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    Brasil luta contra COVID-19 no final de dezembro (60)
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, Gerson Salvador, especialista em infectologia e saúde pública, avalia ainda a possibilidade de o novo coronavírus se tornar endêmico e exalta a pesquisa realizada por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta quarta-feira (23) um estudo que constata que, em casos brandos da COVID-19, a pessoa infectada pode não desenvolver imunidade ao novo coronavírus. Ou seja: a pesquisa da Fiocruz reforça as evidências de que a reinfecção é possível.

    O pesquisador Thiago Moreno acompanhou quatro pessoas desde o início da pandemia no Rio de Janeiro, em março. Ele constatou que os mesmo indivíduos foram infectados por cepas diferentes do novo coronavírus em diferentes momentos: na primeira infecção os casos eram assintomáticos (ou com sintomas leves) e, nas reinfecções, os sintomas apareceram de forma intensa.

    "Casos assintomáticos ou muito brandos, se forem reexpostos ao vírus, poderão ter novamente uma infecção. Desta vez, pode ser que o quadro se agrave e que essa infecção seja mais severa do que a primeira, como demonstrado na pesquisa", diz Thiago Moreno.

    A pesquisa da Fiocruz acende um alerta: se a reinfecção é possível, será que as vacinas que estão sendo desenvolvidas são mesmo eficazes para a prevenção da COVID-19? O médico Gerson Salvador, especialista em infectologia e saúde pública, garante que sim.

    Salvador explica que as vacinas que já vêm sendo aplicadas visam uma parte muito específica do vírus, que é o RBD da proteína S. Esta sigla se refere ao domínio de ligação ao receptor – ou seja, é por meio desta parte que o vírus se liga à célula humana.

    "Então para que estas vacinas sejam inefetivas, tem que haver uma mutação [do vírus] bem caprichosa, para mudar o RBD da proteína S. As vacinas são seguras, efetivas e eficazes", diz Salvador.
    Enfermeira segura dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19 fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac.
    Amanda Perobelli
    Enfermeira segura dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19 fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac.

    Por isso, o especialista até reconhece que "matematicamente a probabilidade existe" de que as vacinas possam se mostrar ineficazes, mas afirma que "a chance é muito pequena".

    Salvador diz ainda que a reinfecção reforça a possibilidade de que o novo coronavírus tem potencial para se tornar um vírus endêmico, ou seja: que volta a circular de forma sazonal dentro de uma população, como é o influenza, o vírus da gripe comum. Ele afirma, no entanto, que ainda é preciso observar muitas variáveis, incluindo as vacinas, antes de tentar prever o futuro da pandemia.

    "Com o coronavírus, a gente não sabe o que vai acontecer. Não sabemos se o vírus, do jeito que ele veio, deixará de circular com a imunidade coletiva após as vacinas e os casos de infecção. O que pode acontecer é que ele se torne endêmico e que volte a circular, de uma maneira mais enfraquecida, ano a ano", avalia Salvador.
    Agente de saúde recebe doses da vacina chinesa CoronaVac durante testes em São Paulo, 11 de dezembro de 2020
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Agente de saúde recebe doses da vacina chinesa CoronaVac durante testes em São Paulo, 11 de dezembro de 2020

    Em agosto, pesquisadores de Honk Kong documentaram o primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavirus. Desde então, diversos países, como os Estados Unidos, a Holanda e também o Brasil confirmaram casos de pacientes reinfectados. Além dos pesquisadoes de Honk Kong, cientistas de outros países, como a Austrália, já conduziram estudos sobre a reinfecção.

    Por isso, Salvador avalia que a pesquisa da Fiocruz "não é propriamente uma novidade”, mas que é muito importante por endossar a conclusão apontada por outras pesquisas "de patamar internacional". O médico, inclusive, destaca a importância da conclusão alcançada pela ciência brasileira.

    "Para falar de reinfecção, é necessário fazer o sequenciamento do vírus e mostrar que não era exatamente o mesmo vírus que voltou a replicar material genético. Isto exige um suporte laboratorial que alguns poucos laboratórios conseguem fazer”, diz Salvador.

    O estudo desenvolvido pela Fiocruz atende ao pedido da Organização Mundial da Saúde por mais pesquisas relacionadas à reinfecção pelo novo coronavírus. Estudos como estes podem ajudar a frear a pandemia de COVID-19 no mundo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil luta contra COVID-19 no final de dezembro (60)

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    Tags:
    Fiocruz, Brasil, ciência, vacina, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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