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19 Agosto 2014, 17:06

Selfies, Instagram, Twitter e outros atributos da solidão moderna

redes sociais, solidão

Há relativamente pouco tempo, cientistas norte-americanos proferiram um veredicto pouco animador a todos os que gostam de fazer selfies (autorretratos com câmera de celular) em seu tempo livre. A conclusão dos cientistas se resumia ao seguinte: meus senhores, vocês estão mentalmente doentes, e sua doença é atualmente incurável pela medicina moderna.

Não nos propomos decidir se é ou não assim. No entanto, será que o vício de fotografar cada passo e “tweetar” cada pensamento indica uma profunda sensação de solidão e insatisfação?

Estatisticamente, cerca de 62% de todos os proprietários de smartfones sofrem de nomofobia: pânico de ficar sem a sua engenhoca nem que seja por pouco tempo. O interessante é que 38% deles têm uma forte dependência de redes sociais como o Facebook, Twitter e Instagram.

Os entrevistados admitem que durante o dia verificam repetidamente como estão as coisas em suas contas, bem como as listas de notícias de seus amigos e assinantes. Usuários particularmente dependentes estão dispostos a gastar horas a fio atualizando páginas para ver quem e como comentou suas fotos ou mensagens, matando nestas atividades imenso tempo livre.

Outra observação interessante é que a sensação de frustração, solidão e vazio aumenta proporcionalmente ao número de chamados assinantes e “amigos” do titular da conta. A pessoa tenta constantemente surpreender ou interessar seu público com alguma coisa, publicando mais e mais fotos novas e postando novos tweets e notas. Muitos se viciam nisso como em drogas, especialmente aqueles a quem falta o reconhecimento e a atenção de outras pessoas na vida real. E, embora a grande maioria dos usuários do Twitter, Instagram e Facebook pareçam ser pessoas divertidas, confiantes e alegres, isso muitas vezes não é assim.

A psicóloga Irina Lukianova tem certeza que muitos simplesmente não querem admitir a si mesmos e aos outros a sua própria incerteza e colocam a máscara de pessoas “bem-sucedidas na vida”:

“As múltiplas selfies, bem como fotos de comida deliciosa e lugares bonitos, em primeiro lugar, são necessárias à própria pessoa como prova de que ela existe, que ela não é um lugar vazio, que ela é a protagonista principal de sua vida, e é por isso que cada passo seu é registrado pela câmera e cada pensamento é imediatamente publicado para todo mundo ver. Antes, só as vedetas do cinema e da música é que podiam fazer isso. Hoje, na era da comunicação instantânea, todos podem se expressar. Inconscientemente, uma pessoa que ativamente publica fotos, vídeos ou escreve notas em seu blog, está tentando se colocar no lugar de um ídolo ao qual as pessoas irão ouvir, cuja vida irão observar com interesse. Essencialmente, ela atua ao mesmo tempo no papel de vedeta e no papel de paparazzi. Muitas vezes isso indica uma escondida e profunda incerteza e insatisfação com sua própria vida”.

O problema é ainda agravado pelo fato de que os usuários, depois de ver nas contas uns dos outros fotos de vida feliz e despreocupada, começam a complexar e a sentirem-se oprimidos, porque cada um sabe que a sua vida está longe de ser tão fabulosa como ele a quer mostrar. Isto dá origem a inveja e a complexos de inferioridade, assim como ao desejo de publicar fotos/tweets/looks/posts melhores do que os de seus amigos. É um círculo vicioso.

No entanto, se tais usuários levarem as redes sociais menos a sério e não tomarem tão a peito os comentários negativos de outros usuários, se deixarem de contar quantas “curtidas” recolheu a sua última mensagem, e também dividir por dez tudo o que veem ou leem em páginas de outras pessoas, então será muito mais fácil viver.

Mas, em geral, é melhor usar smartfones e computadores menos frequentemente e passar mais tempo com a família e amigos, porque a vida é tão fugaz, e nada pode substituir o calor das verdadeiras emoções humanas e abraços. De qualquer forma, você já sabia isso.

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