16:47 25 Outubro 2020
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    A série de atentados em Paris, na França, quando terroristas abriram fogo contra cafés, fizeram detonar bombas junto ao estádio Stade de France e tomaram reféns no teatro de Bataclan mostrou que todos somos vulneráveis.

    O jornal russo Moskovsky Komsomolets falou com o coronel Vitaly Demidkin da divisão antiterrorista Alfa do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) que chefiou grupo de assalto durante libertação de reféns no “Nord-Ost” (sequestro dos espetadores de um teatro, na área de Dubrovka, em Moscou, em 2002, por terroristas chechenos; a tragédia aconteceu durante a apresentação do espetáculo musical Nord-Ost) e Beslan (ataque terrorista contra uma escola na cidade de Beslan em 2004). 

    Escapar sem ninguém notar

    Às vezes acontece que o número de terroristas não é suficiente para controlar todo o espaço do edifício atacado, eles entram na sala de espetáculos e a entrada ainda permanece livre e pode-se escapar de forma furtiva, diz Demidkin. Ou outro caso – os terroristas assaltam uma escola e começam a entrar nas salas de aulas, neste caso é possível escapar através de uma janela, esconder-se em um porão e tentar escapar já deste lugar. Ou é possível barricar-se em um quarto qualquer, um camarim, por exemplo (no caso de ataque contra um teatro).

    Obedecer às exigências dos terroristas e misturar-se com a multidão

    Se não foi possível escapar imediatamente, você ficou no centro dos acontecimentos e há terroristas perto de você, é preciso obedecer às exigências deles, opina o especialista em segurança.

    Você não se deve de maneira nenhuma distinguir do grupo onde está: levantar-se, correr, fazer movimentos bruscos porque é considerado como agressão por parte dos terroristas, que podem fuzilar esta pessoa. 

    É preciso tomar em conta que no local atacado pode haver videovigilância que pode ser usada pelas forças de segurança. É preciso mostrar que você é um refém e não um cúmplice de terroristas.  

    Demidkin deu um exemplo: em maio de 1991 um avião foi capturado. Os terroristas libertaram um passageiro para que comunicasse as suas exigências às autoridades. O passageiro disse que o próprio terrorista estava no segundo salão, enquanto no primeiro ele tinha dois cúmplices. O grupo de Demidkin teve de assaltar o avião. Depois disso, soube-se que só tinha um terrorista e que as duas pessoas suspeitas eram passageiros comuns. Mas comportavam-se de tal maneira que foram considerados cúmplices. Por exemplo, passeavam pelo avião, censuravam outros passageiros ou comportavam-se como heróis em alguns aspetos. 

    Se você conseguiu escapar

    Se conseguiu de uma ou outra maneira escapar do edifício capturado, não é preciso correr. Os efetivos que cercaram o local do atentado podem ser pouco profissionais. Podem ser simples soldados. Para eles, todos os que saem a correr do edifício capturado são terroristas. Por isso, se escarpou, ande devagar. Em caso extremo, agite alguma coisa no ar. E só quando vê que as autoridades fazem sinal “vem cá”, pode correr. 

    Onde não se deve ficar

    Não se deve ficar perto de portas e janelas. Porque no momento X, se as negociações não derem certo, acontecerá um ataque. Um grupo de assalto irá agir. E irá penetrar através de janelas e portas ou através de um buraco na parede. 

    Quando acontece o assalto

    Como saber que chegou o momento do assalto? Somente de maneira intuitiva, opina o especialista. Ele não quis falar das formas usadas para distrair a atenção dos terroristas porque só o grupo que efetua assalto sabe disso.

    Ele lembrou um caso que aconteceu durante a libertação dos reféns do Nord-Ost. Uma professora trouxe os seus alunos ao teatro. Ela sabia que o gás é inflamável, que a sua concentração é mais alta na parte superior de uma sala. Ora as crianças estavam no camarote. A professora disse aos alunos:

    “Meninos, quando sentirem gás ou fumo, tomem os seus cachecóis ou camisas, ponham água neles e respirem só através do tecido”.

    Os corpos das crianças são mais fracos do que dos adultos, mas nenhuma destas crianças morreu (durante assalto as forças especiais usaram gás tóxico porque havia risco de explosão de bombas instaladas pelos terroristas no teatro, infelizmente o gás matou dezenas de outros reféns).

    Tags:
    reféns, terrorismo, Serviço Federal de Segurança (FSB), França, Paris, Rússia
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