Putin acredita que seria contraproducente impor condições externas ao Afeganistão

© Sputnik / Yevgeny Odinokov / Abrir o banco de imagensVladimir Putin, presidente da Rússia, participa de reunião com Angela Merkel, chanceler da Alemanha, em Moscou, Rússia, 20 de agosto de 2021
Vladimir Putin, presidente da Rússia, participa de reunião com Angela Merkel, chanceler da Alemanha, em Moscou, Rússia, 20 de agosto de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 20.08.2021
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Vladimir Putin, presidente da Rússia, indicou na sexta-feira (20) que se deve evitar que outros países imponham sua vontade no Afeganistão.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, comentou na sexta-feira (20) a situação no Afeganistão, dizendo que era necessário parar a imposição de valores externos e a construção de democracias em outros países.

"Deve-se parar com a política irresponsável de imposição de valores externos e tentativas de construir democracias em outros países de acordo com modelos alheios, sem consideração pelas particularidades históricas, nacionais e religiosas, e sem consideração pelas tradições pelas quais vivem outras nações", disse Putin em uma coletiva de imprensa após reunião com Angela Merkel, chanceler da Alemanha.

O apoio que o Talibã (organização terrorista, proibida na Rússia e em vários outros países) recebeu no Afeganistão foi maior que o desejável, referiu por sua vez Merkel.

"É preciso notar que os Talibãs receberam mais apoio do que gostaríamos. Agora teremos que negociar com eles, tentar fazê-lo e tentar salvar aqueles cujas vidas estão ameaçadas, para que possam deixar o país", comentou a chefe de Estado da Alemanha.

Ele acrescentou que a Rússia conhece o Afeganistão e "entendeu como este país está organizado e que é contraproducente tentar impor-lhe formas desconhecidas de governança e de vida social".

"Tais experimentos sociopolíticos nunca foram bem-sucedidos, e só levam à destruição dos Estados e à degradação de seus sistemas políticos e sociais", apontou o líder russo.

Segundo Putin, não se pode permitir a entrada de terroristas em países vizinhos do Afeganistão, incluindo sob o rótulo de refugiados.

A chanceler da Alemanha também exortou a comunidade global a combater o ressurgimento do terrorismo no Afeganistão, apesar das mudanças positivas nesse âmbito que ocorreram no país nas duas últimas décadas.

"Em relação ao Afeganistão, gostaria de lembrar o ponto de partida, os ataques terroristas de 11 de setembro [de 2001] em solo americano. Isso levou ao início da luta contra o terrorismo, seguiram-se as operações da missão da OTAN, e a situação do terrorismo no Afeganistão melhorou em comparação com aquela época."

Angela Merkel também pediu a Moscou que "nas conversações com o Talibã [...] apontasse as questões da ajuda humanitária da ONU no Afeganistão para garantir essa ajuda humanitária. De nossa perspectiva, aquelas pessoas que nos ajudaram, a Bundeswehr [Exército da Alemanha], a polícia federal, devem obter a possibilidade de deixar o Afeganistão".

A situação no Afeganistão se agravou nas últimas semanas com o avanço do Talibã sobre as grandes cidades, com notícias de que os militantes controlam todos os postos fronteiriços. Os militantes acabaram entrando em Cabul e tomaram o palácio presidencial.

A evacuação do pessoal estrangeiro e dos afegãos que trabalharam para missões estrangeiras está sendo realizada através do único aeroporto de Cabul, que é detido pelos EUA e outros países da OTAN.

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