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    Dois navios de guerra do Irã, o destróier Sahand e o avançado navio-base Makran, navegaram até o oceano Atlântico em uma missão de 30 dias, a primeira da Marinha iraniana na região.

    As embarcações partiram do porto de Bandar Abbas em 10 de maio e cruzaram o cabo da Boa Esperança, sem atracar em nenhum porto durante o percurso. Teerã não deu detalhes sobre a missão nem comentou notícias sugerindo que os navios estão carregando armas para a Venezuela.

    Na quinta-feira (10), o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse estar preocupado com a possiblidade de os navios iranianos estarem transferindo armas para a Venezuela.

    "Estou absolutamente preocupado com a proliferação de armas, qualquer tipo de arma, em nossa vizinhança", afirmou Austin durante audiência no Senado norte-americano, citado pelo portal Politico.

    Lloyd J. Austin III, secretário de Defesa dos Estados Unidos, durante formatura na Academia Militar de West Point, em Nova York, em 22 de maio de 2021
    © REUTERS / MIKE SEGAR
    Lloyd J. Austin III, secretário de Defesa dos Estados Unidos, durante formatura na Academia Militar de West Point, em Nova York, em 22 de maio de 2021

    Navios protegidos

    Ainda assim, e apesar de existirem sanções proibindo o comércio de armas com a Venezuela, os EUA não têm o direito legal de "tocar" ou agir de qualquer outra forma contra os navios de guerra de Teerã, afirma a revista norte-americana Foreign Policy. A mídia enfatiza que, de acordo com as leis internacionais existentes e reconhecidas pelos EUA, Washington carece de opções legais para fazer qualquer coisa sobre os navios da República Islâmica.

    "[…] Qualquer ação dos EUA contra essas embarcações seria ilegal e prejudicaria um princípio fundamental da ordem internacional: imunidade soberana. Os custos da ação direta seriam severos, expondo os EUA a acusações de hipocrisia em relação à ordem baseada em regras e, potencialmente, abrindo os navios da Marinha dos EUA para tratamento semelhante por parte dos adversários", lê-se na reportagem.

    A mídia acrescenta que enquanto um navio de guerra estiver em uma "passagem inocente", sem ameaçar um território costeiro, o Estado costeiro pode, no máximo, ordenar que o navio de guerra deixe a região. "A interdição ou prisão estão fora de questão, a menos que o navio ameace o Estado costeiro, ponto em que a autodefesa seria permitida."

    Esse fato, no entanto, não impede políticos norte-americanos peçam uma ação contra os navios de Teerã. O senador Marco Rubio, representante do estado da Flórida, pediu a Washington que evite que as embarcações atraquem na Venezuela.

    Irã não comenta

    Teerã manteve silêncio sobre as razões da expedição militar, apenas observando que foi um "passo significativo" para a Marinha do país e serviu como uma demonstração de suas capacidades.

    O Irã não comentou as notícias de que os navios transportavam armas para a Venezuela, mas observou que Teerã recuperou a capacidade de se envolver no comércio de armas, inclusive com Caracas, desde o ano passado, quando o embargo da ONU expirou.

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    Tags:
    Lloyd J. Austin, EUA, Venezuela, oceano Atlântico, Atlântico, Irã
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