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    O dólar teve queda devido ao anúncio por veículos de imprensa norte-americanos de possível vitória do candidato democrata Joe Biden.

    Embora os resultados das eleições ainda não sejam oficiais, economistas acreditam que a desvalorização do dólar é uma tendência em longo prazo e que existem vários fatores implicados.

    O índice do dólar norte-americano DXY, que reflete o dólar em relação ao euro, à libra esterlina, ao iene japonês e a outras moedas do mundo, se encontra em um de seus níveis mais baixos desde o início de setembro. Analistas preveem que a desvalorização do dólar é algo inevitável depois de possível mudança de poder nos Estados Unidos.

    Flexibilizações no comércio prejudicarão o dólar?

    Se o Partido Democrata conseguir obter controle sobre o Senado e a Câmara dos Representantes, Biden pode implementar diversos planos para mudar o panorama fiscal norte-americano e aumentar a carga regulatória das empresas.

    Nesse caso, é pouco provável que Biden continue a política rígida comercial de Donald Trump, podendo impor impostos à importação, particularmente à China e à União Europeia. Segundo economistas do Citi Private Bank, o democrata pode voltar a construir alianças internacionais e deixar no passado as táticas de negociações baseadas em ameaças tarifárias, de acordo com CNBC.

    Essas mudanças beneficiariam algumas moedas, inclusive o rublo russo. No entanto, não favorecerá de nenhuma forma o dólar, já que o alívio da tensão comercial e uma política externa mais previsível e sem ameaças tarifárias reduziriam sua demanda como moeda de refúgio.

    Incentivos fiscais e taxas baixas, mas sem inversos?

    A possível vitória do democrata significaria um estímulo fiscal adicional para a economia norte-americana, prometendo um pacote de ajuda de quase US$ 3 bilhões (R$ 16,4 bilhões) para início de 2021.

    No entanto, no futuro isso pode causar o enfraquecimento do dólar porque aumentará o déficit orçamentário e empréstimos externos necessários para cobrir a desvalorização.

    Com injeções econômicas, o fornecimento de dinheiro do Serviço de Reserva Federal (Fed) dos EUA também aumentará. A flexibilidade quantitativa continuará, porque os dólares continuam sendo impressos. Isso estimulará a inflação, embora o Fed tenha mudado seu valor objetivo para 2% em média para não aumentar a taxa-chave se sua inflação superar as expectativas.

    Por outras palavras, o regulador pretende manter as taxas quase nulas, o que ajudará a economia, no entanto, terá impacto negativo sobre o dólar, já que, se investimentos em ativos em dólares pararão de ser rentáveis, investidores procurarão ganhos em outro lugar.

    A grande dívida norte-americana

    No início de novembro, economistas previram que o dólar poderia se desvalorizar em uns 15% no final de 2023, independentemente dos resultados das eleições.

    No entanto, enfraquecimento constante do dólar acontece desde 2017, quando Trump tomou posse, com queda de mais de 7% do índice DXY. Por isso, nem Trump nem Biden seriam uma garantia para a estabilização de uma política econômica que reforce o dólar.

    Além disso, em longo prazo, qualquer suspeita de que a dívida dos EUA está perdendo o controle aumentará os receios sobre o dólar, afetando, assim, suas únicas vantagens como principal moeda de reserva, sem mencionar que a situação de dívida pública e o déficit orçamentário atingiram US$ 3 bilhões (R$ 16,4 bilhões) e está a ponto de ser crítica.

    A dívida nacional dos Estados Unidos aumentou de 108% para 123% do PIB desde janeiro e continua crescendo.

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    Tags:
    Joe Biden, Donald Trump, investimento, dólar, economia, eua
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