07:40 27 Outubro 2021
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    Jim Jeffrey, ex-enviado diplomático do ainda presidente norte-americano, defendeu a política de Donald Trump na região e afirmou estar agradado com as escolhas de Joe Biden, presidente eleito dos EUA, para a equipe de segurança nacional.

    Jim Jeffrey, ex-representante especial da administração Trump para a Síria e enviado na coalizão ocidental contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), escreveu um artigo na revista Foreign Affairs, no qual apela ao presidente eleito Joe Biden a manter o rumo da política do Oriente Médio seguida pelo ainda presidente dos EUA.

    "Ambos os presidentes dos EUA George W. Bush [2001-2009] e Barack Obama [2009-2017] prosseguiram campanhas transformadoras no Oriente Médio com base na crença errônea de que, entrando política e militarmente nos Estados locais, os Estados Unidos poderiam abordar as causas subjacentes do terrorismo islâmico e da perpétua instabilidade regional", afirmou o diplomata.

    Política de Donald Trump

    De acordo com ele, Trump manteve "os objetivos americanos limitados, respondendo a ameaças regionais iminentes, mas para além disso trabalhando principalmente através de parceiros no terreno, Trump evitou as armadilhas encontradas por seus antecessores, ao mesmo tempo em que continuava avançando os interesses americanos", acrescentou Jeffrey.

    Segundo Jeffrey, esses "interesses americanos" incluíram "evitar envolvimentos" em conflitos regionais, ao mesmo tempo "empurrando para trás os concorrentes quase pares" Teerã e Moscou, inclusive apoiando "ações militares israelenses e turcas contra o Irã e a Rússia na Síria" e confiando "nos Estados do Golfo, Jordânia, Iraque e Israel para fazer frente a Teerã", mais com o objetivo de enfraquecer sua influência na região do que para mudar seu governo, disse.

    Assim, os EUA sob Trump teriam fechado os olhos a ações como o suposto assassinato do jornalista de Jamal Khashoggi pela Arábia Saudita, a prestação de apoio a Israel "quando se trata de questões palestinas", o apoio da "soberania" israelense sobre as Colinas de Golã e Jerusalém, bem como a flexibilização de transferências de armas à região.

    Quanto à Síria, o ex-enviado sugeriu que os objetivos dos EUA sob Trump incluíam apoiar "a Turquia e elementos armados da oposição na Síria [...] para negar a [Bashar] Assad uma vitória militar decisiva" e apoiar "ataques israelenses a alvos iranianos no país" e ao mesmo tempo tentar isolar Damasco economicamente e "esmagar a economia do país através de sanções".

    Como seria a política do novo presidente?

    Biden, disse ele, terá que pesar as "vantagens" de uma "guerra de atrito problemática" contra outros custos e riscos, "incluindo o custo para os civis".

    Em comentários ao jornal The Times of Israel em dezembro, o ex-alto funcionário aprovou as escolhas do presidente eleito Joe Biden para a equipe de segurança nacional, que considera "tranquilizadoras". Uma delas é Antony Blinken, um dos principais influenciadores e defensores das guerras dos EUA no Iraque, Líbia e Síria, a quem Biden chamou para servir como secretário de Estado.

    Antes de deixar a administração Trump em 13 de novembro de 2020, Jim Jeffrey admitiu ter deliberadamente encoberto o tamanho real da presença militar dos EUA na Síria e exortado repetidamente o presidente a evitar uma retirada completa das tropas, tanto em 2018 quanto em 2019.

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    Tags:
    EUA, Donald Trump, Daesh, Jim Jeffrey, George W. Bush, Oriente Médio, Joe Biden, Barack Obama, Irã, Rússia, Jamal Khashoggi, assassinato de Jamal Khashoggi, Arábia Saudita, Israel, Turquia, Cisjordânia, Jordânia, Iraque, Bashar Assad, The Times of Israel, Antony Blinken, Líbia
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