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29 Dezembro 2013, 18:35

Inteligência militar no Império Russo: um sérvio ao serviço da Rússia

Inteligência militar no Império Russo: um sérvio ao serviço da Rússia

Pedro, o Grande foi o primeiro a instituir, no seu regulamento militar de 1716, o fundamento legislativo e judicial do trabalho de inteligência, entregando-o aos serviços gerais de intendência. Simultaneamente, os diplomatas do tsar continuam se ocupando da inteligência política através do Colégio dos Negócios Estrangeiros.

Esse colégio conseguiu criar num ano mais de uma dezena de missões permanentes na Polônia, Holanda, Suécia, Dinamarca, Áustria, Inglaterra, Veneza, nos principados alemães da Prússia, Meclemburgo, Shaumburgo e Curlândia, assim como na Turquia e em Bukhara.

Pedro, o Grande, preocupado com a política do vizinho Império Otomano, que podia marchar contra a Rússia a qualquer momento, envia a Istambul, no outono de 1699, o seu embaixador Emelian Ukraintsev. Num ambiente de hostilidade turca, ele só podia contar com a ajuda e o apoio dos cristãos ortodoxos. Esse apoio foi-lhe facultado pelo Patriarca de Jerusalém Dositeu.

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O Patriarca Dositeu recomendou ao embaixador russo Ukraintsev os serviços do mercador sérvio Sava Vladislavic Raguzinski, um homem rico que falava as línguas europeias, excelente conhecedor da política interna e externa turca, e que tinha uma larga rede de conhecimentos nos Bálcãs e em Istambul.

Em 1702 Sava viaja para a Rússia. Ele traz consigo uma obra intitulada "O Estudo dos Caminhos pelo Mar Negro" até Moscou em que descreve detalhadamente os portos, guarnições, seu armamento, locais de baseamento naval e apresenta outras informações de caráter estratégico. O sucessor de Emelian Ukraintsev em Istambul, Piotr Tolstoi, escrevia a Pedro, o Grande: “Sava é um homem bom e até agora trabalhou com dedicação em assuntos do nosso grande soberano, e de futuro tem o desejo de o servir fielmente.”

Raguzinski regressa a Istambul, onde prossegue com as suas atividades de inteligência, cumprindo paralelamente missões pessoais do tsar Pedro. A um pedido do tsar, ele leva consigo para São Petersburgo, em 1705, o pequeno abexim Ibrahim, comprado em Istambul, que foi um antepassado do poeta Alexander Pushkin.

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Sava contribuiu em grande medida para o reforço das ligações comerciais e diplomáticas da Rússia com a Europa e para o estabelecimento das relações com os povos eslavos dos Bálcãs. Mas, além de tudo isso, ele organizou na Sublime Porta, em Veneza e em França uma rede comercial ramificada, que foi na sua essência a primeira rede de inteligência russa no estrangeiro. Este sérvio esteve na génese da política balcânica da Rússia.

Tendo regressado definitivamente à Rússia, Sava entra ao serviço do Posolski Prikaz (o ministério diplomático). Por sua iniciativa, a Rússia começa a cunhar a sua moeda de cobre e ele passa a ser o fornecedor oficial de cobre para a Casa da Moeda russa.

Temos que assinalar a sua participação na delegação russa à China, que regulou em 1727 as relações comerciais e as questões fronteiriças entre a Rússia e a China. O Tratado de Kiakhta foi um marco importante na história das relações entre a Rússia e a China. Em 1727 ele fundou na Buriátia uma cidade cujo nome dedicou a São Sava, o padroeiro do povo sérvio, chamando-a de Troitskosavsk (atual Kiakhta).

Aproveitando a experiência e os conhecimentos obtidos em todas essas missões, assim como o instituto dos cônsules russos no estrangeiro, criado um pouco mais tarde, o Colégio cumpriu com sucesso as suas missões de inteligência e contrainteligência.

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