22:07 04 Abril 2020
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    As obras no centro de pesquisa nuclear, que decorrem perto de La Paz e foram iniciadas durante o governo de Evo Morales, continuarão até o prazo previsto de conclusão em 2023.

    O governo boliviano e o grupo russo Rosatom garantiram que o prazo de 2023 para a inauguração do Centro de Pesquisa Nuclear que está sendo construído em El Alto será mantido, o que dará ao país sul-americano acesso à mais recente tecnologia para uso pacífico da energia atômica.

    "Nosso compromisso com o país é continuar com a construção dessas obras para que possamos entregá-las o mais rápido possível", disse o ministro da Energia, Rodrigo Guzmán, na conclusão de uma inspeção das obras, incluindo um centro de medicina nuclear que estava quase pronto para entrar em funcionamento.

    O prazo de 2023 para a entrada em funcionamento do complexo nuclear foi confirmado pelo gerente geral do projeto, Sergei Mousaelian, que chegou da Rússia para participar da inspeção das obras no distrito de Parcopata, em El Alto, cerca de 25 quilômetros do centro de La Paz.

    Esses anúncios esclareceram as dúvidas que haviam sido semeadas em meados de fevereiro por um anúncio da Agência Boliviana de Energia Nuclear (ABEN), a contraparte local, de que havia dado ordens para parar o projeto iniciado pelo governo anterior de Evo Morales.

    Guzmán assegurou que o governo transitório de Jeanine Áñez, que sucedeu ao deposto Morales em novembro de 2019, pretendia "continuar com estas obras que vão ser muito importantes [...] acompanhando de perto para que esta construção avance e seja concluída dentro do prazo previsto".

    Musaelian salientou que o anúncio da paralisação do projeto de mais de US$ 300 milhões (R$ 1,39 bilhão) não teve efeito.

    "Nunca paramos o trabalho, que será concluído em 2023, continuamos a trabalhar, continuamos a fornecer o equipamento, temos boas relações com o governo", disse ele através de uma tradutora.

    Detalhes da construção

    O centro nuclear boliviano em construção mais de 4.000 metros acima do nível do mar será o mais alto e moderno do mundo, segundo um recente relatório da Rosatom.

    © Sputnik / Pavel Lvov
    Usina nuclear flutuante Akademik Lomonosov

    O complexo terá uma unidade de cíclotron e radiofarmácia, uma planta de irradiação de alimentos e outros produtos, principalmente para mercados internacionais, e um reator nuclear para pesquisa e treinamento profissional.

    Os radiofármacos serão utilizados pelos três centros de medicina nuclear que a ABEN está construindo simultaneamente no país com tecnologia canalizada pela Argentina, um deles dentro do mesmo complexo.

    Estes projetos foram declarados paralisados no mês passado pelo então diretor da ABEN, Juan Alfredo Jordán, em um anúncio que pareceu surpreender a Rosatom, que disse nunca ter recebido notificação oficial da medida, que aparentemente nunca se materializou.

    Jordán tinha denunciado alegadas irregularidades derivadas de cláusulas de confidencialidade acordadas entre a Rosatom e o anterior governo de Evo Morales.

    O novo diretor da ABEN, Juan Carlos Vásquez, disse que não houve mudanças no projeto com a Rosatom.

    "Não há nenhum tipo de modificações, os contratos estão sendo respeitados, o governo está cumprindo suas obrigações, como tal, isto não foi interrompido em momento algum", disse ele.

    O ministro Guzmán acrescentou que estão em curso auditorias ao projeto nuclear.

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    Tags:
    Rússia, Bolívia, Rosatom
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