16:02 20 Setembro 2020
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    Mundo e COVID-19 no final de agosto (52)
    0 20
    Nos siga no

    Cientistas em Hong Kong relataram o primeiro caso documentado de reinfecção pelo novo coronavírus no mundo, lançando dúvidas sobre a ideia de que uma imunidade duradoura contra a doença mortal pode ser alcançada.

    A revelação inovadora foi feita por uma equipe de pesquisa da Universidade de Hong Kong (HKU) nesta segunda-feira (24). Os cientistas "provaram o primeiro caso de reinfecção humana" pelo novo coronavírus, informou a Faculdade de Medicina da universidade.

    A temida doença foi contraída duas vezes por um residente local, descrito como um homem de 33 anos de boa saúde. O paciente foi diagnosticado com COVID-19 no final de março, quando apresentava os sintomas há três dias. O homem teve alta hospitalar em meados de abril, depois de dois testes negativos para o vírus.

    "Durante o segundo episódio assintomático de COVID-19, o paciente estava voltando da Espanha para Hong Kong via Reino Unido", revelou o artigo de pesquisa, citado pela revista médica internacional Clinical Infectious Diseases.

    Embora o homem tenha sido inicialmente suspeito de ser portador do vírus desde seu primeiro episódio do novo coronavírus, este não foi o caso.

    "A equipe mostrou que a sequência do genoma da cepa do vírus no primeiro episódio de infecção por COVID-19 é claramente diferente da sequência do genoma da cepa do vírus encontrada durante o segundo episódio de infecção", explicaram os pesquisadores.

    Testagem para COVID-19, doença provocada pelo coronavírus
    © Folhapress / Saulo Angelo/AM Press & Images
    Testagem para COVID-19, doença provocada pelo coronavírus
    "Nossos resultados sugerem que [a COVID-19] pode persistir na população humana global, como é o caso de outros coronavírus humanos associados ao resfriado comum, mesmo se os pacientes adquiriram imunidade por meio de infecção natural", acrescentaram.

    Pessoas que venceram o vírus com sucesso devem, portanto, cumprir o "mascaramento universal e distanciamento social", alertou a equipe de cientistas, além de serem vacinadas quando uma se tornar amplamente disponível no mundo.

    Embora a possibilidade de reinfecção pelo novo coronavírus já tenha sido especulada há algum tempo, a pesquisa do HKU parece ser a primeira evidência real a apoiá-la. Essas descobertas reforçam ainda mais os temores, expressados ​​pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros cientistas, de que a pandemia possa durar anos, enquanto o próprio vírus nunca será erradicado por completo.

    A pesquisa também abre novos buracos na ideia da chamada "imunidade de rebanho", cujos proponentes acreditam que todos deveriam contrair o vírus, esperançosamente vencê-lo e, portanto, tornar-se imunes a qualquer infecção subsequente.

    O vírus, que assola o mundo há mais de seis meses, matou mais de 800 mil pessoas em todo o mundo, enquanto quase 23,5 milhões o contraíram, mostram os últimos números da Universidade Johns Hopkins.

    Tema:
    Mundo e COVID-19 no final de agosto (52)

    Mais:

    Vacina russa contra COVID-19: quais estados brasileiros estão interessados e quando teremos testes?
    São Paulo registra queda de óbitos e de internações por COVID-19
    Bolsonaro diz que jornalistas 'bundões' correm mais riscos diante da COVID-19
    Tags:
    imunidade, saúde, ciência, infecção, COVID-19, novo coronavírus, pandemia, Hong Kong, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar