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Reino Unido é o maior consumidor europeu de conteúdo extremista, aponta estudo

© REUTERS / Dado RuvicLogos 3D do Twitter e Youtube com a bandeira do Daesh em fundo
Logos 3D do Twitter e Youtube com a bandeira do Daesh em fundo - Sputnik Brasil
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Um relatório emitido pelo think tank britânico Policy Exchange sugeriu que a Grã-Bretanha é o maior mercado de propaganda extremista da Europa e exigiu restrições ao conteúdo de redes sociais como resultado.

A população do Reino Unido é a quinta maior audiência mundial de conteúdo extremista no mundo (e a maior da Europa) depois da Turquia, dos EUA, da Arábia Saudita e do Iraque, de acordo com o estudo "The New Netwar" emitido pelo think tank britânico Policy Exchange.

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O relatório de 130 páginas mostra que o Daesh (autodenominado Estado Islâmico) produziu mais de 100 novos artigos, vídeos e jornais por semana, apesar de estar em retirada no Iraque e na Síria. Se confirmado, o estudo poderia indicar que afirmações sobre o declínio de influência do grupo foram "significativamente exageradas".

A propaganda terrorista é divulgada através de um "vasto ecossistema" de plataformas, incluindo serviços de compartilhamento de arquivos, plataformas de mensagens criptografadas e redes sociais como Facebook, Google+ e Twitter.

No prefácio do relatório, o general David Petraeus disse que os esforços para combater o extremismo on-line eram "inadequados".

"[O bombardeio em Parsons Green] simplesmente ressalta mais uma vez a natureza sempre presente desta ameaça. Não há duvidas da urgência deste assunto. O status quo claramente é inaceitável", escreveu o ex-chefe militar americano.

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Além disso, o relatório sugeriu que novas leis deveriam criminalizar a "posse agravada e / ou o consumo persistente" de ideologia extremista, observando imagens de abuso infantil de forma semelhante, com sanções mais severas para os casos mais sérios. Nos termos da Secção 58 da Lei do Terrorismo de 2000, é uma ofensa possuir informações que possam ajudar um terrorista, mas não material que glorifique o terrorismo.

​Em uma pesquisa realizada pelo próprio Policy Exchange com mais de 2.000 adultos no Reino Unido, 74% das pessoas apoiaram essas propostas.

Coincidência

A publicação do relatório não poderia ser mais oportuna para o governo do Reino Unido, pois coincide com um impulso renovado da primeira-ministra Theresa May para obrigar as empresas de internet a bloquear o "conteúdo extremista" sendo compartilhado em redes sociais e outras plataformas da web. Em particular, o governo deseja segmentar "disseminadores" — plataformas como Twitter, através das quais o conteúdo é compartilhado; "lojas de conteúdo", como o YouTube; e "agregadores", como o WordPress.

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Seja fortuito ou não, é incontornável o histórico estabelecido do Policy Exchange de apoio indireto à política governista — e investigações questionáveis ​​sobre o extremismo islâmico.

Mesmo se posicionando como um grupo independente, a organização foi dragada para as entranhas do establishment político do Reino Unido e frequentemente acusada de atuar como um porta-voz legítimo para a política do governo. O primeiro diretor foi Nick Boles, um ex-membro do Conselho da Cidade de Westminster, considerado parte do "Set Notting Hill" — um grupo informal de conservadores reformistas ligados ao ex-primeiro-ministro David Cameron.

As conexões de Boles com o partido conservador moderno não terminam — ele já compartilhou um apartamento com o ex-Secretário de Educação, Michael Gove, e é signatário da declaração de princípios da Henry Jackson Society, uma organização neoconservadora do Reino Unido que conta com muitos parlamentares conservadores antigos e novos entre seus membros.

Histórico conturbado

Em outubro desse ano, o Policy Exchange publicou o que afirmou ser a "pesquisa acadêmica mais abrangente" da literatura extremista produzida no Reino Unido.

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O think tank despachou quatro equipes secretas para cerca de 100 mesquitas em toda a Grã-Bretanha e afirmou ter encontrado material radical a venda em 25% das instituições pesquisadas. O relatório recomendou que as autoridades britânicas finalizem suas relações com o Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, a Fundação Islâmica e o Fórum de Segurança Muçulmana.

As descobertas do relatório foram amplamente abordadas na mídia britânica e o programa sobre política Newsnight da BBC tinha a intenção de exibir um especial sobre as descobertas. Os jornalistas do Newsnight, porém concluíram que o relatório se baseou, pelo menos em parte, em evidências fabricadas.

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A equipe da BBC levantou preocupações sobre cinco recibos, referentes à compra de literatura extremista de mesquitas separadas.Em todos os cinco casos, as mesquitas envolvidas disseram que os recibos não eram deles e análises de especialistas mostraram que todos os cinco foram impressos em uma impressora a jato de tinta, sugerindo que eles foram criados em um PC.

Além disso, havia uma forte evidência de que dois dos recibos foram escritos pela mesma pessoa. O Policy Exchange posteriormente removeu o relatório de seu site e emitiu uma desculpa pública a algumas mesquitas implicadas no material.

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