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    Desde 1989 que os EUA escolheram um caminho de "endividamento", que se virará contra sua economia, a menos que o governo comece a reduzir sua carga de dívida, observa Charles Ortel, analista de Wall Street.

    A dívida nacional dos EUA agora ultrapassa os US$ 123 trilhões (R$ 669,7 trilhões), incluindo promessas não financiadas da Previdência Social e do Medicare (sistema de seguros de saúde norte-americano), ultrapassando em muito o valor oficial de US$ 28 trilhões (R$ 152,5 trilhões), notou em 15 de abril a Verdade em Contabilidade (TIA, na sigla em inglês), um think tank norte-americano não partidário.

    A dívida equivale a um fardo de US$ 796 mil (R$ 4,33 milhões) para cada contribuinte federal, destaca a TIA.

    O think tank examinou o recentemente divulgado Relatório Financeiro do Governo dos EUA (FRUSG, na sigla em inglês) para o ano fiscal de 1º de outubro de 2019 a 30 de setembro de 2020.

    Devido aos empréstimos relacionados à COVID-19, a condição financeira geral do governo norte-americano "piorou em US$ 9,84 trilhões [R$ 53,58 trilhões] em 2020", observa à Sputnik a TIA, apontando que se Washington "estivesse devidamente preparada para uma crise com um verdadeiro fundo de poupança, não teria que pedir empréstimos".

    "A estimativa citada acima é provavelmente exagerada na medida em que os pagamentos aos aposentados são compensados, em um grau substancial, pelas contribuições feitas pelos empregadores e pelos empregados", sugere Charles Ortel, analista de Wall Street e jornalista investigativo.

    "Em algum momento, os políticos serão forçados a aumentarem as contribuições ou o sistema de Previdência Social entrará em colapso, pondo em perigo e enfurecendo o poderoso grupo de eleitores engajados, que estão aposentados ou que estão para se aposentar em breve", refere o especialista.

    Ainda assim, o analista expressa a preocupação de que "os participantes da economia dos Estados Unidos adotaram empréstimos em níveis e de formas bastante perigosos para o nosso país, para países que imitam este comportamento arriscado e, na verdade, para o mundo inteiro".

    Nota de dólar norte-americano (foto de arquivo)
    © REUTERS / Dado Ruvic
    Nota de dólar norte-americano (foto de arquivo)

    Ortel explica que o empréstimo pode ser prudente se as somas emprestadas forem investidas em projetos que de fato proporcionem fluxos suficientes para pagarem os juros e as somas principais devidas.

    "Mas, emprestar para financiar esquemas ou projetos que não podem ser controlados ou gerenciados adequadamente abre portas mais amplas para a corrupção, o tráfico de influência e, eventualmente, para a falência, como já aconteceu demasiadas vezes na história moderna e mais antiga", adverte ele.

    "Políticos de todo o espectro continuam abraçando a falsa noção de que podemos sair do nosso fardo de dívida com crescimento, sem dor", escreve Ortel, acrescentando que o país "deve reduzir sua carga de dívida, e não simplesmente diminuir sua taxa de aumento".

    Planos do governo dos EUA

    Enquanto isso, a administração do presidente norte-americano, Joe Biden, continua aumentando os gastos federais, incluindo o pacote de ajuda de US$ 1,9 trilhão (R$ 10,66 trilhões), principalmente contra a COVID-19, e sua proposta de infraestrutura e clima multitrilionária, que ainda está sob consideração no Congresso norte-americano.

    "Até que você fique sem dinheiro, é sempre fácil gastar o dinheiro de outra pessoa", realça Charles Ortel sobre a onda de gastos do governo federal.

    Homem de negócios e edifícios de escritórios refletidos em um quadro eletrônico mostrando um gráfico da taxa de câmbio do iene japonês em relação ao dólar dos EUA fora de uma corretora em Tóquio, Japão, 20 de abril de 2016
    © REUTERS / Toru Hanai
    Homem de negócios e edifícios de escritórios refletidos em um quadro eletrônico mostrando um gráfico da taxa de câmbio do iene japonês em relação ao dólar dos EUA fora de uma corretora em Tóquio, Japão, 20 de abril de 2016

    Biden insiste que o plano de infraestrutura será financiado por aumentos de impostos, mas esta abordagem pode atrasar a economia, adverte os conservadores norte-americanos e especialistas em impostos:

    "O governo Biden ainda não provou isso, e estudos econômicos, incluindo os do Escritório de Orçamento do Congresso [CBO, na sigla em inglês], indicam que os benefícios do plano de infraestrutura de Biden não compensarão o custo para a economia pelo aumento dos impostos", avisou em 31 de março Scott A. Hodge, presidente do think tank Tax Foundation.

    As tentativas de Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, de convencer outros países a adotarem uma taxa mínima global de impostos corporativos indica que a administração Biden não está certa de que seu plano funcionará, e que as empresas norte-americanas não fugirão para o exterior, para paraísos fiscais.

    "Desde 1989, os Estados Unidos e outras nações aliadas têm praticado uma forma de 'capitalismo' que depende demais da dívida, e não gera equidade suficiente [ações ordinárias ou preferenciais]", diz Ortel.

    "Esta prática, embora seja tecnicamente 'capitalismo', é melhor chamada de 'endividamento'. Complicando o perigoso processo de empréstimos excessivos, os EUA não estão investindo somas emprestadas em projetos inteligentes, mas, em vez disso, estão principalmente deixando que essas dívidas aumentadas financiem o custo de vida e/ou juros financeiros."

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    Tags:
    EUA, Wall Street, Janet Yellen, Departamento de Tesouro dos EUA, CBO, Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO), Charles Ortel, COVID-19, Joe Biden, tia
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