Dinamarca teme 'mão de ferro' russa em jogo pelo Ártico

© Sputnik / Valery Melnikov / Abrir o banco de imagensExercícios de uma unidade para operações especiais da República da Chechênia perto do Polo Norte
Exercícios de uma unidade para operações especiais da República da Chechênia perto do  Polo Norte - Sputnik Brasil
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Mesmo Dinamarca e Rússia estarem seguindo o rumo das negociações bem-sucedidas quanto à disputa territorial no Ártico, Copenhague está se preparando para eventuais tensões, já que há grandes chances de Moscou conseguir revisão do seu pedido à Comissão da ONU 5 a 10 anos mais cedo que os dinamarqueses.

De acordo com o Serviço Dinamarquês de Segurança e Inteligência (FE), Dinamarca deve estar preparada para a eventual troca de estratégia pacífica russa para a de ‘mão de ferro' no âmbito do confronto relacionado ao Polo Norte, comunicou o jornal diário dinamarquês Berlingske.

"Este pode ser o maior ponto de interesse nas relações russo-dinamarquesas", disse o FE em seu principal relatório sobre os desafios da segurança nacional até 2030.

A batalha pelo Ártico e por inúmeros recursos naturais da zona intensificou em sintonia com a mudança do clima: o gelo está se derretendo, e, consequentemente, as oportunidades para criar novos roteiros marítimos ao longo da Passagem do Nordeste crescem.

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Dinamarca e Rússia têm apresentado suas reivindicações quanto ao leito marítimo que cerca o Polo Norte. Algumas das áreas disputadas se coincidem, sendo que a Rússia está em vantagem, destacou o FE.

De acordo com o FE, a Rússia deve obter resposta da Comissão das Nações Unidas sobre os Limites da Plataforma Continental em 2017, enquanto a Dinamarca a receberá, na melhor das hipóteses, em 2022 ou 2023. O FE advertiu que isto permitirá à Rússia tirar partido desta vantagem.

"Durante este período interino, a Rússia pode recorrer às manifestações e sinalizações de caráter militar, o que talvez seja um motivo de tensão nas relações russo-dinamarquesas", alerta o FE.

Claus Mathiesen, professor associado e especialista da Academia Dinamarquesa de Segurança, sublinhou que o governo russo de Vladimir Putin tem se interessado em seguir a pauta das negociações, mas se questiona: "Será que isso vai ter alguma relevância quando os russos receberem resposta da ONU mais rapidamente que os outros competidores?".

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Jorgen Staun, especialista em assuntos russos e da região do Ártico da Academia Dinamarquesa de Segurança, acredita que os russos encontrarão uma maneira de tirar lucros desta situação. De acordo com Staun, é provável que a Rússia reforce a ideia entre os seus cidadãos de ela "ter direito" à expansão territorial no Ártico, sinalizando ao resto do mundo que suas reivindicações serão quase impossíveis de serem descartadas.

No entanto, o porta-voz para os assuntos externos do Partido Liberal, Michael Aastrup Jensen, sublinhou a existência de um pequeno problema preocupante.

"Ao falarmos sobre o Ártico, a Rússia tomará um caminho diplomático. Entretanto, não temos motivos para confiar", disse Aastrup Jensen citado pelo Berlingske.

Ex-chanceler dinamarquês, Martin Lidegaard, concordou que a Rússia pode tentar se aproveitar da sua posição de vantagem. Entretanto, segundo ele, evitar confronto no Ártico é um dos interesses da Rússia.

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"Os russos precisam de um desenvolvimento político estável no Ártico assim que eles recorram à extração de recursos minerais, por essa razão não acho que seja sábio desencadear tensões", enfatizou.

Em 2014, Dinamarca apresentou seu pedido à Comissão das Nações Unidas sobre os Limites da Plataforma Continental. Copenhague acredita que tem direito a 895 mil quilômetros quadrados no leito marítimo ártico, ou seja, a uma área que vai muito além do domínio ártico dinamarquês, Groenlândia até Polo Norte.

Além das medidas para aumentar sua presença na região, Dinamarca também anunciou os planos de lançar uma nova estratégia de pesquisa no Ártico.

De acordo com o ministro da Educação, Ulla Tornaes, uma plataforma de pesquisa na Groenlândia poderia tornar Dinamarca em "uma das nações líderes mundiais no que se trará das pesquisas árticas", comunicou o jornal Politiken.

Em 2001, a Rússia foi o primeiro país a apresentar reivindicações territoriais no Ártico.

Em 2016, o pedido russo foi substanciado com mais detalhes e fatos científicos. A Comissão da ONU estudará apenas a validade técnica destes pedidos. As áreas superpostas devem ser discutidas entre os dois países em disputa.

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