22:36 23 Junho 2021
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    Mesmo com pressão internacional, Israel se mantém firme no embate contra palestinos e agradece os EUA por entenderem que seus ataques à Faixa de Gaza são seu "direito de defesa e soberania".

    Na terça-feira (11), um alto oficial israelense disse que Tel Aviv não está pronta para cessa-fogo até que o movimento palestino, Hamas, pague o preço por todos os foguetes já lançados a partir da Faixa de Gaza para território israelense, segundo o The Jerusalem Post.

    "Israel não negociará um cessar-fogo antes que o Hamas pague um preço por seus ataques. Eles dispararam um monte de foguetes e, é claro, eles querem um cessar-fogo, isso seria perfeito para eles, assim, não precisam pagar um preço por atirar contra Jerusalém e depois [lançarem] 500 foguetes. [...] Haverá um cessar-fogo quando estivermos prontos para isso", disse o oficial citado pela mídia.

    Também nesta terça-feira (11), o ministro das Relações Exteriores, Gabi Ashkenazi, falou com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. Segundo a mídia, Ashkenazi enfatizou que Israel tem o direito de defender sua soberania e não permitirá tentativas de ferir seus cidadãos, e que o Estado judeu continuará com a mão pesada contra terroristas.

    "O Hamas escolheu o caminho do terrorismo e disparou mais de 500 foguetes contra as populações civis em Jerusalém, a capital de Israel, e no centro e no sul de Israel, ferindo dezenas de pessoas inocentes e matando três", disse o ministro.

    De acordo com o The Jerusalem Post, Ashkenazi agradeceu a Blinken pelo apoio dos EUA ao direito de Israel de se defender e exortou à comunidade internacional que condene o terrorismo do Hamas e os foguetes de Gaza, em vez de dar um prêmio ao terrorismo.

    O sistema antimíssil de Israel dispara mísseis interceptores enquanto foguetes são lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel, 12 de maio de 2021
    © REUTERS / Ibraheem Abu Mustafa
    O sistema antimíssil de Israel dispara mísseis interceptores enquanto foguetes são lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel, 12 de maio de 2021

    Os conflitos entre israelenses e palestinos estão fervilhando há quase três semanas. Em uma escalada intensa de embates, na segunda-feira (10), aconteceu o ponto mais alto do conflito, depois que o Hamas lançou diversos foguetes contra Israel, levando os militares israelenses a contra-atacarem. Entre foguetes e bombas, a população vive cenas de guerra em um confronto que não parece ter fim próximo.

    Filho de palestino, que foi morto em meio a uma explosão durante os conflitos, é consolado ao reagir em um hospital no norte da Faixa de Gaza, em 10 de maio de 2021
    © REUTERS / MOHAMMED SALEM
    Filho de palestino, que foi morto em meio a uma explosão durante os conflitos, é consolado ao reagir em um hospital no norte da Faixa de Gaza, em 10 de maio de 2021

    Até o momento, 48 palestinos foram mortos, incluindo 14 crianças e mais de 300 ficaram feridos. Do outro lado, cinco israelenses morreram e mais de 200 ficaram feridos. O Exército israelense disse hoje (12) que eliminou figuras-chave da inteligência do Hamas, incluindo o chefe do Departamento de Segurança da Inteligência militar do grupo e seu vice.

    Familiares choram durante o funeral de jovem israelense que morreu devido a ferimentos depois de ter sido ferido no início desta semana na Cisjordânia ocupada por Israel por um suposto atirador palestino, em Jerusalém, 6 de maio de 2021
    © REUTERS / RONEN ZVULUN
    Familiares choram durante o funeral de jovem israelense que morreu devido a ferimentos depois de ter sido ferido no início desta semana na Cisjordânia ocupada por Israel por um suposto atirador palestino, em Jerusalém, 6 de maio de 2021

    Mas por que os conflitos chegaram a esse ponto?

    Israelenses e palestinos vivem um embate histórico e bélico que já dura anos, pois ambos clamam pelo território em questão como sendo a sua casa, principalmente a cidade de Jerusalém, sagrada para os dois povos, e a qual palestinos defendem como a capital de um futuro Estado palestino, enquanto Tel Aviv reivindica como sua capital, citando ligações bíblicas e históricas com a cidade.

    No entanto, nas últimas semanas, os confrontos chegaram a níveis de violência que não aconteciam há bastante tempo. Um mês atrás, o mês sagrado muçulmano do Ramadã começou, e palestinos se revoltaram com restrições severas por parte da polícia israelense sobre sua circulação em Jerusalém Oriental para comemoração. Por conta dessa repressão, o Hamas lançou foguetes contra Israel, que respondeu com o fechamento da área de pesca na Faixa de Gaza.

    As eleições palestinas, marcadas para junho desse ano, e que não aconteciam desde 2006, também foram canceladas, sob o pretexto da recusa de Tel Aviv em permitir que os moradores de Jerusalém votassem, gerando frustração na população.

    Em seguida, veio a possível ordem de despejo de 28 famílias palestinas de suas casas para darem lugar a colonos judeus, e a faísca final, foi a invasão da polícia israelense com balas de borracha e granadas de choque na mesquita de Al-Aqsa no domingo (9), mesquita essa que é considerada o terceiro lugar mais sagrado para religião mulçumana no mundo.

    A invasão da mesquita foi o estopim para reposta mais agressiva dos palestinos contra as forças israelenses, e até agora, mesmo com intensa solicitação internacional para que os conflitos cessem, não há previsão de seu fim.

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