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    Nas últimas semanas tem sido registrado um aumento dos incidentes antissemitas em várias partes do mundo. Tudo começou com incitações para estuprar moças judias em Londres. Em seguida, alguns incidentes foram registrados em Nova York, acabando isso por se espalhar para outras partes dos EUA.

    De acordo com relatos, na última semana de maio a Liga Antidifamação recebeu nos EUA 193 queixas de antissemitismo, um aumento de 47% em relação à semana anterior e, segundo a opinião de Danny Ayalon, ex-embaixador israelense nos EUA, a recente onda pode se dever a dois fatores principais.

    O primeiro fator é a Operação Guardião das Muralhas, que teve início em 10 de maio após uma série de lançamentos de foguetes a partir da Faixa de Gaza. Durante os 11 dias da campanha militar de Israel, mais de 250 palestinos foram mortos e mais de 1.600 ficaram feridos.

    Além do mais, a campanha militar destruiu várias centenas de edifícios, incluindo instalações residenciais, causando graves danos a clínicas, delegacias policiais e escolas.

    As imagens dessa destruição atraíram a atenção da mídia internacional. Os vários grupos pró-Palestina que realizaram manifestações anti-israelenses também não podiam ser ignorados.

    © REUTERS / AMIR COHEN
    Raios de luz são vistos de Ashkelon quando o sistema antimíssil Iron Dome de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel, em 15 de maio de 2021
    "[Nos EUA] existe uma máquina bem lubrificada de propaganda palestina. Lá, você tem a coalizão profana entre a extrema direita e grupos pertencentes à esquerda radical que foram sequestrados pela pauta palestina. E é difícil combatê-los porque aí também há judeus, que acreditam no que estão fazendo", afirmou Ayalon à Sputnik.

    Ao longo dos anos, vários ministérios israelenses tentaram aumentar conscientização do mundo para o antissemitismo. Nesse âmbito foram montadas conferências, vários grandes eventos e seminários, mesmo trabalhando em conjunto com os governos de outros países para garantir que os judeus fossem protegidos.

    Mas quando se trata das pessoas comuns, Israel, ao que parece, tem estado perdendo sua batalha, e a razão disso são as redes das mídias sociais.

    "No passado, os EUA tinham vários jornais e vários canais e sabíamos como trabalhar com eles. Agora, na era das mídias sociais, quando não há verificações nem restrições, quando alguém pode postar o que quiser, transmitir nossa mensagem tornou-se um desafio. Palestinos sabem disso e estão ativos nessas plataformas", explicou.
    Manifestante cobre o rosto no estilo de militantes palestinos enquanto segura uma bandeira da Palestina em uma reunião pró-palestinos em Teerã, Irã
    © AP Photo / Vahid Salemi
    Manifestante cobre o rosto no estilo de militantes palestinos enquanto segura uma bandeira da Palestina em uma reunião pró-palestinos em Teerã, Irã

    Israel, sendo considerada uma nação de alta tecnologia, poderia facilmente lidar com este problema, diz o ex-embaixador. Mas a questão é que o país nunca adotou uma política para erradicar esse problema. Na situação em que estamos, a questão do antissemitismo é combatida por vários órgãos governamentais.

    No entanto, nunca houve um organismo centralizado incumbido dessa tarefa e Israel não tem alocado muito financiamento para seus esforços no combate ao antissemitismo.

    "Os palestinos nunca desistiram de seu objetivo de destruir Israel. Hamas faz isso através [do lançamento] de foguetes. A Autoridade Palestina (AP) – através da deslegitimação na arena internacional. Mas podemos mudar isso. Israel precisa trabalhar nas redes populares e de mídia social. Mas, o mais importante, ele precisa de repensar e renovar muito [a imagem de] Israel aos olhos da opinião pública", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Palestina, Faixa de Gaza, Hamas, EUA, Israel, antissemitismo
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