do Afeganistão, base aérea de Dover, EUA, 29 de agosto de 2021

    Biden acrescentou que o mundo enfrenta uma década decisiva, com uma variedade de problemas que vão desafiar "nossa capacidade de reconhecer nossa humanidade comum". Para Biden, "em vez de continuar lutando nas guerras do passado, estamos fixando nossos olhos" em adversidades como a pandemia global, as mudanças climáticas, ameaças cibernéticas e a mudança da "dinâmica de poder global".

    Financiar segurança sanitária global

    O mundo precisa de um novo mecanismo de financiamento para a segurança da saúde global a fim de monitorar e prevenir futuras pandemias, como a atual do novo coronavírus, alertou Biden.

    "Para o futuro, precisamos criar um novo mecanismo para financiar a segurança da saúde global que se baseie em nossa assistência ao desenvolvimento existente e um conselho global de ameaças à saúde que esteja armado com as ferramentas de que precisamos para monitorar e identificar pandemias emergentes para que possamos tomar medidas imediatas", ponderou o presidente norte-americano no seu discurso na 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

    Paciente recebe dose da vacina Pfizer/BioNTech contra a doença do SARS-CoV-2 (COVID-19) em centro médico de Nova York, EUA, 13 de maio de 2021
    © REUTERS / Shannon Stapleton
    Paciente recebe dose da vacina Pfizer/BioNTech contra a doença do SARS-CoV-2 (COVID-19) em centro médico de Nova York, EUA, 13 de maio de 2021

    Estado palestino

    Joe Biden defendeu que um Estado palestino soberano e democrático é a "melhor maneira" de garantir o futuro de Israel.

    "O compromisso dos EUA com a segurança de Israel é indiscutível [...]. Mas continuo a acreditar que uma solução de dois Estados é a melhor maneira de garantir o futuro de Israel como um Estado judeu democrático, vivendo em paz ao lado de um Estado palestino viável, soberano e democrático", avaliou.

    Todavia, o presidente dos EUA reconhece que "estamos muito longe desse objetivo neste momento, mas nunca devemos nos permitir desistir da possibilidade de progredir".

    Presidente dos EUA, Joe Biden (d), com o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett na Casa Branca em 27 de agosto de 2021
    © AFP 2021 / POOL/Getty Images
    Presidente dos EUA, Joe Biden (d), com o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett na Casa Branca em 27 de agosto de 2021

    'Responder com firmeza' a ataques cibernéticos

    Os EUA se reservam o direito de responder de forma incisiva a ataques cibernéticos que ameacem seus interesses nacionais e os de seus parceiros, afirmou Joe Biden nesta terça-feira (21).

    "Nós nos reservamos o direito de responder com firmeza aos ataques cibernéticos que ameaçam nosso povo, nossos aliados, nossos interesses", alertou o presidente norte-americano na abertura da 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

    Retorno ao JCPOA

    Os EUA estão prontos para voltar a cumprir o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), também conhecido como acordo nuclear com o Irã, se Teerã concordar em fazer o mesmo, garantiu Joe Biden.

    "Os EUA continuam comprometidos em evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear. Estamos trabalhando com o P5+1 [grupo de países que engloba Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido e Rússia] para engajar o Irã diplomaticamente e buscar um retorno ao JCPOA. Estamos preparados para retornar ao cumprimento total se o Irã fizer o mesmo", afirmou o presidente dos EUA.
    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã
    © AP Photo / Brendan Smialowski
    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã

    Crise migratória

    Washington controlará a crise de imigrantes na fronteira entre EUA e México, disse Biden em resposta a uma pergunta após seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (21). "Vamos colocá-la sob controle", garantiu o presidente norte-americano.

    Patrulha de Fronteira dos EUA controla as margens do Rio Grande, que é a fronteira entre a cidade mexicana de Acuña e a norte-americana Del Rio, enquanto migrantes pretendem cruzar o rio, 20 de setembro de 2021
    © REUTERS / Daniel Becerril
    Patrulha de Fronteira dos EUA controla as margens do Rio Grande, que é a fronteira entre a cidade mexicana de Acuña e a norte-americana Del Rio, enquanto migrantes pretendem cruzar o rio, 20 de setembro de 2021

    A declaração vem na esteira de relatos de que quase 13.000 migrantes, principalmente do Haiti, chegaram à cidade fronteiriça de Del Rio, no estado norte-americano de Texas, ao longo da fronteira EUA-México na última semana. A situação obrigou o governo federal dos EUA a fechar a porta de entrada de Del Rio na semana passada, e permanece fechada.

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