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22 Fevereiro 2013, 11:15

O Mundo se deve unir perante ameaças vindas do espaço

O Mundo se deve unir perante ameaças vindas do espaço

O projeto de Programa Federal de Metas para Combater Ameaças Espaciais pode vir a “ter pernas para andar”. Depois da explosão do meteorito nos Urais, o projeto foi apresentado ao vice-primeiro-ministro Dmitri Rogozin para análise, informou a mídia russa.

Este projeto foi elaborado, ainda com o seu nome antigo de “Conceito para o Desenvolvimento de Sistemas de Contenção de Ameaças Espaciais”, pelo Instituto de Astronomia da Academia de Ciências da Rússia a pedido da Roscosmos. Aquilo que este documento representa foi-nos explicado por Lidia Rykhlova, chefe do departamento de astrometria espacial do Instituto de Astronomia da Academia de Ciências da Rússia:

“Nós reunimos todos os que trabalham na concepção de telescópios. Nós temos apenas um telescópio grande-angular em Irkutsk, não temos mais tecnologia de detecção. Um asteroide perigoso ainda terá de ser estudado. Isso já pode ser feito por telescópios pequenos com equipamento especial. Mas também sentimos a falta de telescópios mais pequenos. A Rússia ocupa um território grande em longitude, por isso são necessários pelo menos 2 ou 3 telescópios de detecção e vários mais pequenos para a monitorização. Ainda será necessário um centro único para a recolha e tratamento dos resultado das observações, porque mesmo se detectarmos algo, não sabemos a quem transmiti-lo. Portanto, nós colocámos 3 objetivos para a criação de um sistema russo de contenção de ameaças espaciais: a detecção e a monitorização, a criação de um centro único de análise da informação e de um sistema de avaliação de riscos que permita determinar qual é o perigo que o objeto representa.”

Ciência já começou a reagir a ameaças espaciais

O documento com a descrição detalhada das partes componentes do sistema, incluindo os telescópios de baseamento espacial, se encontra desde o ano passado na Roscosmos, onde já foi aprovado. Contudo, os seus custos de 58 bilhões de rublos (quase 2 bilhões de dólares) em 10 anos foram considerados extremamente elevados. Segundo Lidia Rykhlova, os cientistas foram informados que por enquanto não havia essas verbas. Este é o comentário de Andrei Ionin, membro-correspondente da Academia Russa de Cosmonáutica:

“Eu respeito profundamente a Roscosmos, mas não lhe cabe decidir se se deve ou não fazer alguma coisa. Como tivemos oportunidade de ver, os meteoros representam uma ameaça para os nossos cidadãos, enquanto a Roscosmos se ocupa de outras questões e não é responsável pela segurança dos cidadãos do país. Eu penso que a Roscosmos deveria, depois de obter esse documento, ter colocado ao governo a questão da criação de um sistema de seguimento internacional. Já se sabia que o seu orçamento é insuficiente para resolver essa questão.”

Sistemas análogos estão sendo criados a toda a velocidade nos EUA, na União Europeia e, provavelmente, na China. Ninguém quer depender da informação alheia relativamente aos corpos celestes perigosos, explica Lidia Rykhlova. Na Rússia, essa área é objeto de trabalho de alguns observatórios e algumas universidades, mas todo esse trabalho é feito de forma autônoma e está dividido por pequenos programas. A situação ainda é agravada pelo fato de, depois da divisão da URSS, os melhores telescópios terem ficado nos locais com ar puro e transparente nas montanhas das repúblicas da Ásia Central e da Armênia.

Seria racional unir os serviços de contenção de ameaças espaciais dos diversos países num sistema global. Nenhum país consegue sozinho atingir com eficácia o objetivo tão só da deteção de objetos perigosos. A segunda componente, a contenção das ameaças, ainda está mais além das forças de um só país, é a opinião de Andrei Ionin:

“Isso é uma tarefa internacional e deve ser abordada com esforços conjuntos. Penso que no plano da exploração do espaço chegámos a um ponto em que os projetos que dizem respeito a toda a humanidade têm de ser realizados em conjunto. Temos de começar pelas tarefas mais definidas, há muito tempo discutidas, como, por exemplo, a ameaça dos asteroides. Temos de criar um mecanismo internacional e começar a trabalhar. Depois poderemos pensar nos outros projetos espaciais, como os voos ao espaço longínquo e a exploração de outros corpos celestes.”

Em abril de 2013, nos EUA irá decorrer a Conferência Internacional sobre a Defesa Planetária em que irá participar uma delegação russa. Se prevê que os participantes do fórum formulem os objetivos para uma integração internacional nessa questão. Não é de excluir que até esse evento já esteja definido o destino do Programa Federal de Metas para Combater Ameaças Espaciais russo.

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