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Mídia: Pequim temia ataque por parte de Washington antes das eleições presidenciais dos EUA de 2020

© Foto / Marinha dos EUA / Especialista em Comunicação de Massa da Primeira Classe Jeremy GrahamDestróier de mísseis guiados norte-americano USS John S.McCain, da classe Arleigh Burke, transita pelo mar do Sul da China realizando operação de rotina
Destróier de mísseis guiados norte-americano USS John S.McCain, da classe Arleigh Burke, transita pelo mar do Sul da China realizando operação de rotina - Sputnik Brasil, 1920, 05.10.2021
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Segundo relatos da mídia dos EUA e da China, o comportamento imprevisível do ex-presidente norte-americano Donald Trump no final de 2020 e início de 2021 obrigou a um reforço de comunicação por Washington e Pequim.
Altos responsáveis do Exército de Libertação Popular (ELP) da China temiam que os EUA estivessem tentando levar Pequim a uma resposta militar no final de 2020 através de "provocações", disse na segunda-feira (4) o jornal South China Morning Post (SCMP).
O SCMP parece confirmar um memorando dado por Mark A. Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto, e o mais alto oficial militar dos EUA, ao Comitê de Serviços Armados do Senado em setembro, durante o primeiro de dois telefonemas a Li Zuocheng, seu homólogo do ELP, no qual o general norte-americano o assegurou que Washington não tinha planos de atacar Pequim.
O primeiro telefonema aconteceu em 30 de outubro de 2020, quatro dias antes das eleições presidenciais dos EUA.
Em seu livro "Peril" ("Perigo"), lançado em 21 de setembro de 2021, Bob Woodward e Robert Costa, jornalistas do jornal The Washington Post, detalharam uma série de conversas entre Milley e várias outras figuras da alta administração, incluindo os diretores das principais agências de inteligência e legisladores seniores.
Durante a discussão os militares e altos responsáveis concordaram em interditar qualquer ação de continuação por parte de Donald Trump, ex-presidente norte-americano (2017-2021), após a tentativa de assalto do Capitólio em Washington por seus apoiadores em 6 de janeiro.
Em 8 de janeiro de 2021 Milley se dirigiu a Li pela segunda vez, falando por 90 minutos, mas mesmo depois que Milley assegurou a Li que Trump não atacaria a China ou tentaria outra tomada de poder em Washington, Li "continuou estranhamente agitado", disse ele aos jornalistas do diário.
De acordo com o memorando de Milley, o ELP só começou a reduzir seus níveis de prontidão operacional em 30 de janeiro, dez dias após Biden ter tomado posse como presidente sob proteção de 26.000 soldados norte-americanos em Washington.

Tensões sino-americanas pré-eleitorais

"Os crescentes movimentos provocatórios dos militares dos EUA no mar do Sul da China significaram que Pequim não sabia como reagir, especialmente porque as especulações sobre uma 'surpresa de outubro' [promovida por Trump] se espalhavam e eram citadas pela mídia nacional e internacional", disse Zhou Chenming, pesquisador do instituto militar de ciência e tecnologia Yuan Wang em Pequim, ao SCMP.
"O que o ELP podia fazer era aumentar os níveis de prontidão operacional para lidar com as aeronaves e navios de guerra cada vez maiores enviados pelo Comando Indo-Pacífico dos EUA perto da China".
Em 21 de outubro de 2021, mídia internacional relatou que todos os cinco comandos de teatro do ELP estavam em "alerta máximo" como resposta às tensões regionais, levando Mark Esper, chefe do Pentágono, e outros altos responsáveis interagências, a instruir Milley a contatar seu homólogo, de acordo com o memorando.
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