00:29 17 Janeiro 2021
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    Na semana passada um estaleiro naval de São Petersburgo lançou à água uma nova estação científica flutuante autopropulsada destinada para o uso no Ártico.

    A embarcação, cujo nome é Severny Polyus (Polo Norte em português), causou uma certa agitação entre alguns observadores ocidentais devido a sua aparência incomum.

    O objetivo da nova plataforma científica autopropulsada e resistente ao gelo é proporcionar um reduto móvel e confiável para os cientistas que trabalham no Ártico, e não para ganhar quaisquer concursos de beleza, disse à Sputnik Aleksandr Makarov, diretor do Instituto de Pesquisa do Ártico e Antártica.

    Recentemente, um artigo publicado pelo portal Warzone sobre Severny Polyus, o navio do projeto 00903 lançado em 18 de dezembro, elogiou o design da plataforma em forma de ovo projetado para otimizar a resistência e autonomia, porém para descrevê-lo a notícia saiu com o seguinte título: "Nova embarcação de pesquisa ártica da Rússia de grande autonomia pode ser o navio mais feio que vimos".

    "A forma incomum da plataforma autopropulsada resistente ao gelo não é necessária por uma questão de design. A maior parte do tempo o navio estará no gelo, e graças ao costado arredondado o gelo não vai esmagá-lo, mas sim espremê-lo para a superfície", explicou Makarov.

    "O principal é que a nossa plataforma, devido a suas características, será capaz de proporcionar aos exploradores polares um ambiente de trabalho confortável em condições adversas", acrescentou.

    O acadêmico revelou que o design da embarcação polar russa foi inspirado no Fram, uma escuna norueguesa usada em expedições no Ártico e na Antártica por famosos exploradores noruegueses no final do século XIX e início do século XX.

    Escuna norueguesa Fram
    © Foto / Fridtjof Nansen (1861-1930)/National Library of Norway
    Escuna norueguesa Fram

    "A propósito, por causa da forma estranha de seu casco também chamaram nomes ao Fram, mas agora ele é um navio lendário que participou das três expedições mais importantes do século. Prevemos que a nossa plataforma tenha uma carreira não menos brilhante", ressaltou Makarov.

    A plataforma desempenhará várias tarefas, incluindo realização no Ártico de observações oceanográficas, acústicas, geofísicas e geológicas. Será capaz de ficar à deriva e se mover no gelo de maneira independente a uma velocidade de até dez nós, e terá combustível suficiente para lhe permitir permanecer em operação autônoma por até dois anos de cada vez.

    Além disso, a embarcação incluirá um moderno laboratório, instalações de comunicação e uma área de pouso para helicópteros Mi-8 e Mi-38. O navio tem 83,1 m de comprimento, 22,5 m de boca e um deslocamento de cerca de 10.400 toneladas. A construção da plataforma se iniciou em abril de 2019 e deverá ser concluída em 2022.

    Segundo Makarov, muitos cientistas estrangeiros já manifestaram interesse em participar de futuras expedições a bordo de Severny Polyus.

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    Tags:
    EUA, Rússia, navio de pesquisa, expedição, Antártica, oceano Ártico, pesquisa científica
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